Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
  • Acompanhe ao vivo o 1º Ciclo de Estudos de 2018

    Encontro  tratará de temas relacionados à saúde da mulher

    Acompanhe agora, ao vivo, o 1º Ciclo de Estudos de 2018 realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). O tema do evento são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e indicadores relacionados à Saúde da Mulher. O evento será realizado no auditório do Edifício PO 700, entre 15h e 17h.

    Entre os temas que serão discutidos esta a adequação do pré-natal e indicações de cesária por grupo de risco epidemiológico e questões sobre estupro e gravidez de adolescentes no Brasil. Na oportunidade será apresentada uma análise de dados, entre 2000 e 2015, sobre a mortalidade materna no Brasil.

    Na edição, estarão presentes como palestrantes as representantes da SVS, Ana Cláudia Medeiros de Souza, Isabella Vitral Pinto e Denise Lopes Porto, e a representante da Universidade de Brasília (UnB), Daphne Rattner, e da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS), Gracielly Alves Delgado. O mediador da sessão será o coordenador de Informação e Análise Epidemiológica (CGIAE/SVS/MS), Dácio de Lyra Rabello Neto.

    Após a realização das palestras, tanto os participantes presentes, quanto os que acompanharem o debate pela internet, poderão interagir com os palestrantes, tirar dúvidas e trazer contribuições. As questões poderão ser enviadas para o e-mail ciclodeestudos.svs@saude.gov.br ou pelo Whats App (61) 99621-9822 e serão respondidas ao vivo.

    Acompanhe o evento pela internet

    Por Núcleo de Comunicação da SVS
    Atendimento à imprensa 
    (61) 3315-3580 / 2745 / 2351

  • Campanha do Dia da Mulher na SESAI deixa de lado as flores e fala sobre assédio e ascensão profissional

    Ação envolve realização de pesquisa entre trabalhadores e trabalhadoras e depoimentos anônimos, cujos resultados vão subsidiar discussões da rede de apoio de mulheres que trabalham na saúde indígena

    Box Title

    No dia em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a Secretaria Especial de Saúde Indígena lançou, na manhã desta quinta-feira (08), a campanha Sesai por Elas, que pretende sensibilizar os trabalhadores e trabalhadoras da Secretaria sobre as questões de gênero nas relações de trabalho na instituição. Um café da manhã marcou o lançamento da campanha, que visa à construção de um ambiente de trabalho mais igualitário, justo e seguro.

    O ato contou com a presença de lideranças indígenas femininas, como a secretária-executiva do Fórum de Presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (FPCondisi), Lucia Tremembé e a presidente do Condisi Alagoas⁄Sergipe, cacique Nina Katókinn, que contaram da luta que empreenderam ao longo da vida para serem reconhecidas como lideranças de seus povos.

    Foi criado ainda um blog, contendo explicações sobre a campanha, textos de sensibilização sobre o tema e com espaço para que trabalhadores (homens e mulheres) contem suas experiências, anonimamente, reunidas em um mural. A pesquisa pretende ouvir mulheres e homens que trabalham na Sesai sobre situações pelas quais já passaram ou presenciaram e que podem ser caracterizadas como abuso ou preconceito com relação à força de trabalho feminina, abordando temas como sororidade, maternidade, liderança feminina, entre outros. Os resultados da pesquisa e dos depoimentos ficarão disponíveis no blog e servirão de subsídios para a discussão sobre os temas na rede de mulheres da Sesai, a ser criada no final de março.

    A campanha envolve não só os (as) que atuam na sede da Sesai em Brasília, mas também trabalhadores e trabalhadoras dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), aí incluídos (as) os (as) contratados (as) por meio de conveniadas para ofertar saúde aos povos indígenas nas aldeias.

    *Essa campanha foi inspirada no projeto iniciado na Anvisa, em 2016, pela Ascom e pela servidora da Agência, Camila Medeiros.

    Por Beth Almeida, do Nucom Sesai
    Atendimento à imprensa 
    (61) 3315-3580 / 2745 / 2351

  • Crato (CE) terá R$ 1,39 milhão para UTIs Neonatal

    Os recursos irão reforçar o atendimento a crianças nascidas de parto prematuro ou que apresentam problemas ao nascer, no Hospital e Maternidade São Francisco de Assis

    O município do Crato, no Ceará, vai receber R$ 1,39 milhão para ações de média e alta complexidade. O montante é destinado a dez leitos de Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN), no Hospital e Maternidade São Francisco de Assis - Sociedade Beneficente São Camilo. A unidade de saúde é um hospital geral, referência para 12 municípios, além do Crato que atende SUS e particular. Os recursos serão transferidos mensalmente via Fundo Nacional de Saúde, conforme publicado em Portaria no Diário Oficial da União. Atualmente, o município de Crato possui dez leitos de UTI Neonatal e seis leitos de unidade de cuidado intermediário neonatal. A Unidade Neonatal é um serviço de internação, responsável pelo cuidado integral ao recém-nascido grave ou potencialmente grave, dotado de estruturas adequadas à prestação de assistência especializada, incluindo instalações físicas, equipamentos e recursos humanos. As Unidades Neonatal devem articular uma linha de cuidados progressivos para o bebê. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, considera fundamental o investimento na rede de saúde que atende as crianças recém-nascidas, especialmente àquelas que precisam de cuidados essenciais e diferenciados, como os oferecidos nas UTIs Neonatais. “O atendimento qualificado vai determinar o desenvolvimento da criança. Por isso, os recursos são fundamentais para garantir a assistência aos bebês que nascem prematuros e necessitam de UTIs. Com estes recursos, o município pode ampliar e qualificar os serviços e continuar proporcionando aos bebês prematuros o atendimento adequado”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros. PARTO E NASCIMENTO – O protocolo de atendimento de bebês prematuros é regulado de acordo com as condições clínicas e do estado geral do bebê após o nascimento. Fatores como o peso ao nascer, frequência cardíaca, respiração, reflexos, tônus muscular, entre outros, determinam a conduta e os protocolos que a equipe de saúde adotará. Caba ressaltar que o Ministério da Saúde instituiu o Método Canguru como Política Pública de Saúde e publicou a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso (RNBP) - Método Canguru, definindo as diretrizes para implantação nas unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa norma foi atualizada pela Portaria GM/MS nº 1.683 de 12 de julho de 2007 e define o método canguru como um modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado humanizado envolvendo o contato pele a pele com a mãe/pai de forma precoce e crescente, permitindo maior participação dos pais nos cuidados neonatais e envolvimento da família. CRIANÇAS - O Ministério da Saúde possui diversas ações voltadas à saúde das crianças e para  também garantir que os bebês recebam leite. Existem os bancos de leite humano que fazem atendimento e orientação e apoio à amamentação. O Brasil tem a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo. Atualmente há 221 Bancos de Leite Humano e 186 postos de coleta no Brasil. Em 2016, 149 mil mulheres doaram leite materno, beneficiando 145 mil recém-nascidos prematuros internados em UTIs neonatais. Além disso, os BLH realizaram 1,4 milhão atendimentos de mulheres com questões relacionadas a amamentação. Por Carolina Valadares, da Agência Saúde
    Atendimento à imprensa
    (61) 3315- 3533 / 3580

  • Hospital Federal da Lagoa comemora 55 anos ampliando em 400% as mamografias

    Exame preventivo de câncer aumenta de 1,8 mil para 7,2 mil/ano. Unidade também expande tratamento de doenças de alta complexidade

     

    Fotos: Adriano Schimite

    O Hospital Federal da Lagoa (HFL), unidade do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, completa 55 anos ampliando de imediato a capacidade anual de mamografias de 1,8 mil para 7,2 mil exames, ou seja, um acréscimo de 400%. Outro serviço essencial no tratamento do câncer e outras doenças de alta complexidade, a pulsoterapia, que é a aplicação de medicamentos não quimioterápicos nos pacientes, passa de 1.560 atendimentos por ano para 2,4 mil com a modernização do ambulatório. Esses serviços são disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) à população pelos sistemas estadual e municipal de regulação. "Estamos ampliando nesse percentual altíssimo nossa possibilidade de exames de prevenção ao câncer, é um grande avanço para toda a rede e para a população", anunciou o diretor Pedro Cirillo, nesta manhã de sexta-feira (15/12), na cerimônia de aniversário no HFL. "É um passo importante no avanço tecnológico que danos com o novo mamografo". A unidade ainda projeta crescimento nas consultas ambulatoriais e nas cirurgias neste ano. Serão 166,7 mil consultas até o final de dezembro - no ano passado haviam sido 142,5 mil - e 6,7 mil cirurgias - ante as 6,4 mil de 2016. A fila cirúrgica já foi reduzida em 85% no ano - era de 2.556 cirurgias em janeiro, passou para 386 em dezembro.  Inserido no plano de reestruturação dos hospitais federais, que prevê a ampliação de 20% nos atendimentos de média e alta complexidade mais demandados pela população do Rio de Janeiro, o hospital passará a funcionar como referência nas cirurgias cardiovasculares e nas cirurgias ortopédicas de membros superiores (mão e ombro). OBRA-PRIMA ARQUITETÔNICA- O HFL foi inaugurado em 15 de dezembro de 1962 com o nome de Hospital dos Bancários. Seu projeto arquitetônico é marca do movimento modernista no Brasil e foi criado por Oscar Niemeyer e Hélio Uchoa. Roberto Burle Marx é o paisagista responsável pelos jardins da unidade. Os pilotis em formato de 'V' e o painel de azulejos produzido por Athos Bulcão são alguns dos pontos memoráveis dessa estrutura. Tamanha exuberância arquitetônica atrai a atenção e a parceria de produtoras de TV e cinema.  Com contrapartidas obtidas nessas parcerias, operacionalizadas neste 2º semestre do ano, novos equipamentos de segurança, ginecologia, urologia e diagnóstico de imagens, cadeiras de rodas, um circuito de comunicação interna em TV e aparelhos que agilizam a área de RH estão em instalação na unidade. HOMENAGENS NO ANIVERSÁRIO-Neste aniversário, serão duas homenageadas por seu trabalho e papel na preservação do hospital. Roberli Bicharra foi oftamologista residente da unidade e assumiu a direção logo após a retomada do HFL pelo Ministério da Saúde, ou seja, da sua volta ao âmbito federal, em 2005. Exerceu a função de diretora até 2017. Nesse período, coordenou uma reforma estrutural na unidade.
    "Esta homenagem não é para mim, é por uma causa. Este é um lugar de grande respeito de todos os profissionais que trabalham aqui", ressalta Roberli. "Temos tudo para caminhar melhorando ainda mais o hospital da Lagoa". A outra homenageada é Vania Moreira Franco de Oliveira, que atua há 12 anos no Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) e é autora e coordenadora do Projeto de Revitalização e Modernização dos Arquivos Médicos. O projeto foi implantado no HFL e premiado duas vezes no Congresso Internacional do Mercosul. Busca a melhoria de qualidade na gestão documental dos prontuários do paciente e implementar inovações tecnológicas já existentes junto aos arquivos médicos. "A estrada foi longa, foi muito árdua, mas foi prazerosa. Atingimos o ápice em que todos os hospitais federais podem chegar. Depende da boa vontade", avalia Vania, já antecipando que o HFL vai ser piloto de outro projeto, de digitalização do prontuário dos pacientes.
    "Sou fã das suas homenageadas, Roberli Bicharra e Vania Moreira Franco de Oliveira, que sempre se mostraram disponíveis para tudo o que precisávamos implementar", afirma o diretor do DGH, Alessandro Magno Coutinho. Por Géssica Trindade e Gabriela Morgado, do Nucom RJ
    Atendimento à Imprensa
    (61) 3315-3174 / 3580 / 2351 / 2745

  • Iniciativa inédita da Sesai cria intercâmbio entre equipes que trabalham com etnias de recente contato

    Nesta primeira experiência, a equipe que trabalha com os Awá Guajá, no Maranhão, foi conhecer as práticas de saúde na Terra Indígena Cuminapanema, onde vive o povo Zo’é

    Fotos: Marla Galdino

    Ministério da Saúde promove intercâmbio entre equipes que trabalham com etnias de recente contato

    No primeiro dia de dezembro, a enfermeira Sandra Duarte e a técnica de enfermagem Sandra Pena iniciavam uma rotina mensal que se repete há muitos anos. Terminar de arrumar as malas; comprar alimentos suficientes para quinze dias fora de casa; no polo base de Santarém (PA), conferir os medicamentos necessários para mais esta entrada em área; e, por fim, pegar o avião que as levará para a Terra Indígena Cuminapanema, no noroeste do Pará, onde vive o povo Zo’é, etnia de recente contato que mantém um modo de vida baseado em tradições ancestrais. Mas esta não é uma jornada como as outras. Desta vez, as duas Sandras e o médico Erik Jennings Simões seriam anfitriões de um trio de visitantes pouco usual: a enfermeira Renata Souza, o técnico de enfermagem Valdenor das Neves e o agente indígena de saúde Ytatxi Guajá, que atuam na Terra Indígena Caru, no noroeste do Maranhão, prestando assistência em saúde ao povo Awá Guajá, outra etnia de recente contato. Os visitantes, por sua vez, também estavam ansiosos para conhecer experiências passíveis de reprodução em seu próprio cotidiano.

    A iniciativa do intercâmbio entre profissionais que trabalham com etnias de recente contato é do Departamento de Atenção à Saúde da Secretaria Especial de Saúde Indígena (DASI/Sesai). O objetivo é a troca de experiências para enriquecer a discussão sobre o modelo diferenciado de atenção à saúde aos povos de recente contato e isolados, considerando a complexidade e vulnerabilidade física e sociocultural destes povos. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), indígenas de recente contato são “grupos (povos ou fragmentos de povos) que mantêm relações de contato permanente e/ou intermitente com segmentos da sociedade nacional e que, independentemente do tempo de contato, apresentam singularidades em sua relação com a sociedade nacional e seletividade (autonomia) na incorporação de bens e serviços”. Ou seja, são grupos que mantêm fortalecidas suas formas de organização social e suas dinâmicas coletivas próprias, definindo sua relação com o Estado e a sociedade nacional com alto grau de autonomia. Ainda conforme a Funai, há povos indígenas de recente contato em 19 terras indígenas brasileiras, aí incluídas as etnias Zo’é e Awá Guajá.

    Ao longo de quatro dias na terra indígena, as duas equipes relataram alegrias e dificuldades e, entre outras conclusões, verificaram que, apesar de trabalharem com etnias diferentes, os dilemas que envolvem o cotidiano desses profissionais podem ser muito semelhantes.

    “Dividimos dificuldades e objetivos comuns”, endossa o médico Erik Simões, apontando para a necessidade de uma legislação específica para a atenção em saúde  aos povos indígenas isolados e de recente contato. “Para resolver em área 80% dos problemas de saúde da população, são necessários alguns recursos tecnológicos não previstos na atenção básica e é preciso garantir maior autonomia ao profissional de saúde”, avalia Simões, um neurocirurgião santareno que começou a atuar na TI Cuminapanema como voluntário, há cerca de 15 anos, e estabeleceu um vínculo afetivo permanente com as 31 famílias que vivem na região. Hoje ele é contratado pela SESAI/MS.

    Experiência sensorial – Já no primeiro dia de intercâmbio, o desafio proposto aos visitantes foi praticamente uma experiência sensorial. Sim, mais que saber como o trabalho é desenvolvido, foi possível sentir. Sentir o cansaço de 15 quilômetros de caminhada na mata fechada, sentir os aromas e sabores da floresta, sentir picadas de formigas que atravessam pelo caminho, sentir a delicadeza e receptividade do povo Zo’é.

    A caminhada foi para realizar uma consulta domiciliar a uma paciente portadora de mielite, doença que compromete a autonomia motora e requer avaliação médica periódica e uso continuado de medicamentos. Nos tempos de cheia dos igarapés da região, a família a leva até a unidade de saúde de barco, mas quando o leito dos rios está mais baixo, é preciso que a equipe se desloque a pé até lá.

    Ao longo do caminho, Sandra Pena e Valdenor das Neves trocavam conhecimentos sobre plantas e ervas medicinais. Valdenor, que é indígena da etnia Guajajara, falava o nome das plantas que encontrava em sua língua e Sandra dizia o nome destas na língua Z’oé, também do tronco Tupi. Entre outras coisas, descobriram novas aplicações para plantas que já conheciam. “A Sandra não sabia que a planta que chamamos de jasmim, na língua portuguesa, serve para tratar lesões de pele”, exemplificou Valdenor.

    O dia-a-dia –No segundo dia de visita, a equipe maranhense pode vivenciar a rotina diária dos profissionais do Pará. O médico Erik atendeu aos pacientes que já haviam sido avaliados pelas profissionais da enfermagem. Apesar de neurocirurgião, um dos poucos da região de Santarém, lá ele é generalista. Atende a todos com paciência, e falando a língua dos Zo’é.

    “Vi como é importante a gente aprender a língua, isso dá muita segurança para eles (os indígenas)”, reconheceu a enfermeira Renata Souza, que atua em três aldeias do povo Awá Guajá há um ano e nove meses. “Ainda não consigo falar na língua Awá, entendo mais do que falo, agora vou me empenhar mais para aprender”, planeja. “Se a gente fala a língua, passa segurança para o usuário, o que é essencial para o nosso trabalho”, concorda Sandra Pena, que atua na TI Cuminapanema há nada menos que 13 anos.
    A baixíssima rotatividade da equipe de saúde, por sinal, pode ser considerada um dos segredos da qualidade da assistência em saúde prestada ao povo Zo’é. Nenhum dos profissionais tem menos de cinco anos de atuação na área. As “novatas” são a enfermeira Sandra Duarte e a dentista Adriana Gomes, que completaram cinco anos no local, e que antes trabalharam com outra etnia indígena por longo período.

    Tratamento fora do domicílio –Uma das especificidades do modelo de assistência em saúde do povo Zo’é são as pouquíssimas saídas da terra indígena para realização de exames e outros procedimentos de média e alta complexidade. O consultório médico da unidade pode funcionar como centro cirúrgico, onde são realizadas intervenções como cirurgias de hérnias e de cataratas. Quando verifica a necessidade, Erik pede apoio a um colega de profissão da especialidade correspondente e o leva até o local, evitando, assim, que os pacientes precisem se deslocar até Santarém para fazer uso de outros serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). “Em todo o ano de 2017, precisamos trazer para a cidade apenas cinco pacientes, o que já é muito em relação a anos anteriores”, contabiliza Erik, acrescentando que duas das pessoas fazem tratamento continuado, a paciente portadora de mielite e um outro com oncologista. “O tratamento do câncer já foi concluído, mas tem as revisões periódicas e o médico não vem até aqui, porque tem medo de voar em avião pequeno”, conta Erik.

    Saúde da mulher –Uma das questões levantadas nas conversas entre as duas equipes estava relacionada a ações programáticas preconizadas pelo Ministério da Saúde, especialmente as de saúde da mulher e da criança. “A gente procura chegar o mais próximo possível do previsto nos protocolos, mas sem interferir demais na cultura deles”, explicou a técnica de enfermagem Sandra Pena. “Precisamos ter muito cuidado com isso, porque, achando que estamos salvando vidas, podemos estar matando uma cultura”, asseverou Erik.

    Mas o que deixou a equipe maranhense mais surpresa foi a caderneta da gestante que está sendo desenvolvida exclusivamente para o povo Zo’é. “A caderneta da gestante da rede cegonha é escrita em português, o que já não é adequado para esta população, que nem fala português, e muito menos lê e escreve, e também tinha muitas informações que estão associadas à vida nas cidades, não à vida na floresta e com outros padrões culturais”, explicou a enfermeira Sandra Duarte, ao mostrar o protótipo da nova caderneta. Em uma folha no tamanho A4, toda a informação de interesse da gestante Zo’é é não verbal. As quatro fases da lua são utilizadas para marcar o início da gestação. Os números são demonstrados com os dedos da mão e, para cada mês da gestão, uma ilustração mostra em que estágio de crescimento está o bebê. No verso, informações como pressão arterial, peso e outras necessárias à avaliação do estado da gestante.

    Gestão da Informação - Em reunião na unidade de saúde dos Zo’é, as duas Sandras apresentaram aos visitantes as fórmulas que encontraram para manter todas as informações disponíveis para todos os profissionais, especialmente às duas enfermeiras e duas técnicas de enfermagem, que se revezam no trabalho na Terra Indígena. “Como as famílias estão espalhadas no território, temos que aproveitar a vinda deles até aqui para fazer todos os procedimentos que são necessários”, explica Sandra Duarte, referindo-se a ações como atualização do esquema vacinal e exames de pré-natal.

    As informações são organizadas em 13 formulários e quatro livros, com informações relacionadas às vacinas administradas, por cada integrante de cada família, de consultas de pré-natal e de desenvolvimento, de internações no posto (quando precisam fazer algum tratamento, os indígenas costumam passar o período na unidade de saúde ou nas proximidades), de encaminhamento de amostras para exames laboratoriais ou de saída de pacientes para tratamento fora do domicílio.

    Ao tratarem de Vigilância Alimentar e Nutricional, Renata descobriu que a equipe do Zo’é faz acompanhamento de peso também dos adultos. Aproveitou para colocar aos colegas de profissão uma dificuldade com relação aos parâmetros de peso, altura e desenvolvimento de crianças menores de cinco anos. “Os Awá são um povo de pequena estatura e os parâmetros previstos muitas vezes não se aplicam”, afirma Renata.

    Prevenção –Para o Agente Indígena de Saúde Ytatxi Guajá, que além de trabalhar com a equipe de saúde também exerce liderança em sua comunidade, a lição que leva para a sua aldeia é a preocupação do povo Zo’é com a transmissão de doenças e com a limpeza dos ambientes em que vivem. “Quem fica gripado fica separado dos que não estão, meu povo não tem essa preocupação”, afirma, impressionado por não ter encontrado “uma folha no chão” nos arredores das casas que visitou. “Eles deixam tudo muito limpo, sem lixo espalhado”, constatou.

    Agora a expectativa é para a visita que a equipe de saúde dos Zo’é fará à dos Awá, no Maranhão, que deve acontecer ainda no primeiro semestre de 2018. Até lá, a amizade vai se consolidando por meio de um grupo de whatsapp, onde Renata Souza e Valdenor das Neves já vêm postando algumas imagens do que querem mostrar por lá. “Eu gostaria de conhecer ainda mais profissionais que trabalham com etnias de recente contato, porque isso é muito enriquecedor”, afirma Renata, resumindo um sentimento que é de todos que participaram desta primeira etapa do intercâmbio.

    Por Beth Almeida, do  Nucom  Sesai
    Atendimento à Imprensa
    (61) 3315-3580 / 2351 / 2745

     

  • Ministério da Saúde fará monitoramento online de partos cesáreos no país

    Crédito: Rodrigo Nunes/MS

    Retrato por serviço de saúde ajudará na adoção de medidas para incentivar o parto normal no SUS e reduzir as cesarianas desnecessárias. Projeto Parto Cuidadoso será uma das ações. Também será lançada a Semana de Mobilização pela Saúde das Mulheres, com foco na redução da mortalidade materna

    O Ministério da Saúde cria sistema de monitoramento online para acompanhar a quantidade de partos cesáreas nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Medida visa reduzir a realização desse tipo de procedimento quando desnecessário. Por isso, a pasta quer identificar os serviços, para que juntos possam realizar ações para aumentar o número de parto normal, como primeira opção para o nascimento. Objetivo é que a equipe e gestante discutam o plano de parto para que seja feita a escolha pelo melhor tipo de procedimento que não coloque em risco a vida da mãe e do bebê. Gestores e usuárias do SUS poderão acompanhar o monitoramento pelo site da Secretaria de Vigilância em Saúde, a partir do dia 19 de março. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, nesta quarta-feira (7/3), durante cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

    Confira apresentação completa

    Em 2017, foram realizados 2,7 milhões de partos no país. Considerando apenas partos nos serviços de saúde públicos, o número de partos normais é maior, sendo 58,1% e 41,9% de cesarianas.

    Para o ministro da Saúde, Ricardo Barros, esse é um passo importante e representa um grande avanço na continuidade das ações de monitoramento da saúde da mulher. “Precisamos garantir políticas que ampliem a assistência e garantam um atendimento adequado. As mulheres são as maiores usuárias do SUS e precisamos garantir acesso integral em todo país. Em relação a ação para coibir a realização de cesáreas desnecessárias, essa iniciativa vem ao encontro do fortalecimento de boas práticas para o parto normal. Temos que identificar os pontos fracos de cada serviço para que juntos possamos criar mecanismos que os ajudem a investir na realização de parto normal”, reforçou o ministro.

    Para fortalecer a realização do parto normal, a pasta irá implantar o projeto Parto Cuidadoso em 634 maternidades do país. Inspirado no projeto Parto Adequado, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que conseguiu em três anos evitar que 10 mil cesarianas fossem realizadas desnecessariamente em 35 hospitais. Entre os hospitais que participaram do piloto estão o Hospital Israelita Albert Einstein e o Sophia Feldman (BH) e Agamenon Magalhães (PE).

    Com essa medida, será possível investir na capacitação de enfermeiras obstétricas e obstetrizes para atenção ao parto normal, além de promover ações educativas na Atenção Básica, onde é realizado o pré-natal. Desde 2015 até 2017, O Ministério da Saúde capacitou 2.774 enfermeiras que trabalham em maternidades, hospitais, centros de parto normal em obstetras. Essas profissionais estão aptas a fazer o parto normal de risco habitual. Além disso, 611 serviços passaram a contar com enfermeiras obstetras e obstetrizes.

    SEMANA SAÚDE DA MULHER

    Para garantir mais acesso, cuidado, informação e saúde à mulher brasileira, o Ministério da Saúde institui a Semana de Mobilização pela Saúde das Mulheres no SUS, tendo início no dia 28 de maio quando é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher. Este ano o tema será Redução da Mortalidade Materna. A medida visa criar uma agenda permanente de promoção à saúde da mulher na atenção básica.

    Para garantir que os gestores invistam na saúde da mulher, a pasta irá liberar para os municípios R$ 14 milhões para ações prioritárias em saúde sexual e reprodutiva.  O edital que libera o recurso estará disponível no site do Ministério da Saúde, no dia 16 de março, com orientações e metas a serem alcançadas até 2022 como: redução da gravidez não planejada na adolescência de 17,5% para 15% até 2020; inclusão de mulheres idosas no planejamento das ações de saúde sexual e climatério; ampliar a oferta de DIU de cobre em 20% na Atenção Básica; ampliar o pré-natal do parceiro de 37% para 67%.

    Até 2019, 852 serviços e 4.625 profissionais serão qualificados para implantação do DIU de cobre, garantindo acesso em todos os estados do país. O DIU é um método prático e altamente eficaz, livre de hormônio, com duração de até 10 anos e índice de segurança maior que 99%, é um método reversível, que pode ser retirado a qualquer momento e em que a fertilidade retorna logo após a remoção.

    A secretária Nacional de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes, ressalta a importância de integrar as ações voltadas às mulheres existentes em todos os ministérios, para que juntos o governo federal tenha condições atender às necessidades desse público. “Queremos parabenizar o ministério pelas ações que ele vem desenvolvendo, garantindo os direitos da mulher. Algumas medidas podem parecer simples, mas mudam a qualidade de vida da mulher, como sair da maternidade já com o DIU de cobre, que é foi um grande avanço”, destacou.

    AÇÕES DIGITAIS

    Durante o mês de março, o Ministério da Saúde programou vários bate-papos sobre a Saúde da Mulher. São conversas ao vivo, na página do Facebook da pasta, com especialistas nos mais diversos assuntos do universo feminino. A primeira conversa, que aconteceu no dia 02 de março, teve como tema parto natural e a violência obstétrica. Entre as discussões que ainda acontecem durante o mês estão métodos contraceptivos, prevenção de ISTs, violência e saúde mental, sexualidade, entre outros. Acompanhe as atividades nos endereços facebook.com/minsaude e www.saude.gov.br.

    TEMA

    DATA

    Métodos contraceptivos do SUS e prevenção de ISTs

    08/03/2018 às 16:30

    Violências e a saúde mental das mulheres

    14/03/2018 às 15:00

    Saúde da Mulher na Adolescência

    23/03/2018 às 10:00

    Sexualidade (adolescente, idoso, deficiência)

    28/03/2018 às 15:00

    Por Neyfla Garcia e Carolina Valadares, da Agência Saúde
    Atendimento à imprensa
    (61) 3315-3580/3174

  • São José do Rio Preto recebe R$ 1,35 milhão para partos

    O recurso irá reforçar os serviços de saúde de parto e nascimento realizados pelos SUS, no Hospital de Base. A unidade é vinculada à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

    A população de São José do Rio Perto (SP) contará com um reforço do Ministério da Saúde, direcionado ao Hospital de Base do município. A instituição terá o recurso de R$ 1,35 milhão para aplicar no componente Parto e Nascimento, da Rede Cegonha – rede de cuidados instituída pelo Ministério da Saúde que incentiva o parto normal humanizado e intensifica a assistência integral à saúde das mulheres e crianças até dois anos na rede pública. O recurso será transferido em parcelas mensais via Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde, de acordo com Portaria publicada no Diário Oficial da União. Os valores repassados podem ser usados para garantir suficiência de leitos obstétricos e neonatais (UTI, UCI e Canguru) de acordo com as necessidades regionais; ambiência das maternidades orientadas pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 36/2008 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento; realização de acolhimento com classificação de risco nos serviços de atenção obstétrica e neonatal; estímulo à implementação de equipes horizontais do cuidado nos serviços de atenção obstétrica e neonatal; e estímulo à implementação de colegiado gestor nas maternidades e outros dispositivos de co-gestão tratados na Política Nacional de Humanização. A unidade de saúde de São José do Rio Preto é um Hospital-escola, ligado à Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). Em 2016, produziu 1.792 partos e 2.180 no ano de 2015. Esse é considerado um dos maiores complexos hospitalares do Estado de São Paulo. PARTO– O programa Rede Cegonha tem como objetivo reduzir cada vez mais a taxa de mortalidade materna e neonatal e as ocorrências de cesarianas desnecessárias na rede pública de saúde. Este ano, foram publicadas as diretrizes de assistência ao parto normal no Brasil. Foi a primeira vez que o Ministério da Saúde construiu um documento com essa finalidade baseado em evidências científicas e que serve de consulta para os profissionais de saúde e gestantes. As diretrizes afirmam que toda mulher tem o direito de definir o seu plano de parto que trará informações como local onde será realizado, orientações e benefícios do parto normal. Essas medidas visam o respeito no acolhimento e mais informações para o empoderamento da mulher no processo de decisão ao qual tem o direito. Assim, o parto deixa ser tratado como um conjunto de técnicas, e sim como um momento fundamental entre mãe e filho. Por Carolina Valadares, da Agência Saúde
    Atendimento à imprensa
    (61) 3315- 3533 / 3580

  • Sesai discute estratégias para qualificar a atenção à saúde das mulheres indígenas

    Objetivo da oficina é discutir e sistematizar um plano de gestão para os 34 DSEIs

    Box Title

    Foto:Luís Oliveira/Sesai-MSOficina Técnica para Qualificação das Ações voltadas à Saúde das Mulheres Indígenas, em Brasília (DF)

    Profissionais de saúde dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) de todo o país participam, em Brasília (DF), até o próximo dia 13, da Oficina Técnica para Qualificação das Ações voltadas à Saúde das Mulheres Indígenas. O objetivo da capacitação é discutir e sistematizar um plano de gestão da atenção à saúde das mulheres indígenas, a fim de qualificar as ações de promoção, recuperação e reabilitação.

    Para o secretário Especial de Saúde Indígena, Marco Antonio Toccolini, a oficina vai preparar os profissionais para as ações de saúde baseadas em demandas oriundas das mulheres da própria comunidade, relacionando o atendimento com os dados socioculturais e epidemiológicos de cada povo. “Quem conhece a saúde indígena é o indígena. Por isso, desde a I conferência livre das mulheres indígenas, realizada no ano passado, a Sesai/MS acompanha as demandas apresentadas por elas", destacou.

    Segundo a presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) Alto Rio Juruá (AC), Edina Brandão, da etnia Shanenawa, a oficina vai ampliar o conhecimento de quem ajuda a cuidar da saúde das mulheres indígenas. “Além de sermos índios, somos mulheres, nosso cuidado se torna mais diferenciado, pois temos cultura e costumes diferentes. Muitas coisas no atendimento de saúde convencional é ainda tabu para as mulheres indígenas. Por isso, esse conhecimento deve ser estimulado”, afirmou.

    Durante toda a semana, serão discutidas formas de qualificação das ações, como a melhoria de processos de trabalho, ampliação das estratégias de ações focadas no tema, priorização do planejamento da área técnica, a partir das propostas apresentadas pelas mulheres indígenas na Carta das Mulheres reunidas na 1º Conferência Livre de Saúde das Mulheres Indígenas, entre outros temas.

    A programação da Oficina foi construída com a participação de outras áreas técnicas da Sesai/MS, como saúde da criança, educação permanente e saúde mental, além de profissionais da Coordenação Geral de Saúde das Mulheres (CGSM) da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), do Ministério da Saúde.

    Por Tiago Pegon, do Nucom Sesai

Fim do conteúdo da página