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Saneamento, monitoramento e informação são primordiais para a garantia de água de qualidade

Escrito por André | Publicado: Quinta, 22 de Março de 2018, 19h35 | Última atualização em Quinta, 22 de Março de 2018, 19h35

Esses temas foram discutidos em painel do Fórum Mundial da Água

“Água que a gente cuida, cuida da gente”. A afirmativa foi feita na abertura do painel:  ‘Água segura: o que ainda precisa ser feito para prevenir doenças de veiculação hídrica ou relacionadas a água, saneamento e higiene?’, nesta quarta-feira (21), no Fórum Mundial da Água, pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Antônio Nardi, que representava o ministro Ricardo Barros na sessão. Após dar as boas-vindas aos presentes, que lotavam a sala 23, Nardi destacou a importância de se debater estratégias para prevenir doenças transmitidas pela água, bem como indicar e desenvolver infraestrutura adequada e sustentável, gestão integrada e elaboração e aplicação de políticas públicas. Após a fala inicial, que marcou o início da participação do MS no Fórum, ele convidou a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (DSAST/SVS/MS), Daniela Buosi, para ocupar o seu lugar na discussão. Cada painelista teve 5 minutos para falar, após a apresentação de um breve vídeo sobre o tema.

Buosi começou sua fala, nessa sessão, salientando que o desafio é termos água segura em quantidade e qualidade levando em consideração as desigualdades sociais e ambientais em todos os lugares. Ela ainda comentou sobre as ações e programas do MS para tentar garantir a conformidade da água, como o Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). “Estruturado a partir dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), o programa desempenha um papel importante para garantir as análises laboratoriais de potabilidade e monitoramento, identificando onde é preciso intervir na rede, sempre que necessário”.

Teófilo Monteiro, representante da OPAS/OMS que coordenou a sessão ‘Água Segura’, alertou sobre a importância de se mobilizar e sensibilizar governos para que possa ser comprida a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável ODS 6, Água potável e saneamento, sem deixar ninguém para traz. “Precisamos verificar dados e apoiar os países. Na América Latina e Caribe, por exemplo, cerca de 400 milhões de pessoas recebem água de forma intermitente. Se antes nosso foco era abastecimento, agora o ODS prevê o gerenciamento para uma água segura”, disse ao lembrar que água contaminada é fonte de doenças de circulação hídrica.

 As enfermidades em virtude da água, também ganharam destaque nas falas de Ramesetty Murali, da Fansa (Freshwater Action Network), Sul da Ásia, que apresentou um estudo de caso da Índia, e de Anthony Akpan, da Visão Pan-Africana para o Meio Ambiente (PAVE), que falou sobre os casos de cólera na Nigéria. “Nosso país enfrenta problemas para coordenação para evitar a infestação da água, especialmente na área rural. Apesar de muito investimento não temos tido o retorno esperado. Queríamos criar uma infraestrutura adequada, mas acaba que a gente não consegue, mesmo com o apoio de diferentes governantes”, explicou Murali ao realçar que para garantir a qualidade da água é preciso dar atenção ao comportamento dos usuários. Ele cita que existe um viés cultural na Índia que dá pouca importância a água limpa. “Agora estamos investindo na educação de crianças mais pobres e vulneráveis, para que possam mudar essa visão e ter um futuro melhor”, revelou o representante da Fansa ao afirmar que o programa, que já dura há dois anos, ensina higiene pessoal e o intuito é que a informação seja difundida nas comunidades onde vivem. Akpan também disse que na Nigéria a educação é fundamental para aumentar a conscientização da população para evitar doenças transmitidas pela água. “Ainda há pessoas sem acesso adequado à saúde pública e à água, saneamento e higiene em termos de qualidade e quantidade, por isso aprimorar a infraestrutura do setor hídrico e monitorar para identificar problemas é o nosso grande desafio”, reconheceu.

Além da ODS 6

Após o debate sobre água segura e o que ainda precisa ser feito para assegurar sua qualidade, os presentes aguardaram a chegada dos novos painelistas para falar sobre as ‘Sinergias além do ODS-6: acesso à água potável segura, a saneamento e higiene para melhor nutrição e saúde pública’. Apesar de não ter apresentação do MS, técnicos que trabalham com o tema estavam em peso na plateia para acompanhar a discussão. “Este é o momento certo de demonstrar na prática como a nutrição pode integrar-se com ações relacionadas à água, ao saneamento e à higiene para melhorar os resultados da saúde”, observou Catarina de Albuquerque, presidente executiva da Saneamento e Água para Todos (SWA) ao comentar que a água é um alimento líquido e que é fundamental buscar parcerias para desenvolver projetos conjuntos e multissetoriais, conforme previsto nos ODS aprovados há dois anos.

“A OMS estima que 50% dos casos de desnutrição infantil são consequências de repetidas diarreias e infecções intestinais causadas por más condições de saneamento e higiene ou por falta de água segura”, alertou Djaffra Traoré, gerente de advocacia da organização humanitária Ação Contra a Fome (Action Against Hunger) no Mali; oitavo maior país da África. Ele explicou que no Mali, mais da metade da população vive abaixo da linha internacional da pobreza e que isso deriva de problemas geográficos e sociais. “Dois terços do país é um deserto ou semi-deserto que experimentam longos períodos anuais de seca. Enquanto populações vulneráveis ​​nessas áreas já sofrem de insegurança alimentar crônica, o agravamento das secas torna mais difícil para as pessoas enfrentarem e se recuperarem da escassez cíclica de alimentos”, ponderou ao ressaltar que saneamento e água custam dinheiro e que para isso é preciso buscar parcerias e sensibilizar parlamentares.

Céline Gilquin, chefe da Divisão de Água e Saneamento da Agencia Francesa de Desenvolvimento - Head of the Water & Sanitation Division, French Development Agency, apresentou sua experiência em Burkina Faso, na África- subsaariana que segundo ela ainda é uma das regiões mais afetadas pela desnutrição no mundo. “Nosso objetivo é difundir possíveis maneiras de melhorar a situação, mapear a região a fim de adotar estratégias especificas para a região; já que a razão da desnutrição tem razões diversas em cada localidade”, esclareceu ao mencionar que o acesso a água limpa e saneamento são primordiais para promoção da segurança alimentar.

Encerrando a participação do MS

Já nesta quinta-feira (22), a discussão foi a comunicação de riscos relacionados à qualidade da água para consumo humano: busca do empoderamento da população e minimização dos riscos à saúde. Moderadora da sessão, Buosi apontou para o desafio de se transformar os dados sobre qualidade da água em informação e como informar. Ela lamentou que muitas vezes são feitas comunicações alarmistas, “Fake News”, e que isso compromete as decisões e até mesmo o tempo certo para intervir no risco. “No Brasil o resultado sobre a potabilidade, a qualidade da água, vem na conta de água, entretanto muitos nem devem compreender a informação”, disse ao destacar que para empoderar a população é primordial investir na positividade da informação para que possam entender os riscos e contribuir para o controle da qualidade da água.

A painelista Marilu Dumont, do grupo Matizes Dumont formado por seis artistas de uma mesma família de Pirapora, Minas Gerais, concorda que a abordagem positiva é fundamental e acredita que para isso é preciso promover a proximidade de comunidades com a água. “É necessário cuidar das águas, cuidar do outro e do meio ambiente. Nasci numa comunidade ribeirinha, e como muitas mulheres da minha geração, aprendi a bordar desde criança. O rio e o bordado são as linhas da minha vida, tomada pelas águas dos riachos, córregos, cachoeiras, dos rios e dos mares que nos inquietam na busca da vida profunda”, refletiu ao realçar que é preciso olhar para o território para depois propor transformação.

 Realmente é preciso levar em conta a peculiaridade de cada região, como Christopher Corbin, representante da ONU, salientou ao apresentar sua experiência no Caribe/Jamaica. “Muitas vezes sabemos de irregularidades e a população também, mas não é divulgado, pois vivemos do turismo e os dados acabam sendo ‘maquiados’ para não comprometer a fonte de renda. Mas o fornecimento da água tem que ser seguro e para isso é preciso ter dados. Quando geramos informações de qualidade a comunidade pode fazer a sua parte e evitar a contaminação das fontes de água”, disse ao reconhecer que o acesso a dados confiáveis é um desafio no Caribe pois acabam causando discórdias. Ele defende que é preciso que as pessoas compreendam que é preciso adotar certos padrões para evitar a contaminação da água.

A questão cultural muitas vezes dificulta a garantia de acesso à água de qualidade, como relatou em sua apresentação Sena Alouka ao falar sobre o Togo, localizado no oeste da África. “ O número de pessoas atingidas pela escassez de água só aumenta e 87% da população do Togo defeca nas ruas. Nós temos mudança climática, aumento populacional e a maior parte das pessoas pega água no rio ou no poço”, informou ao afirmar que para reverter isso é preciso comunicar os riscos à população com mensagens que mostrem que se você não adotar determinados padrões pode vir a ter doenças, seja em virtude do banho ou da alimentação; já que a água é amplamente utilizada na irrigação.  

No Brasil, o projeto ‘Água Doce’ do Ministério do Meio Ambiente (MMA) trabalha no diagnóstico, recuperação e manutenção das fontes de água, conforme falou Henrique Veiga, coordenador-geral de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA. “Em parceria com instituições federais – como o MS, estaduais, municipais e sociedade civil, o projeto busca estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para o consumo humano, incorporando cuidados técnicos, ambientais e sociais na implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de águas salobras e salinas”, detalhou ao explicar que a ação trabalha com o envolvimento da comunidade, a fim de estabelecer melhor uso para as águas e para isso aposta na integração sociedade/comunidade para ajudar no monitoramento ambiental.

Por fim, Buosi destacou que o trabalho integrado entre Secretarias de Saúde Estaduais, Municipais, Ministério da Saúde e sociedade é fundamental para a construção de um SUS forte que garanta qualidade de vida para toda população brasileira, em especial por meio da água de consumo humano.

Por Núcleo de Comunicação da SVS
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