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Coqueluche

Coqueluche: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Sexta, 28 de Abril de 2017, 18h25 | Última atualização em Quinta, 29 de Novembro de 2018, 10h29

O que é coqueluche?

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, transmissível e de distribuição universal. É provocada pelo bacilo Bordetella pertussis e compromete especificamente o aparelho respiratório da pessoa, o que inclui traqueia e brônquios. A principal característica é a tosse seca.

O ser humano é o único reservatório natural do bacilo causador da coqueluche. Apesar de ainda não ter sido constatada a existência de portadores crônicos da doença, podem ocorrer casos sem sintomas e/ou com pouca importância na disseminação da infecção.

IMPORTANTE: Em crianças de até dois anos pode apresentar complicações e inclusive levar à morte.

Quais são os fatores de risco para coqueluche?

Os principais fatores de risco para coqueluche têm relação direta com a vacinação, que é também a principal forma de prevenção.

  • Pode ser que o adulto, mesmo tendo sido vacinado quando bebê, fique suscetível novamente à doença porque a vacina pode perder o efeito com o passar do tempo.

  • As crianças só ficam totalmente imunes à doença quando tomam as três doses necessárias da vacina. Nesses casos, a infecção pode aparecer no intervalo entre uma vacina e outra.

Como a coqueluche é transmitida?

A transmissão da coqueluche ocorre, principalmente, pelo contato direto do doente com uma pessoa suscetível, por meio de gotículas de secreção eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar.

Em alguns casos, a transmissão pode ocorrer por objetos recentemente contaminados com secreções de pessoas doentes. Isso é pouco frequente, porque é difícil o agente causador da doença sobreviver fora do corpo humano, mas não é impossível.

O período de incubação do bacilo, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer desde o momento da infecção, é de, em média, 5 a 10 dias podendo variar de 4 a 21 dias e, raramente, até 42 dias. A maior transmissibilidade da doença ocorre na fase catarral.

Quais são os sintomas da coqueluche?

Os sintomas da coqueluche podem se manifestar em três níveis. No primeiro nível, o mais leve, os sintomas são parecidos com o de um resfriado.

  • Espirros e corrimento nasal.

  • Tosse.

  • Olhos lacrimejando.

  • Em alguns casos, febre baixa.

IMPORTANTE: Esses sintomas iniciais podem durar até semanas, época em que a pessoa também está mais suscetívela transmitir a doença.

No estágio intermediário da coqueluche, os sintomas de resfriado tendem a aparecer, mas a tosse seca piora e outros sinais aparecem.

  • Tosse passa de leve e seca para severa e descontrolada.

  • A tosse pode ser tão intensa que pode comprometer a respiração.

  • Ao puxar o ar, pode haver o sinal de um grito agudo.

  • A crise de tosse pode provocar vômito ou cansaço extremo.
IMPORTANTE: Nessa fase, os sintomas são mais severos e, dependendo do tratamento, podem durar até um mês.

É normal que adultos e adolescentes tenham sintomas mais leves da coqueluche em relação às crianças mais novas. A gravidade da doença também está diretamente relacionada ao clima e ao tempo em que a pessoa foi imunizada com a vacina. 

Geralmente, os sinais e sintomas da coqueluche duram entre seis a 10 semanas, podendo durar ou menos tempo, conforme o quadro clínico e a situação de cada caso.

Coqueluche: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Como é feito o diagnóstico da coqueluche?

O diagnóstico da coqueluche em estágios iniciais é difícil, uma vez que os sintomas podem parecer com resfriado ou até mesmo outras doenças respiratórias.

A tosse seca é um forte indicativo da coqueluche, mas para confirmar o diagnóstico o médico pode pedir os seguintes exames:

  • Espirometria.

  • Exames de sorologia (sangue).

  • Raio-x do tórax.

O exame de sangue apontará com certeza a presença ou não do bacilo causador da coqueluche.

Diagnóstico diferencial

Deve ser feito com as infecções respiratórias agudas, como traqueobronquites, bronquiolites, adenoviroses, laringites, entre outras. Outros agentes também podem causar a síndrome coqueluchóide, dificultando o diagnóstico diferencial, entre os quais Bordetella  parapertussis, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia trachomatis, Chlamydia pneumoniae e Adenovírus (1, 2, 3 e 5). Bordetella bronchiseptica e a Bordetella avium são patógenos de animais que raramente acometem o homem (exceto quanto imunodeprimidos).

Diagnóstico laboratorial

Realizado mediante o isolamento da B. pertussis pela cultura de material colhido de nasorofaringe, com técnica adequada ou pela técnica de reação em cadeia de polimerase (PCR) em tempo real. A coleta do espécime clínico deve ser realizada antes do início da antibioticoterapia ou, no máximo, até 03 dias após seu início.

Como é feito o tratamento da coqueluche?

O tratamento da coqueluche é feito basicamente com antibióticos, que devem ser prescrito por um médico especialista, conforme cada caso. É importante procurar uma unidade de saúde para receber o diagnóstico e tratamento adequados, assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas.

As crianças, quando diagnosticadas com coqueluche, frequentemente ficam hospitalizadas (internadas), tendo em vista que os sintomas nelas são mais severos e podem provocar a morte. 

Quais complicações a coqueluche pode provocar?

A maioria das pessoas conseguem se recuperar da coqueluche sem sequelas e maiores complicações. No entanto, nas formas mais graves podem ocorrer alguns quadros mais severos, como:

  • Costelas machucadas ou rachadas.

  • Hérnias abdominais.

  • Vasos sanguíneos da pele ou olhos estourados.

Em crianças, especialmente as menores de dois anos, as complicações são mais graves e podem incluir, por exemplo:

  • Infecções de ouvido.

  • Pneumonia.

  • Parada respiratória.

  • Desidratação.

  • Convulsão.

  • Lesão cerebral.

  • Morte.

Como prevenir a coqueluche?

A vacinação é o principal meio de prevenção da coqueluche. Crianças de até 6 anos, 11 meses e 29 dias devem ser vacinadas contra a coqueluche. O Sistema Único de Saúde (SUS) também oferta vacina específica para gestantes e profissionais de saúde que atuam em maternidades e em unidades de internação neonatal, atendendo recém-nascidos e crianças menores de um ano de idade.

Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação

A coqueluche é uma doença endêmica, com epidemias surgindo ciclicamente a intervalos de três a cinco anos. A suscetibilidade à doença é geral.

O indivíduo torna-se imune em duas situações:

  • ao adquirir a doença (a imunidade duradoura, mas não é permanente);

  • pela vacina, mínimo de 3 doses com a pentavalente (DTP+Hib+Hepatite B) um reforço aos 15 meses de idade, e um segundo reforço aos 4 anos de idade com a tríplice bacteriana (DTP).

Gestantes devem fazer uma dose da vacina do tipo adulto (dTpa) a partir da 20ª semana a cada gestação. A imunidade não é permanente, após 5 a 10 anos, em média, da última dose da vacina, a proteção pode ser pouca ou inexistente.

Situação Epidemiológica da coqueluche

A morbidade da coqueluche no país já foi elevada. No início da década de 1980 eram notificados mais de 40 mil casos anuais e o coeficiente de incidência era superior a 30/100.000 habitantes. Este número caiu abruptamente a partir de 1983, mantendo, desde então, tendência decrescente.

Em 1990, foram notificados 15.329 casos, resultando em um coeficiente de incidência de 10,6/100.000 habitantes, sendo maior incidência observada na década. A partir de 1995, observou-se um declínio do número de casos e aumento da cobertura vacinal, principalmente a partir de 1998, resultando na mudança do perfil epidemiológico da doença no país. Com isso, verificou-se redução importante na incidência de 10,6/100 mil habitantes em 1990 para 0,9/100 mil habitantes em 2000. 

No período de 2001 a 2010, a incidência variou entre (0,32 a 0,75/100 mil). Em meados de 2011, observou-se um aumento súbito do número de casos da doença no país. Várias hipóteses foram levantadas para explicar esse aumento, tais como: maior sensibilidade da assistência e vigilância, no diagnóstico e notificação de casos, melhora do diagnóstico laboratorial com a introdução de técnicas biomoleculares, coberturas vacinais heterogêneas, maior susceptibilidade dos indivíduos menores de 06 meses que não receberam o esquema vacinal completo, bem como pela própria ciclicidade da doença que ocorre em intervalos de três a cinco anos, com incremento esperado no número de casos.

Segundo dados registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período de 2011 a 2014 foram confirmados 22.772 casos de coqueluche, em todo o país. Em 2011 foram confirmados 2.248 casos e em 2014, 8.614 o que representou um incremento de 283% do número de casos. Nesse mesmo período a incidência variou de 1,2 a 4,2/100 mil habitantes.

O grupo de menores de um ano concentrou a maioria dos casos de coqueluche, aproximadamente 61% (13.935/22.772), e dentre estes 87% (12.135/13.935) eram menores de seis meses de idade. Isto se deve, provavelmente, à gravidade do quadro clínico nesta faixa etária, o que, por sua vez, leva à maior procura dos serviços de saúde e maior número de casos diagnosticados. A letalidade da doença é também mais elevada no grupo de crianças menores de um ano, particularmente naquelas com menos de seis meses de idade, que concentram quase todos os óbitos por coqueluche. 

A partir de 2015, observa-se uma diminuição do número de casos em que a incidência da doença passou de 4,2/100.000 habitantes em 2014 para 0,9/100.000 habitantes em 2017. Em 2015, 2016 e 2017 foram confirmados 3.110, 1.333 e 1.895 casos de coqueluche, respectivamente.

>> Tabela de casos de Coqueluche. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1998 a 2017*

>> Tabela de óbitos de Coqueluche. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1998 a 2017*

>> Gráfico série Histórica. Brasil 1990 a 2017*

>> Diagrama de Controle da Coqueluche

Publicações - Coqueluche

Guia de Vigilância em Saúde – Volume único – 1ª edição atualizada (SVS/MS) 

Boletim Epidemiológico da Coqueluche. Brasil, 2010 A 2014

Boletim Epidemiológico da Coqueluche. Brasil, 2015

NOTA INFORMATIVA Nº 197/2018-CGDT/DEVIT/SVS/MS

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