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Diabetes: tipos, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por Gustavo Frasão | Publicado: Quarta, 07 de Novembro de 2018, 10h39 | Última atualização em Sexta, 16 de Novembro de 2018, 10h33

O que é diabetes?

O diabetes é uma doença crônica não transmissível que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue mais utilizar de maneira eficaz a insulina que produz. A insulina é o hormônio que regula a glicose no sangue e é fundamental para manutenção do bem-estar do organismo, que precisa da energia dela para funcionar. No entanto, Aaltas taxas de glicose podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.

IMPORTANTE:  De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional. A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.

O que são doenças crônicas não transmissíveis?

Doenças crônicas não transmissíveis são aquelas doenças adquiridas, normalmente por hábitos e formas de se levar a vida (má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool, drogas, tabaco etc) e que possuem tratamentos a médio e longo prazo, podendo persistir, muitas vezes, por toda a vida. Não são transmitidas de pessoa para pessoa e são responsáveis, também, por desencadear outros problemas de saúde na pessoa. As doenças crônicas podem ser silenciosas ou sintomáticas, mas todas comprometem, de alguma forma, a qualidade de vida da pessoa, em diferentes graus, conforme cada situação. Em casos mais graves e se não tratadas corretamente, podem levar à morte.

As principais doenças crônicas não transmissíveis são:

  • Doenças metabólicas - diabetes e obesidade.
  • AVC - Acidente Vascular Cerebral.
  • Câncer.
  • Doenças cardiovasculares.
  • Doenças respiratórias crônicas - bronquite, asma, rinite.
  • Hipertensão.

Tipos de diabetes

O diabetes pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure com urgência o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento.

Os principais tipos de diabetes são:

  • Diabetes Tipo 1: a causa desse tipo de diabetes ainda é desconhecida e a melhor forma de preveni-la é com práticas de vida saudáveis (alimentação, atividades físicas e evitando álcool, tabaco e outras drogas). Sabe-se que, via de regra, é uma doença crônica não transmissível genética, ou seja, é hereditária, que concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. O diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Pessoas com parentes próximos que têm ou tiveram a doença devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue. Pessoas com diabetes tipo 1 devem administrar insulina diariamente para regular a quantidade de glicose no sangue. 

  • Diabetes Tipo 2: ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. Esse tipo de diabetes está diretamente relacionado ao sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. Dependendo da gravidade, pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

  • Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA): atinge basicamente os adultos e representa um agravamento do diabetes tipo 2. Caracteriza-se, basicamente, no desenvolvimento de um processo autoimune do organismo, que começa a atacar as células do pâncreas. 

  • Diabetes gestacional: ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2. Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto. Esse tipo de diabetes afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê.

Diabetes infantil

Pré-Diabetes

A pré-diabetes é caracterizada quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios. 

Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto. No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença.

A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle. 

Fatores de risco para o diabetes

A ausência de hábitos saudáveis são os principais fatores de risco, além da genética. Os principais fatores são:

  • Diagnóstico de pré-diabetes.

  • Pressão alta.

  • Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue.

  • Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura.

  • Pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes.

  • Doenças renais crônicas.

  • Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg.

  • Diabetes gestacional.

  • Síndrome de ovários policísticos.

  • Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos - esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar.

  • Apneia do sono.

  • Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

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Sintomas do diabetes

Os principais sintomas do diabetes são:

  • sede, fome e cansaço em excesso;
  • perda de peso rápida e involuntária;
  • hálito modificado;
  • visão embaçada;
  • vontade de urinar várias vezes ao dia.
ATENÇÃO: Para resultado e diagnóstico precisos, é necessário ficar em alerta com o surgimento de qualquer um desses sintomas e fazer avaliação médica com profissional especializado.

Sintomas específicos do Diabetes Tipo 1

  • Vontade frequente de urinar.
  • Fome excessiva.
  • Sede excessiva.
  • Emagrecimento além do normal.
  • Fraqueza.
  • Fadiga.
  • Nervosismo.
  • Mudanças de humor.
  • Náusea e vômito.

Sintomas específicos do Diabetes Tipo 2

  • Fome excessiva.
  • Sede excessiva.
  • Frequentes Infecções na bexiga, rins e pele.
  • Feridas que demoram para cicatriza.
  • Alteração visual.
  • Formigamento nos pés e mãos.
ATENÇÃO: Os sintomas para esse tipo de diabetes podem demorar a aparecer, por isso é recomendado exames periódicos para pessoas acima dos 45 anos ou com histórico familiar da doença.

Sintomas específicos do Diabetes Gestacional

  • Sede excessiva.
  • Fome excessiva.
  • Vontade constante de urinar.
  • Problemas com a visão.
ATENÇÃO: O diabetes gestacional, na maioria das vezes, não causa sintomas e o quadro é descoberto durante os exames periódicos. Qualquer mulher pode manifestar o diabetes gestacional, mas atenção especial deve ser dada para aquelas que já têm histórico familiar de diabetes e apresentam excesso de peso antes da gravidez ou ganho de peso durante a gestação.

Diagnóstico do diabetes

O diagnóstico do diabetes é feito por um simples exame de sangue. Com uma gotinha de sangue, retirada de um dos dedos da mão, é possível ver se há alguma alteração na taxa de glicemia. Esse teste inicial leva, no máximo, três minutos para mostrar o resultado. Se for identificada uma alteração considerável, o médico solicitará outros exames clínicos e laboratoriais mais profundos e detalhados, como o teste oral de tolerância à glicose (Curva Glicêmica).

Esse exame é feito em diversas etapas, em que são coletadas amostras de sangue em um tempo determinado, geralmente de 30 em 30 minutos. Nos intervalos, o paciente deve ingerir um xarope de glicose. Os resultados são apresentados em um gráfico e permitem o diagnóstico preciso.

ATENÇÃO:  Não ignore os fatores de risco. Quanto mais cedo você tiver o diagnóstico, mais rápido poderá agir para continuar saudável, agora e no futuro. Além disso, é uma forma de proteger as pessoas que você gosta: se você tem Diabetes Tipo 2, seus filhos e irmãos também podem ter chances de desenvolver a doença. É importante que todos consultem o médico e façam exames e, mais do que isso, mantenham hábitos e estilos de vida saudáveis!

Tratamento da diabetes

Os pacientes que apresentam Diabetes do Tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores considerados normais. Para essa medição, é aconselhável ter em casa um aparelho, chamado glicosímetro, que será capaz de medir a concentração exata de glicose no sangue durante o dia-a-dia do paciente.

Os médicos recomendam que a insulina deva ser aplicada diretamente na camada de células de gordura, logo abaixo da pele. Os melhores locais para a aplicação de insulina são:

  • barriga;

  • coxa;

  • braço;

  • região da cintura;

  • glúteo.

IMPORTANTE: Além de prescrever injeções de insulina para baixar o açúcar no sangue, alguns médicos solicitam que o paciente inclua, também, medicamentos via oral em seu tratamento, de acordo com a necessidade de cada caso.

Já para os pacientes que apresentam Diabetes Tipo 2, o tratamento consiste em identificar o grau de necessidade de cada pessoa e indicar, conforme cada caso, os seguintes medicamentos/técnicas:

  • Inibidores da alfaglicosidase: impedem a digestão e absorção de carboidratos no intestino.

  • Sulfonilureias: estimulam a produção pancreática de insulina pelas células.

  • Glinidas: agem também estimulando a produção de insulina pelo pâncreas.

O Diabetes Tipo 2 normalmente vem acompanhado de outros problemas de saúde, como obesidade, sobrepeso, sedentarismo, triglicerídios elevados e hipertensão. Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. 

Para tratar o diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece medicamentos de graça pelo programa Farmácia Popular. São seis medicamentos financiados pelo Ministério da Saúde e liberados nas farmácias credenciadas. Além disso, os pacientes portadores da doença são acompanhados pela Atenção Básica e a obtenção do medicamento para o tratamento tem sido fundamental para reduzir os desfechos mais graves da doença.

Desta forma, os doentes têm assegurado gratuitamente o tratamento integral no Sistema Único de Saúde, que fornece à população as insulinas humana NPH – suspensão injetável 1 e insulina humana regular, além de outros três medicamentos que ajudam a controlar o índice de glicose no sangue: Glibenclamida, Metformida e Glicazida.

Em março de 2017, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) incorporou ao SUS duas novas tecnologias para o tratamento do diabetes.

  • A caneta para injeção de insulina, para proporcionar a melhor comodidade na aplicação, facilidade de transporte, armazenamento e manuseio e maior assertividade no ajuste da dosagem.
  • Insulina análoga de ação rápida, que são insulinas semelhantes às insulinas humanas, porém com pequenas alterações nas moléculas, que foram feitas para modificar a maneira como as insulinas agem no organismo humano, especialmente em relação ao tempo para início de ação e duração do efeito.

Para os que já têm diagnóstico de diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente, já na atenção básica,  atenção integral e gratuita, desenvolvendo ações de prevenção, detecção, controle e tratamento medicamentoso, inclusive com insulinas. Para monitoramento do índice glicêmico, também está disponível nas Unidades Básicas de Saúde reagentes e seringas. O programa Aqui Tem Farmácia Popular, parceria do Ministério da Saúde com mais de 34 mil farmácias privadas em todo o país, também distribui medicamentos gratuitos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas.

Como aplicar a insulina?

Durante o tratamento de diabetes com insulina, é necessário checar periodicamente os níveis de glicose no sangue. Essa medida é fundamental para avaliar o tratamento e verificar se as metas estabelecidas pelo profissional de saúde, conforme cada caso, estão sendo alcançadas. O ‘ajuste fino’ dessas metas e das doses de insulina e medicamentos leva algum tempo e é afetado pelo estilo de vida e, eventualmente, por outras doenças. Uma boa notícia é que os equipamentos mais novos, com agulhas menores, estão tornando a aplicação de insulina cada vez mais fácil.

As canetas podem ser reutilizáveis, em que se compra o refil de 3 mL de insulina para se carregar na caneta. Neste caso é importante observar que as canetas são específicas para cada fabricante de refil. Há também canetas descartáveis, que já vêm carregadas com insulina e ao terminar seu uso são dispensadas e pega-se uma nova caneta, dispensa portanto a troca de refis, tornando o uso ainda mais simples.

As seringas têm, atualmente, agulhas muito menores, até de 6 mm. Elas permitem aplicação com mínima dor. Se você precisa tomar dois tipos de insulina no mesmo horário e elas estão disponíveis em frascos, pode-se misturar os dois tipos e aplicar apenas uma aplicação na mesma seringa. Ao se fazer isso deve-se estar atento à dose de cada componente de insulina, aspirando primeiro a insulina Regular e depois a insulina N, nesta ordem.

Bombas de insulina são um modo seguro e eficiente de fornecer insulina para o corpo. Elas são usadas com mais frequência por pessoas que precisam de múltiplas injeções ao longo do dia. O equipamento inclui um pequeno cateter, que é inserido sob a pele. A ‘bomba’ propriamente dita é usada externamente. Ela tem o tamanho dos antigos ‘pagers’, ou seja, é menor que um smartphone. Seu médico vai indicar qual a melhor opção para você.

Dicas para aplicação de insulina

Se você usa a caneta, não se esqueça de checar o fluxo de insulina antes de aplicar a dose. Ajuste o aparelho para duas unidades e, com a ponta da caneta virada para cima, na vertical, aperte o botão de aplicação, repetindo até que apareça a insulina. Depois de checar o fluxo, marque a dose a ser aplicada. Insira a agulha na pele em um ângulo de 90° (perpendicular). Aperte o botão até que você veja o número 0. Conte dez segundos antes de remover a agulha da pele, para garantir que a dose foi totalmente aplicada. Com agulhas maiores, superiores a 8 mm, você pode precisar levantar a pele delicadamente antes da injeção, a chamada “prega”.

É muito importante fazer rodízio dos locais do corpo em que você aplica a insulina, para prevenir nódulos e alterações locais decorrentes da aplicação repetida de insulina, chamadas de lipodistrofias. Evite uma área de cinco centímetros em torno do umbigo e também evite aplicar sobre cicatrizes.

Armazenamento da insulina

A insulina que ainda não foi aberta deve ser guardada na geladeira entre 2 e 8ªC. Depois de aberta, pode ser deixada à temperatura ambiente (menor do que 30°C) por 30 dias, com exceção da detemir (Levemir), que pode ficar em temperatura ambiente por até 42 dias. É importante manter todos os tipos de insulina longe da luz e do calor. Descarte a insulina que ficou exposta a mais de 30°C ou congelada. Não use medicamentos após o fim da data de validade.

Para ajudar a acompanhar a data, o usuário pode anotar no rótulo o dia em que abriu o frasco ou colocar um pedaço de esparadrapo colado com a data em que foi aberta a insulina pela primeira vez. Se você for passar um período extenso ao ar livre, em dias muito frios ou quentes, deve armazenar a insulina em um isopor bolsa térmica, podendo eventualmente conter placas de gelo, desde que este não tenha contato direto com a insulina.

Prevenção do diabetes

O incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas é prioridade do Governo Federal. O Ministério da Saúde adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país. O País assumiu como compromisso deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar pelo menos 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e para fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. O Governo Federal também incentiva a prática de atividades físicas por meio do Programa Academia da Saúde, com aproximadamente 4 mil polos habilitados e 2.012 com obras concluídos.

Manter hábitos saudáveis ajudam a prevenir o diabetes e diversas outras doenças.

  • Comer diariamente verduras, legumes e, pelo menos, três porções de frutas.
  • Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras.
  • Parar de fumar.
  • Praticar exercícios físicos regularmente, (pelo menos 30 minutos todos os dias).
  • Manter o peso controlado.

 

Hipoglicemia

A hipoglicemia é literalmente nível muito baixo de glicose no sangue e é comum em pessoas com diabetes. Para evitar a hipoglicemia, além das complicações do diabetes, o segredo é manter os níveis de glicose dentro da meta estabelecida pelo profissional da saúde para cada paciente. Essa meta varia de acordo com a idade, condições gerais de saúde e outros fatores de risco, além de situações como a gravidez.

Durante o tratamento, é essencial manter hábitos saudáveis e estilo de vida ativo, além de seguir as orientações medicamentosas recomendadas pelo profissional de saúde para manter a meta de glicose, evitando a hipoglicemia e a hiperglicemia. 

O que pode causar hipoglicemia em pacientes diabéticos

  • Aumentar quantidade de exerícios físicos sem orientação ou sem ajuste correspondente na alimentação/medicação.
  • Pular refeições e os horários de refeições.
  • Comer menos do que o necessário.
  • Exagerar na medicação (essa conduta não traz controle melhor do diabetes, pelo contrário).
  • Ingestação de álcool.

Em situações extremas, a hipoglicemia pode causar desmaios ou crises convulsivas e necessitam de intervenção médicas imediata. Tenha cuidado com sua saúde e siga à risca as orientaões médicas. Diabetes e hipoglicemia severa podem causar acidentes, lesões, levar ao estado de coma e até à morte.

Sintomas da hipoglicemia:

  • Tremedeira.

  • Nervosismo e ansiedade.

  • Suores e calafrios.

  • Irritabilidade e impaciência.

  • Confusão mental e até delírio.

  • Taquicardia, coração batendo mais rápido que o normal.

  • Tontura ou vertigem.

  • Fome e náusea.

  • Sonolência.

  • Visão embaçada.

  • Sensação de formigamento ou dormência nos lábios e na língua.

  • Dor de cabeça.

  • Fraqueza e fadiga.

  • Raiva ou tristeza.

  • Falta de coordenação motora.

  • Pesadelos, choro durante o sono.

  • Convulsões.

  • Inconsciência.

Hiperglicemia

A hiperglicemia é exatamente o contrário da hipoglicemia: acontece quando há pouca insulina no organismo ou quando o corpo não consegue usá-la corretamente. No entanto, a melhor forma de se evitar a hiperglicemia também é mantendo os níveis de glicose dentro das metas estabelecidas pelo profissional médico. Essa meta varia de acordo com a idade, condições gerais de saúde e outros fatores de risco, além de situações como a gravidez.

O que pode causar a hiperglicemia em pacientes diabéticos

  • Dose incorreta de insulina, no caso do Tipo 1.

  • Dificuldade do corpo para utilizar a insulina que está sendo produzida (resistência à insulina), no caso do Tipo 2.

  • Excesso de alimentação e carência de exercícios físicos.

  • Stress causado por uma doença, como uma gripe.

  • Outras fontes de estresse (família, escola ou trabalho).

  • O chamado ‘fenômeno do alvorecer’ Todas as pessoas passam por essa condição, tenham ou não diabetes. É uma onda de hormônios que o corpo produz entre 4h e 5h da manhã, todos os dias, que provocam uma reação do fígado, com liberação de glicose e preparação do organismo para mais um dia de atividades. O corpo produz menos insulina e mais glucagon (hormônio que aumenta a glicose no sangue), mas as pessoas com diabetes não têm respostas normais de insulina para regular essa onda e a glicemia de jejum pode subir consideravelmente.

  • Para evitar essa condição, valem as dicas: jantar no início da noite, fazer uma caminhada leve após o jantar, perguntar ao médico sobre medicamentos específicos ou ajuste do tratamento do diabetes, seja insulina ou outros medicamentos.

Sintomas da hiperglicemia

Os principais sintomas da hiperglicemia são:

  • Boca seca.
  • Muita Sede.
  • Muita urina.
  • Muita fome.
  • Cansaço.
  • Dor de cabeça.
  • Enjoo.
  • Sonolência.
  • Dificuldade para respirar.
  • Hálito de maçã ou acetona.

Tabagismo e diabetes

O tabagismo é a maior causa de morte evitável do mundo. Parar de furmar é a medida isolada mais efetiva para reduzir o risco de complicações do diabetes. Por isso, se você fuma, pare imediatamente. Pratique hábitos saudáveis, isso ajudará a controlar e a prevenir diversas doenças e problemas de saúde, incluindo o diabetes.

Complicações do Diabetes

O diabetes, quando não tratado corretamente, pode evoluir para formas mais graves e apresentar diversas complicações, além de outros problemas de saúde, que vão comprometer diretamente a qualidade de vida da pessoa. Algumas situações são críticas e podem levar à morte. Manter hábitos e estilos de vida saudáveis são a melhor forma de controlar e prevenir a doença. 

Neuropatia Diabética

Você sabe o que são nervos periféricos? Eles carregam as informações que saem do cérebro e as que chegam até ele, além de sinais da medula espinhal para o resto do corpo. Os danos a esses nervos, condição chamada de neuropatia periférica, fazem com que esse mecanismo não funcione bem. A neuropatia pode afetar um único nervo, um grupo de nervos ou nervos no corpo inteiro. 

A neuropatia costuma vir acompanhada da diminuição da energia, da mobilidade, da satisfação com a vida e do envolvimento com as atividades sociais.

Tanto as alterações nos vasos sanguíneos quanto as alterações no metabolismo podem causar danos aos nervos periféricos. A glicemia alta reduz a capacidade de eliminar radicais livres e compromete o metabolismo de várias células, principalmente as dos neurônios.

IMPORTANTÍSSIMO: O diabetes é a causa mais comum da neuropatia periférica e merece especial atenção porque a neuropatia é a complicação crônica mais comum e mais incapacitante do diabetes. Ela é responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas (que não são causadas por acidentes e fatores externos).

Essa complicação pode ser silenciosa e avançar lentamente, confundindo-se com outras doenças. O controle inadequado da glicose, nível elevado de triglicérides, excesso de peso, tabagismo, pressão alta, o tempo em que de convivência com o diabetes e a presença de retinopatia e doença renal são fatores que favorecem a progressão da neuropatia.

Os principais sintomas da neuropatia são:

  • Dor contínua e constante.

  • Sensação de queimadura e ardência.

  • Formigamento.

  • Dor espontânea que surge de repente, sem uma causa aparente.

  • Dor excessiva diante de um estímulo pequeno, por exemplo, uma picada de alfinete.

  • Dor causada por toques que normalmente não seriam dolorosos, como encostar no braço de alguém.

  • Ao mesmo tempo, em uma segunda etapa dessa complicação, pode haver redução da sensibilidade protetora. As dores, que antes eram intensas demais mesmo com pouco estímulo, passam a ser menores do que deveriam. Nesses casos há o risco, por exemplo, de haver uma queimadura e a pessoa não perceber.

  • É comum também que o suor diminua e a pele fique mais seca. O diagnóstico da neuropatia pode ser feito por exames específicos e muito simples nos pés.

DESTAQUE: Essa redução da sensibilidade está diretamente ligada ao risco de amputação.

Diabetes e amputações

Muitas pessoas com diabetes têm a doença arterial periférica, que reduz o fluxo de sangue para os pés. Além disso, pode haver redução de sensibilidade devido aos danos que a falta de controle da glicose causa aos nervos. Essas duas condições fazem com que seja mais fácil sofrer com úlceras e infecções, que podem levar à amputação.

No entanto, a maioria das amputações são evitáveis, com cuidados regulares e calçados adequados. Cuidar bem de seus pés e visitar o seu médico imediatamente, assim que observar alguma alteração, é muito importante. Pergunte sobre sapatos adequados e considere seriamente um plano estratégico, caso seja fumante: pare de fumar imediatamente! O tabagismo tem sério impacto nos pequenos vasos sanguíneos que compõem o sistema circulatório, causando ainda mais diminuição do fluxo de sangue para os pés.

Doença renal

Os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos (capilares), que removem os resíduos do sangue. O diabetes pode trazer danos aos rins, afetando sua capacidade de filtragem. O processo de digestão dos alimentos gera resíduos. Essas substâncias que o corpo não vai utilizar geralmente têm moléculas bem pequenas, que passam pelos capilares e vão compor a urina. As substâncias úteis, por sua vez, a exemplo das proteínas, têm moléculas maiores e continuam circulando no sangue.

O problema é que os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e fazendo com moléculas de proteína acabem sendo perdidas na urina. A presença de pequenas quantidades de proteína na urina é chamada de microalbuminúria. Quando a doença renal é diagnosticada precocemente, durante a microalbuminúria, diversos tratamentos podem evitar o agravamento.

Quando é detectada mais tarde, já na fase da macroalbuminúria, a complicação já é chamada de doença renal terminal. Com o tempo, o estresse da sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem. Os resíduos começam a acumular-se no sangue e, finalmente, os rins falham. Uma pessoa com doença renal terminal vai precisar de um transplante ou de sessões regulares de hemodiálise.

ATENÇÃO: Nem todas as pessoas que têm diabetes desenvolvem a doença renal. Fatores genéticos, baixo controle da taxa glicêmica e da pressão arterial favorecem o aparecimento da complicação.

Pé Diabético

São feridas que podem ocorrer no pé das pessoas com diabetes e têm difícil cicatrização devido aos níveis elevados de açúcar no sangue e/ou circulação sanguínea deficiente. É uma das complicações mais comuns do diabetes mal controlado. Aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolver úlceras nos pés e 85% das amputações de membros inferiores ocorre em pacientes com diabetes.

Cuidados com o pé diabético

Pessoas com pés diabéticos devem ter os seguintes cuidados:

  • Fazer higiene diária dos pés e secá-los sempre com cuidado.

  • Cortar as unhas em linha reta.

  • Usar sapatos macios, meias claras e sem costuras (nunca apertadas).

  • Examinar os pés para identificar precocemente mudanças de cor, inchaço, dor, rachaduras e sensibilidade na pele.

  • Controlar os níveis de açúcar no sangue ajuda a prevenir e a tratar as úlceras nos pés.

  • Procure um profissional de saúde caso perceba "dormência" ou ferida nos pés.

Pele e calos

Uma alteração comum é a pele dos pés, que pode ficar muito seca e favorecer o aparecimento de feridas (rachaduras). Isso acontece porque os nervos que controlam a produção de óleo e umidade estão danificados. É importante massagear os pés com um bom creme após o banho e sempre que sentir a pele desidratada. Evite passar creme entre os dedos, porque a umidade extra favorece a proliferação de micro-organismos e infecções.

As úlceras ocorrem mais frequentemente na planta do pé ou embaixo do dedão. Quando aparecem nas laterais, geralmente é o sapato que está inadequado. O tratamento pode ser feito com a limpeza e o uso de proteções especiais para os pés, mas pode exigir também a ação de um cirurgião vascular, caso a circulação esteja muito ruim.

Em pessoas com diabetes, os calos aparecem com mais frequência, porque há áreas de alta pressão nessa parte do corpo, que aguenta o peso o dia inteiro. Calos não-tratados podem transformar-se em úlceras (feridas abertas). Por isso, uma dica super importante: não corte os calos você mesmo, nem use agentes químicos, que podem queimar a pele. Também não deixe que a pedicure ‘dê um jeitinho’. A avaliação médica e a indicação de um bom podólogo é a postura mais indicada.

Sabe-se que o diabetes pode prejudicar a circulação, mas esse problema se agrava ainda mais com o uso de cigarro, pressão alta e desequilíbrio nos níveis de colesterol. E a má circulação, por sua vez, prejudica o combate às infecções e atrapalha a recuperação das úlceras nos pés.

Algumas feridas não doem, mas devem ser avaliadas imediatamente. Desprezá-las pode abrir as portas para infecções – e elas podem levar até à perda de um membro.

Problemas nos olhos

Se você gerencia bem a taxa de glicemia, é bem provável que apresente problemas oculares de menor gravidade ou nem apresente. Isso porque quem tem diabetes está mais sujeito à cegueira, se não tratá-la corretamente. Fazendo exames regularmente e entendendo como funcionam os olhos, fica mais fácil manter essas complicações sob controle. Uma parte da retina é especializada em diferenciar detalhes finos. Essa pequena área é chamada mácula, que é irrigada por vasos sanguíneos para garantir seu funcionamento. Essas estruturas podem ser alvo de algumas complicações da diabetes.

Glaucoma

Pessoas com diabetes têm 40% mais chance de desenvolver glaucoma, que é a pressão elevada nos olhos. Quando mais tempo convivendo com a doença, maior o risco. Na maioria dos casos, a pressão faz com que o sistema de drenagem do humor aquoso se torne mais lento, causando o acúmulo na câmara anterior. Isso comprime os vasos sanguíneos que transportam sangue para a retina e o nervo óptico e pode causar a perda gradual da visão. Há vários tratamentos para o glaucoma – de medicamentos à cirurgia.

Catarata

Pessoas com diabetes têm 60% mais chance de desenvolver a catarata, que acontece quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz. Quem tem diabetes costuma desenvolver a catarata mais cedo e a doença progride mais rápido. Para ajudar a lidar com graus leves de catarata, é necessário usar óculos de sol e lentes de controle de brilho nos óculos comuns. Quando a opacidade atrapalha muito a visão, geralmente é realizada uma cirurgia que remove as lentes e implanta novas estruturas. Entretanto, é preciso ter consciência de que, em pessoas com diabetes, a remoção das lentes pode favorecer o desenvolvimento de glaucoma (complicação anterior) e de retinopatia (próxima complicação).

Retinopatia

Retinopatia diabética é um termo genérico que designa todas os problemas de retina causados pelo diabetes.

Há dois tipos mais comuns:

  • o não-proliferativo;

  • o proliferativo.

O tipo não-proliferativo é o mais comum. Os capilares (pequenos vasos sanguíneos) na parte de trás do olho incham e formam bolsas. Há três estágios - leve, moderado e grave – na medida em que mais vasos sanguíneos ficam bloqueados. Em alguns casos, as paredes dos capilares podem perder o controle sobre a passagem de substâncias entre o sangue e a retina e o fluido pode vazar dentro da mácula.

Isso é o que chamamos de edema macular – a visão embaça e pode ser totalmente perdida. Geralmente, a retinopatia não-proliferativa não exige tratamento específico, mas o edema macular sim. Frequentemente o tratamento permite a recuperação da visão.

Depois de alguns anos, a retinopatia pode progredir para um tipo mais sério, o proliferativo. Os vasos sanguíneos ficam totalmente obstruídos e não levam mais oxigênio à retina. Parte dela pode até morrer e novos vasos começam a crescer para tentar resolver o problema. Esses novos vasinhos são frágeis e podem vazar, causando hemorragia vítrea. Os novos capilares podem causar também uma espécie de cicatriz, distorcendo a retina e provocando seu descolamento, ou ainda, glaucoma.

Os fatores de risco da retinopatia são o controle da glicose no sangue, o controle da pressão, o tempo de convivência com o diabetes e a influência genética. A retinopatia não-proliferativa é muito comum, principalmente entre as pessoas com diabetes Tipo 1, mas pode afetar aqueles com Tipo 2 também. Cerca de uma em cada quatro pessoas com diabetes tem o problema em algum momento da vida.

Já a retinopatia proliferativa é pouco comum – afeta cerca de uma em cada 20 pessoas com diabetes.

Quem mantém bom controle da glicemia têm chance muito menor de desenvolver qualquer retinopatia. Nem sempre a retinopatia apresenta sintomas. A retina pode estar seriamente danificada antes que o paciente perceba uma alteração na visão. Por isso, é necessário consultar um oftalmologista anualmente ou a cada dois anos, mesmo que esteja se sentindo bem.

Pele mais sensível

Muitas vezes, a pele dá os primeiros sinais de que você pode estar com diabetes. Ao mesmo tempo, as complicações associadas podem ser facilmente prevenidas. Quem tem diabetes tem mais chance de ter pele seca, coceira e infecções por fungos e/ou bactérias, uma vez que a hiperglicemia favorece a desidratação – a glicose em excesso rouba água do corpo.

Por outro lado, se já havia algum problema dermatológico anterior, pode ser que o diabetes ajude a piorar o quadro. As altas taxas glicêmicas prejudicam também os pequenos vasos sanguíneos responsáveis pelo transporte de nutrientes para a pele e os órgãos.

A pele seca fica suscetível a rachaduras, que evoluem para feridas. Diabéticos têm a cicatrização dificultada (em razão da vascularização deficiente). Trata-se, portanto, de um círculo vicioso, cuja consequência mais severa é a amputação do membro afetado. Além de cuidar da dieta e dos exercícios, portanto, a recomendação é cuidar bem da pele também. Quando controlada, o diabetes pode não apresentar qualquer manifestação cutânea.

Saúde Mental

Ao receber o diagnóstico de diabetes, muitas pessoas apresentam várias reações emocionais, como choque, negação, medo, raiva, tristeza e ansiedade. Isso é absolutamente normal. O mental e o emocional podem ser afetados com o diagnóstico de alguma doença crônica, como o diabetes.

Negação

Geralmente a primeira reação diante do diagnóstico de uma doença crônica, como o diabetes, é de choque, seguido de descrença. É comum negarmos a realidade que nos ameaça. Agimos como se a doença não existisse ou minimizamos a sua gravidade, adiando as providências e os cuidados necessários.

A negação diante do diagnóstico pode fazer com que a pessoa se recuse a tomar as primeiras medidas para gerenciar a doença. Reconhecer que o diabetes terá um papel importante na sua vida é um passo fundamental para aceitar essa condição e viver de forma saudável com ela. 

O medo em relação ao que ‘vai acontecer’ geralmente está associado com a falta de informação. Essa sensação geralmente diminui com o tempo, na medida em que a pessoa aprende mais sobre o diabetes, compreende que muita coisa pode ser feita para evitar as complicações e passa a exercer mais controle sobre sua saúde.

Tristeza

“Minha vida mudou para sempre, nada será como antes”. Uma frase como essa pode indicar um desânimo. A boa notícia é que por mais difícil que pareça, isso pode ser superado. Conversar com outras pessoas que têm diabetes pode aliviar essa sensação. A equipe multidisciplinar de saúde envolvida no tratamento, sua família e seus amigos também são bons parceiros nessa situação. Sentir-se triste, às vezes, é normal. Entretanto, é preciso observar se a tristeza se tornou constante na sua vida.

A depressão é duas vezes mais comum entre as pessoas com diabetes. Se você tem experimentado dificuldade para dormir, está sempre cansado, evita tomar decisões e sente-se sem esperança ou desamparado, converse com a sua família e seu médico. Há tratamento com remédios e com psicoterapia com ótimos resultados.

Raiva

Eventos que não queremos, que não esperávamos e que não merecemos geram raiva. É natural a pessoa sentir raiva quando recebe o diagnóstico de diabetes. O problema da raiva está no exagero e na constância da revolta que pode assumir a forma de hostilidade. Uma das razões que fazem com que o diabetes seja um terreno fértil para a raiva é que a doença pode fazer com que você se sinta ameaçado, cercado de perigos – reações aos medicamentos, complicações – e isso faz com que você odeie o diabetes. E, se você odeia, não quer nem saber daquele assunto, certo? Errado. É possível aprender a usar essa raiva no controle do diabetes.

Identifique o que está causando a raiva e como isso está afetando a sua vida, mantendo um registro. Todas as noites, revise o dia e os momentos em que ficou com raiva. Pense o que você fez a respeito e anote. Depois de algumas semanas, revise essas anotações e procure padrões – são as situações sociais que incomodam? O uso de medicamentos?

Mude os pensamentos e atitudes que alimentam a raiva. Se você estiver se sentindo tenso, falando mais alto ou mais rápido, acalme-se. Aprenda a relaxar. Fale mais devagar, respire mais devagar, beba um gole de água, sente-se, fique um pouco em silêncio. O sentimento de raiva não vai embora, mas você o controla.

Faça com que a raiva trabalhe para você. O diário pode ajudar nisso. Com o que não estou conseguindo lidar? Quanto mais você compreender sua raiva, mais ela poderá ser um fator de crescimento e mudança no sentido de cuidar de você mesmo. 

Depressão

A depressão ocorre duas vezes mais em portadores de diabetes do que na população em geral. Ocorre em aproximadamente 20% dos portadores de diabetes tanto no tipo 1 quanto no tipo 2, sendo a taxa de depressão maior nas mulheres. A causa da depressão em portadores de diabetes ainda é desconhecida. Provavelmente é o resultado da interação entre fatores psicológicos, físicos e genéticos. A contribuição de cada um desses fatores para a depressão varia de paciente para paciente.

As restrições alimentares, o tratamento, as hospitalizações e o aumento nas despesas podem ser estressantes para o portador de diabetes. Lidar com as complicações quando o diabetes está mal controlado também pode contribuir pra a depressão. Alterações físicas associadas ao diabetes (neuroquímicas e neurovasculares) também podem ser fatores causais. Fatores genéticos não relacionados ao diabetes podem causar depressão em portadores de diabetes. Qualquer que seja a causa, a depressão pode afetar negativamente o controle do diabetes.

A depressão está associada ao pobre controle glicêmico que é a maior causa das complicações do diabetes. Abra-se com seu médico e outros membros da equipe multidisciplinar. Psicoterapia, medicação e uma combinação das duas coisas, dependendo do caso, têm apresentado excelentes resultados para o bem-estar e também para o controle da glicemia. Antidepressivos são bem tolerados e seguros para pessoas com diabetes, desde que ingeridos nos horários e doses recomendados.

É importante lembrar, no entanto, que cada pessoa responde de uma forma ao tratamento; e recuperar-se de uma depressão pode levar tempo. As doses dos medicamentos – que não têm efeito imediato – e o número de sessões de psicoterapia podem precisar de ajustes. É importante que o psicoterapeuta converse com o médico que trata o seu diabetes.

Ansiedade

Muitas pessoas com diabetes apresentam distúrbios de ansiedade. A má interpretação de alguns sintomas de hipoglicemia como sendo ansiedade pode prejudicar a rápida correção exigida pelas baixas taxas de glicemia. 

Uma ansiedade em relação a injeções e a visão de sangue também pode complicar a vida de quem precisa tomar diariamente insulina e fazer várias mensurações de glicemia por dia.

O medo de hipoglicemia, uma fonte comum de ansiedade em pessoas com diabetes, pode fazer com que os pacientes mantenham suas taxas glicêmicas acima dos alvos. Pais de crianças com diabetes também costumam apresentar um extremo medo de hipoglicemia.

A angústia do diabetes

Não é ‘só’ stress, não é ‘só’ preocupação, não é ‘só’ ansiedade. Não é depressão. Checar as taxas de glicemia, tomar a medicação, injetar insulina, contar carboidratos, atingir as metas na academia ou na corrida, aprender a cozinhar refeições mais saudáveis: uma lista extensa, que pode parecer sufocante, esmagadora. Essa sensação ganhou, recentemente, um nome: angústia do diabetes. Os médicos ainda estão tentando definir melhor essa complicação, mas já sabem de uma coisa: ela pode arrastar-se por meses e anos, drenando sua energia. Logo, precisa de atenção.

A angústia do diabetes pode reunir sinais de depressão, ansiedade e stress, tornando-a difícil de distinguir. Essas emoções podem estar relacionadas, por exemplo, ao medo de não conseguir tratamento adequado, ao fato de se sentir doente e à sensação de que as outras pessoas não compreendem o diabetes. E a angústia do diabetes prejudica justamente o nível de glicose no sangue. As altas taxas de glicose favorecem mais angústia. Se você acredita que “nada funciona” e os “remédios não funcionam”, é bem provável que se sinta inclinado a não tomar mais a medicação. E começa mais um círculo vicioso do diabetes.

Saúde Sexual

Os problemas sexuais são muito comuns, mas muitas vezes somos influenciados por uma imagem exagerada vendida pela mídia. Hoje, já há uma série de soluções para vários desses problemas, mas é preciso haver um diálogo franco com o médico. A saúde sexual também está diretamente relacionada às complicações do diabetes.

Disfunção erétil

A disfunção erétil (DE) é definida como incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção satisfatória para a atividade sexual. Apesar de ser muito comum entre a maioria dos homens em algum momento da vida, a disfunção atinge com uma frequência maior as pessoas com diabetes – e pode manifestar-se 5 a 10 anos mais cedo. Mesmo assim, a DE pode ser bem controlada em quase todos os homens portadores da doença.

Problemas de ejaculação

Distúrbios na ejaculação são um problema sexual comum em homens com diabetes, atingindo de 32 a 67% dessa população. Homens com diabetes que enfrentam essa questão e têm alguma preocupação com a fertilidade devem buscar orientação com os profissionais de saúde capacitados.

Por que acontece e o que fazer?

O diabetes sem controle causa danos às paredes dos vasos sanguíneos, que afetam a circulação e o fluxo de sangue para o pênis. Além disso, danos aos nervos podem prejudicar o processo. Em alguns casos, a DE pode ser um efeito colateral de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes.

O primeiro passo para chegar a um diagnóstico é contar ao seu médico, que fará algumas perguntas e exames para identificar a causa. Existem vários tratamento efetivos para a DE, e é importante que os cônjuges participem das discussões sobre as opções de tratamento.

Essas opções incluem medicamentos orais, que aumentam o fluxo sanguíneo para o pênis. Eles podem ser usados de forma segura na maioria dos homens com diabetes, mas não são indicados para homens com algumas condições cardíacas específicas. É importante ter orientação e acompanhamento médico para uso seguro e bem indicados dessas medicações.

Há ainda possibilidades como injeções, reposição hormonal, equipamentos mecânicos, implantes e cirurgias, já bem consolidadas na medicina e com bons resultados. Uma parte essencial do tratamento consiste, sempre, em gerenciar a glicemia, a pressão e o colesterol, além de abandonar o cigarro e fazer exercícios regularmente. A saúde sexual é um sinal da sua saúde geral.

ATENÇÃO: O autodiagnóstico e o autotratamento, com base nas informações que você lê ou recebe de amigos, pode até prolongar ou piorar o problema. O ideal é conversar com seu médico ou mesmo com outro membro da equipe multidisciplinar de saúde envolvida no tratamento, com quem você se sinta mais à vontade, para que haja uma orientação qualificada e segura.

E as mulheres?

A disfunção sexual do diabetes também pode afetar as mulheres. Altas taxas de glicose, lesões nos nervos, depressão e propensão a infecções genitais são alguns dos fatores que podem afetar a vida sexual da mulher com diabetes.

Fique atenta aos sinais:

  • Falta de interesse em sexo.
  • Secura vaginal.
  • Desconforto durante a relação sexual.
  • Dificuldade maior em chegar ao orgasmo.

A melhor forma de prevenção e tratamento é conversar com seu médico, para entender as causas e identificar as melhores medidas. A solução pode ser bem simples, como o uso de um lubrificante, ou demandar um acompanhamento maior. Mas não fique adiando a conversa com o especialista. Nem a sua felicidade.

Dia Mundial do Diabetes

Uma alimentação adequada com baixo teor de açúcar e a ingestão de alimentos não processados podem diminuir muito as chances de pré-diabéticos desenvolverem a doença, sem a necessidade de medicação. Evitar o consumo de alimentos utlraprocessados, que possuem altas concentrações de açúcar, gordura e sódio é uma das recomendações do Ministério da Saúde que constam no Guia Alimentar para a População Brasileira e podem contribuir também para a prevenção da doença. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes estimam que 40 milhões de brasileiros sejam pré-diabéticos, ou seja, possuem o nível elevado de glicemia de jejum, variando entre 100 e 125 mg/dl; e que 25% deste total pode desenvolver o diabetes tipo 2. As dicas são como alerta para o dia mundial do diabetes, comemorado anualmente em 14 de novembro, e serve de alerta ao consumo alimentar dos brasileiros.

Mitos e Verdades

Mito: Diabetes não é uma doença tão séria

Qual é a verdade? Se você controlar o diabetes adequadamente, você pode prevenir ou adiar as complicações. As condições associadas ao diabetes causam mais mortes do que o câncer de mama e a Aids juntas. Duas em cada três pessoas com diabetes morrem em função de problemas cardiovasculares ou derrame, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Mito: Se você está acima do peso ou obeso, um dia vai desenvolver Diabetes Tipo 2

Qual é a verdade? Estar acima do peso é sim um fator de risco para Diabetes Tipo 2, mas há outros, como a história familiar e a idade. Muitas pessoas acham que o sobrepeso é o único fator. Mas atenção: muitas pessoas magras ou com peso normal têm diabetes e muitas pessoas com sobrepeso nunca desenvolvem a doença.

Mito: É muito fácil saber se você tem diabetes, os sinais são claros

Qual é a verdade? O diabetes não tem sintomas claros. Algumas pessoas com pré-diabetes, por exemplo, podem apresentar sinais mais aparentes do que uma pessoa com diabetes. As complicações também não são iguais para todas as pessoas. É importante realizar exames de rotina, saber quais são os fatores de risco e buscar o diagnóstico.

Mito: Comer muito açúcar causa diabetes

Qual é a verdade? A resposta não é tão simples. Diabetes Tipo 1 é causada por fatores genéticos e outras causas ainda desconhecidas. Diabetes Tipo 2 é causada por fatores genéticos e estilo de vida.

Estar acima do peso contribui para o risco de desenvolvimento do Tipo 2, e uma dieta hipercalórica, não importando a fonte das calorias, favorece o ganho dos ‘quilos a mais’. Algumas pesquisas mostraram que o consumo de bebidas açucaradas, como sucos industrializados e refrigerantes, pode ter vínculo com o desenvolvimento de Diabetes Tipo 2.

Uma das medidas para prevenir Diabetes Tipo 2 é reduzir o consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, bebidas com suco de frutas, sucos e chás industrializados e bebidas energéticas, por exemplo.

Em uma garrafinha de 600 ml de refrigerante, há entre 60 e 70g de açúcar. Isso equivale a 13 pacotinhos de açúcar desses que a gente vê nas mesas de restaurante, ou a um terço de um corpo de 200 ml. É muito açúcar. Neste vídeo, dá para ter uma ideia melhor do que representa essa quantidade, veja:

Mito: Pessoas com diabetes devem comer alimentos especiais para diabéticos

Qual é a verdade? Uma refeição saudável significa, geralmente, a mesma coisa para uma pessoa com diabetes e uma pessoa sem diabetes. Com pouca gordura, principalmente saturada e trans; moderada em sal e açúcar; privilegiando cereais integrais, vegetais e frutas. Comida ‘dietética’ quase sempre não oferece benefícios extras. Alguns desses produtos ainda contribuem para aumentar os níveis de glicose, geralmente são mais caros e podem até ter efeito laxante. A alimentação saudável é aquela indicada pela equipe multidisciplinar, formada por médicos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, cardiologistas, podólogos e enfermeiros.

Mito: Se você tem diabetes, só deve comer pequenas quantidades de alimentos ricos em amido, como pão, batata e massas

Qual é a verdade? Depende. Alimentos ricos em amido podem fazer parte do planejamento de uma alimentação saudável, mas o tamanho da porção é a chave. Pães integrais, cereais, massa, arroz e vegetais como batatas, inhame, ervilha e milho podem ser incluídos nas refeições e petiscos. Você está se perguntando quanto de carboidrato pode comer? Isso vai depender do controle que você faz – dependendo de como estão seus níveis de glicose no sangue, você precisará comer mais ou menos carboidratos. 

Mito: Pessoas com diabetes não podem comer doces ou chocolate

Qual é a verdade? Doces e chocolates podem ser consumidos por pessoas com diabetes, se estiverem dentro de um planejamento alimentar combinado com exercícios físicos. Há algum tempo, eles deixaram de ser proibidos. O ‘pulo do gato’ em relação aos doces e chocolates é que eles devem ser consumidos em pequenas porções e em ocasiões especiais, ou seja, nesses dias você poderá focar as refeições em opções mais saudáveis, permitindo a ingestão de doces. Outra dica importante é evitar pular refeições.

Mito: Diabetes pode ser transmitido de uma pessoa para outra

Qual é a verdade? Não. Diabetes não é contagiosa. As causas são genéticas e, no caso do Tipo 2, associadas ao estilo de vida. Veja mais em Fatores de Risco para diabetes

Mito: Pessoas com diabetes estão mais propensa a ter gripes e outras doenças

Qual é a verdade? Não. Não há comprovação de que você estará mais sujeito a gripes e resfriados, mas é importante se prevenir. Pessoas com diabetes são aconselhadas a tomar vacinas contra a gripe porque a virose pode tornar o diabetes mais difícil de controlar e também porque, nesse grupo, a gripe pode evoluir mais frequentemente para complicações sérias.

Mito: Se você tem Diabetes Tipo 2 e é comunicado pelo médico que deverá começar a tomar insulina, isso significa que você falhou no controle

Qual é a verdade? Para a maioria das pessoas, o Diabetes Tipo 2 é uma doença progressiva. Assim que diagnosticadas, muitas pessoas conseguem manter seu nível de glicose normal apenas com o uso de medicamentos orais, planejamento alimentar e atividade física. Ao longo do tempo, no entanto, o organismo produz cada vez menos insulina. A medicação pode não ser suficiente para controlar a taxa de glicemia. Usar insulina para controlar a glicose é uma coisa boa, não ruim.

Mito: Frutas são ‘comida saudável’, então posso comer o quanto quiser

Qual é a verdade? Frutas são alimentos saudáveis. Elas contém fibras, vitaminas e minerais. A segunda parte da frase, no entanto, tem como resposta: depende. Depende do tipo de fruta, das suas taxas de glicemia, das suas refeições e outros fatores. Por conter carboidratos, as frutas devem ser incluídas no planejamento alimentar e na contagem. Converse com sua equipe multidisciplinar sobre a quantidade, a frequência e os tipos de frutas aconselhados para você. 

Transtornos alimentares

Adolescentes e mulheres jovens com diabetes Tipo 1 têm o dobro de chances de desenvolver um transtorno alimentar – cerca de 10% delas vai apresentar algum problema como anorexia ou bulimia. Alguns autores atribuem a este problema o termo diabulimia.

Uma das explicações possíveis é a maior atenção que as pessoas com diabetes geralmente dá à sua alimentação e também as mudanças no peso causadas pela terapia com insulina. Pesquisadores estimam que entre 10 e 20% das adolescentes até os 16 anos e entre 30 e 40% das jovens entre 16 e 25 anos com diabetes alteram a dosagem de insulina para controlar o peso.

Essa é uma medida perigosa e que pode provocar, em um futuro próximo, efeitos indesejados e que ameaçam a vida: descontrole geral do metabolismo e sucessivas internações por níveis muito altos ou muito baixos de glicose. Caso esse problema de controle da glicemia persista, já vimos, aqui nessa seção Complicações, que podem surgir problemas nos olhos, coração, rins, saúde mental e aos nervos.

 

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