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Etapa Distrital do Alto Rio Negro é um retrato da Conferência Nacional

Escrito por Gustavo Frasão | Publicado: Quarta, 26 de Dezembro de 2018, 10h24 | Última atualização em Quarta, 26 de Dezembro de 2018, 10h24

Povos da região da Cabeça do Cachorro no Amazonas debatem propostas para etapa nacional

Foto: Luís Oliveira

Os representantes dos povos indígenas do Alto Rio Negro reuniram-se entre os dias 14 e 16 de dezembro de 2018 na Comunidade de Duraka, ilha fluvial do rio Negro, localizada a cerca de 40 minutos do município de São Gabriel da Cachoeira (AM). “O que tá acontecendo aqui na comunidade, sinto muito feliz porque tá tendo uma conferência dos povos indígenas. Pra nós é um grande orgulho para que o nosso povo fique à vontade” disse Zeferino Namuncurá Borges (Tukano), capitão da Comunidade.

O evento reuniu 213 conferencistas, entre trabalhadores, gestores, prestadores de serviço, convidados e usuários. Esses usuários representaram 41.228 indígenas, divididos em 23 etnias – sendo uma de recente contato –, falantes de 20 línguas pertencentes aos troncos linguísticos Aruak, Maku, Tukuno e uma língua geral, o Nheengatu, Tupi simplificado e difundido pelos missionários jesuítas. Habitam cinco terras indígenas na região noroeste do Amazonas, abrangendo os municípios de Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos na bacia do Rio Negro. Região cujo desenho formado pela linha de fronteira entre Brasil e Colômbia sugere ser a cabeça de um cachorro.

Os participantes da Etapa Distrital formaram cinco grupos de trabalho que debateram as propostas dos sete Eixos Temáticos elaboradas em três etapas locais. O principal trabalho dos grupos era fundir ou reescrever propostas de conteúdos parecidos, sem modificar o objetivo principal, como afirma Paula Cristina Moreira Alves, relatora geral da Conferência: “Um trabalho árduo para entender o raciocínio de uma etapa com as outras, sem mudar o conceito delas, conseguimos chegar a 90 propostas para a Etapa Distrital, das 253 vindas das bases. Nós da relatoria somos como um espelho para os indígenas”.

Os debates resultaram em 38 propostas aprovadas e 14 excluídas. Na plenária final foram 30 aprovadas e oito excluídas, totalizando 68 propostas que irão para o relatório final, além das nove moções. As 80 vagas de delegados foram ocupadas por 40 usuários, sendo 39 aldeados e um morador em cidade, 20 trabalhadores e 20 gestores que estarão em Brasília defendendo suas propostas na Etapa Nacional em 2019.

Pode-se dizer que foi uma Conferência privilegiada, não só pela organização, mas por ser um retrato da Conferencia Nacional e por ter acontecido em uma aldeia. Outro destaque foi a participação de delegados das Secretarias Municipais de Saúde de São Gabriel da Cachoeira, Ângelo Quintanilha, da cidade de Barcelos; Patrícia Prates e Francisca Micilene Costa, de Santa Isabel do Rio Negro; do prestador de serviço Maicon Barbosa Simão, representando a conveniada São Vicente de Paulo; delegados da Funai e o representante da Organização Saúde Sem Limites, Alex Shankland, que declarou: “O Controle Social, ao meu ver, é um componente mais importante pra melhoria da gestão da saúde indígena, que bem informado, bem presente, contribui para construir, além de monitorar a execução das politicas de saúde indígena na prática”.

Por Luís Oliveira, da Comunicação SESAI
Atendimento à imprensa:
(61) 3315.3580

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