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Brucelose Humana

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Quinta, 09 de Agosto de 2018, 11h23 | Última atualização em Terça, 16 de Outubro de 2018, 18h25

O que é Brucelose Humana

A brucelose humana é uma doença que pode ser transmitida ao ser humano por animais, como gado, suínos e caprinos contaminados. Considerada uma das zoonoses mais comuns do planeta, de ampla distribuição e significância mundial, apresenta alta prevalência em alguns países e regiões, como a América do Sul. Os seres humanos são apenas alguns dos possíveis hospedeiros. Neste caso, hospedeiros finais.

Embora a brucelose humana chame atenção dos sistemas de saúde em todo o mundo por ser uma doença que apresenta importantes impactos, desde o ponto de vista ocupacional, problemas sanitários e prejuízos econômicos, ela ainda é pouco conhecida, de difícil diagnóstico, subnotificada e negligenciada.

Causas

A doença é causada por bactérias do gênero Brucella spp. da família Brucellaceae.
Possui alta prevalência em ambientes ocupacionais, citada na lista de doenças relacionadas ao trabalho, segundo a Portaria nº 1.339/1999, do Ministério da Saúde, responsável por incapacidade para o trabalho ou diminuição do rendimento. Atinge principalmente trabalhadores no manejo de animais e da cadeia de produção de carnes e seus derivados.

Como a bactéria possui múltiplas rotas de infecção, sendo que os mamíferos são os principais hospedeiros naturais, gera um cenário de difícil controle e de real ameaça para a saúde pública, qualidade de vida e sobrevivência de pessoas e animais.

Sintomas

Com a capacidade para afetar diversos órgãos e sistemas, a brucelose humana pode simular ou se assemelhar a outras infecções e doenças não infecciosas. Alguns dos sinais e sintomas mais comuns são:

  • Febre;
  • Mal-estar
  • Sudorese;
  • Calafrios;
  • Fraqueza;
  • Cansaço;
  • Perda de peso;
  • Dor de cabeça, no abdômen e nas costas.

Por serem sinais e sintomas comuns a outras doenças, isso pode dificultar o diagnóstico. No entanto, a doença pode causar sintomas inespecíficos ou gerar uma infecção sem sintomas nos pacientes.

O período de incubação da doença varia entre cinco e 60 dias, podendo durar por até dois anos.

Diagnóstico

Devido às características próprias da doença, muitos casos não são identificados em razão de diagnósticos imprecisos. Por isso, muitas vezes, é tratada como outras doenças ou "febre de origem desconhecida". Diante disso, é de extrema importância realizar a investigação epidemiológica e sanitária, para avaliar uma possível vinculação e exposição no ambiente de trabalho do paciente, além do consumo de alimentos lácteos sem tratamento térmico adequado, como a pasteurização e a fervura.

Os testes laboratoriais são necessários para confirmar o diagnóstico, sendo utilizados diversos métodos de análise, como a cultura da bactéria, sorologia e PCR.

Tratamento

O tratamento da brucelose humana é feito com antibióticos. Se a doença não for tratada adequadamente, pode se tornar crônica. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento gratuito da brucelose humana aos estados e seus municípios. Os medicamentos da terapia antibacteriana poderão ser receitados após avaliação médica e confirmação do diagnostico por exames laboratoriais.

Transmissão

A brucelose pode ser transmitida aos humanos pelo consumo de produtos e derivados como leite não pasteurizado, produtos lácteos contaminados, como queijo e manteiga, e carne mal passada ou crua.
Além da transmissão alimentar, a brucelose pode ser transmitida pelo contato direto ou indireto com animais infectados. Outra forma de transmissão é por via respiratória, com a inalação de bactérias em ambientes contaminados. Pode ocorrer, ainda, a inoculação vacinal acidental do patógeno, pela vacina animal (Brucella abortus cepas B19 e RB51). 

O contato com animais infectados, como gado bovino e bubalino, ovelhas, cabras, porcos, cavalos e cães, entre outros, pode gerar uma situação de exposição, assim como ambientes de trabalho com exposição a material biológico.

São considerados expostos ao risco de contágio de brucelose os trabalhadores da pecuária (ex: vaqueiros, boiadeiros, peão), de açougues, de frigoríficos, de matadouros, de granjas, de laboratórios de análises clínicas e pesquisa, bem como médicos veterinários, agropecuaristas e estudantes destas áreas.

Outras formas de transmissão, como sexual, congênita ou a partir de transfusão sanguínea e transplantes de órgãos ou tecidos são raras, mas podem ocorrer.

Prevenção

Não existe vacina efetiva. A prevenção da brucelose humana pode ocorrer com o controle ou eliminação da doença na população animal hospedeira. Diariamente, deve-se evitar o contato direto ou indireto com animais doentes ou potencialmente contaminados e seus produtos derivados. Outras medidas importantes para evitar a doença são:

  • Consumir apenas leite fervido ou pasteurizado;
  • Consumir derivados de leite preparados com leite fervido ou pasteurizado;
  • Consumir carne, vísceras e derivados de carne sempre bem cozidas;
  • Manter uma boa higiene e desinfecção dos locais de produção animal e de produtos derivados (galpões onde os animais são ordenhados, piquetes, locais onde ocorrem partos ou permanece o animal prenhe ou em tratamento sanitário, frigoríficos, açougues, matadouros e outras áreas potencialmente contaminadas de circulação de gado). Estas medidas devem estar em consonância com o que é preconizado pela legislação específica, ou seja, o Regulamento de Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) e o Manual de Legislação de Saúde Animal, ambos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
  • Utilizar corretamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) determinados para cada atividade laboral específica (durante o manejo de animais, vacinação ou manipulação de elementos passíveis de conter as bactérias causadoras da brucelose).
  • Seguir as normas de biossegurança;
  • Fazer o pré-natal adequadamente, no caso das gestantes;
  • Não alimentar cães e outros animais com produtos de origem animal crus (cárneos e outros).

Perguntas e respostas

Brucelose Humana

 

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