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Cólera

Cólera

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Sexta, 28 de Abril de 2017, 18h20 | Última atualização em Terça, 08 de Maio de 2018, 10h05

Doença infecciosa intestinal aguda, transmitida por contaminação fecal-oral direta ou pela ingestão de água ou alimentos contaminados, com manifestações clínicas variadas. Frequentemente, a infecção é assintomática ou causa diarreia leve. Pode também se apresentar de forma grave, com diarreia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãibras. Quando não tratada prontamente, pode ocorrer desidratação intensa, levando a graves complicações e ao óbito.

Descrição da Doença

Agente etiológico

A cólera é causada pelo Vibrio cholerae toxigênico dos sorogrupos O1 e O139, uma bactéria (bacilo) gram-negativa, aeróbia ou anaeróbia facultativa com flagelo polar. Outros sorogrupos (não O1 e não O139), toxigênicos ou não, assim como cepas não toxigênicas dos sorogrupos O1 e O139, também podem causar diarreia, porém menos severa que a cólera e sem potencial epidêmico.

O Vibrio cholerae O1 pode ser classificado em dois biotipos, Clássico e El Tor, os quais apresentam diferenças em propriedades fenotípicas e genotípicas, patogenicidade e padrões de infecção e sobrevivência nos hospedeiros humanos.  As estirpes de El Tor são frequentemente associadas a infecções assintomáticas, menor taxa de mortalidade, melhor sobrevida no ambiente e no hospedeiro humano e maior eficiência da transmissão pessoa a pessoa, quando comparadas às estirpes clássicas, que causam manifestações clínicas mais graves. 

Reservatório

O Vibrio cholerae tem como reservatórios o homem (portador assintomático) e o ambiente aquático. Como faz parte da microbiota marinha e fluvial, pode se apresentar de forma livre ou associado a crustáceos, moluscos, peixes, algas, aves aquáticas, entre outros, incluindo superfícies abióticas. Algumas dessas associações permitem que a bactéria persista no ambiente mesmo quando não há casos da doença na população. Além disso, possibilitam a ocorrência de transmissão da cólera pelo consumo de peixes, mariscos e crustáceos crus ou mal cozidos.

Modo de transmissão

A transmissão da cólera ocorre por via fecal-oral e pode ser direta ou indireta:

  • Transmissão direta – ocorre pela contaminação pessoa a pessoa.
  • Transmissão indireta – ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Período de incubação

Varia de algumas horas a 5 dias. Na maioria dos casos, esse período é de 2 a 3 dias.

Período de transmissibilidade

Perdura enquanto houver eliminação do agente etiológico nas fezes, o que ocorre, na maioria dos casos, até poucos dias após a cura. Para fins de vigilância, o período aceito como padrão é de 20 dias.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas mais frequentes da cólera são diarreia e vômitos com diferentes graus de intensidade. Também pode ocorrer dor abdominal e, nas formas severas, cãibras, desidratação e choque. Febre não é uma manifestação comum. Nos casos graves, mais típicos, aproximadamente 5% dos infectados, o início é súbito, com diarreia aquosa, abundante e incoercível (difícil de controlar), com inúmeras dejeções diárias. Nesses casos, a diarreia e os vômitos determinam uma extraordinária perda de líquidos, que pode ser da ordem de 1 a 2 litros por hora. Tal quadro leva rapidamente à desidratação intensa e deve ser tratado precoce e adequadamente, para evitar a ocorrência de complicações e óbito.

Complicações

As complicações da cólera são decorrentes da depleção hidrossalina, imposta pela diarreia e pelos vômitos, e ocorrem mais frequentemente em indivíduos idosos, diabéticos, desnutridos, portadores do vírus HIV e com patologia cardíaca prévia.

A desidratação não corrigida levará à deterioração progressiva da circulação, da função renal e do balanço hidroeletrolítico, causando dano a todos os sistemas do organismo. Como consequência, podem ocorrer choque hipovolêmico, necrose tubular renal, atonia intestinal, hipocalemia (levando a arritmias cardíacas) e hipoglicemia (com convulsões e coma em crianças). Em gestantes, o choque hipovolêmico pode induzir a ocorrência de aborto e parto prematuro.

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico laboratorial

É realizado a partir do cultivo de amostras de fezes ou vômito. Quando o Vibrio cholerae é isolado, a cepa deve ser enviada ao laboratório de referência nacional para realização da caracterização bioquímica, sorológica e molecular.  Além de permitir a confirmação de casos, a análise laboratorial é importante para avaliar e monitorar as características das cepas circulantes e a ocorrência de resistência a antimicrobianos.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial deve ser realizado considerando-se todos os enteropatógenos que causam doença diarreica aguda. Recomenda-se, portanto, em caso de suspeita de cólera, a coleta simultânea de amostras clínicas para análise viral, bacteriana e parasitológica.

Tratamento

O tratamento eficiente da cólera se fundamenta na rápida reidratação dos pacientes através da administração oral de líquidos e solução de sais de reidratação oral (SRO) ou fluidos endovenosos, dependendo da gravidade do caso. Aproximadamente 80% dos casos de cólera desenvolvem sintomas leves ou moderados e devem ser tratados somente por meio da administração oral de líquidos e SRO (planos A e B). Os pacientes que apresentarem desidratação grave devem ser tratados através da administração de fluidos endovenosos (plano C), podendo ser administrados, adicionalmente, antibióticos apropriados (quadro 1), para diminuir a duração da diarreia, reduzir o volume de fluidos de reidratação necessário e encurtar a duração da excreção do Vibrio cholerae.

Clique aqui para acessar o Manejo do Paciente com Diarreia (orientações para a avaliação do estado de hidratação do paciente e detalhamento dos planos de tratamento – Planos A, B e C).

Quadro 1 - Antibióticos que podem ser utilizados em casos de cólera com desidratação grave (em conjunto com a reidratação endovenosa)

ADULTOS

CRIANÇAS

GESTANTES

Medicamentos de 1ª escolha

Outras opções

Medicamentos de 1ª escolha

Outras opções

Medicamentos de 1ª escolha

Outras opções

DOXICICLINA 300mg (dose única)

AZITROMICINA             1,0g (dose única)

ERITROMICINA    12,5mg/kg (6 em 6 horas por 3 dias)

DOXICICLINA             2 a 4mg/kg (dose única)

ERITROMICINA 500mg (6 em 6 horas por 3 dias)

-

CIPROFLOXACINO  1,0g (dose única)

AZITROMICINA 20mg/kg (dose única)

CIPROFLOXACINO 20mg/kg  (dose única)

AZITROMICINA 1,0g (dose única)

-

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde – Volume 1 (1ª edição atualizada – 2017)

Prevenção

A ocorrência da cólera é diretamente relacionada às condições inadequadas de saneamento e sua prevenção se baseia na adoção de medidas de higiene pessoal e no consumo seguro de água e alimentos.

Clique aqui para consultar as orientações relacionadas ao consumo seguro de água e alimentos e as principais medidas de higiene pessoal.

Clique aqui para consultar as orientações relacionadas aos cuidados com a água para consumo humano.

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