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Difteria

Difteria: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Sexta, 28 de Abril de 2017, 18h28 | Última atualização em Quinta, 29 de Novembro de 2018, 13h54

O que é difteria?

A difeteria, também conhecida como "crupe", é uma doença transmissível aguda, toxiinfecciosa e imunoprevenível, causada por bactéria, que se aloja principalmente nas amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, em outras mucosas do corpo, além da pele.

A presença de placas pseudomembranosas branco-acinzentadas, aderentes, que se instalam nas amígdalas e invadem estruturas vizinhas, é a manifestação clínica típica da difteria. Em casos mais severos, que são raros, pode ocorrer um inchaço grave no pescoço, com aumento dos gânglios linfáticos, gerando dificuldade de respirar ou até mesmo bloqueio total da respiração.

IMPORTANTE: Após o surgimento da vacina tríplice bacteriana e da vacina pentavalente, o número de casos de difteria se tornou muito raro no Brasil. A vacina é a melhor, mais eficaz e principal forma de prevenir a difteria.

A difteria ocorre durante todos os períodos do ano e pode afetar todas as pessoas não imunizadas, de qualquer idade, raça ou sexo. Observa-se um aumento de sua incidência nos meses frios e secos (outono e inverno), quando é mais comum a ocorrência de infecções respiratórias, principalmente devido à aglomeração em ambientes fechados, que facilitam a transmissão do bacilo. Contudo, não se observa esse padrão sazonal nas regiões sem grandes oscilações de temperatura.

A doença ocorre com maior frequência em áreas com precárias condições socioeconômicas, onde a aglomeração de pessoas é maior e onde se registram baixas coberturas vacinais. Os casos são raros quando as coberturas vacinais atingem patamares de 80%.

Como a difteria é transmitida?

A transmissão da difteria ocorre basicamente por meio da tosse, espirro ou por lesões na pele, ou seja, a bactéria da difteria é transmitida pelo contato direto da pessoa saudável com a pessoa doente, por meio de gotículas de secreção respiratória, eliminadas por tosse, espirro ou ao falar.

Em casos raros, pode ocorrer a contaminação por objetos pessoais capazes de absorver e transportar micro-organismos, como a bactéria causadora da difteria.

O período de incubação da difteria, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer desde a infecção da pessoa, é, em geral, de 1 a 6 dias, podendo ser mais longo. Já o período de transmissibilidade da doença dura, em média, até 2 semanas após o início dos sintomas.

O quê causa a difteria?

A difteria é causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, que se hospeda na própria pessoa doente ou no portador, ou seja, aquele que tem a bactéria no organismo e não apresenta sintomas. A via respiratória superior e a pele são os locais preferidos e, normalmente colonizados pela bactéria.

Como é feito o diagnóstico da difteria?

O diagnóstico da difteria é clínico, após análise detalhada dos sintomas e características típicas da doença por um profissional de saúde. 

Além disso, o médico pode solicitar exame de sangue e cultura para colher amostras da inflamação na garganta ou na pele, o que pode confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial da difteria deverá ser feito com as patologias descritas a seguir:

  • Difteria cutânea – impetigo, ectima, eczema, úlceras;

  • Difteria nasal – rinite estreptocócica, rinite sifilítica, corpo estranho nasal;

  • Difteria amigdaliana ou faríngea – amigdalite estreptocócica, angina monocítica, angina de Plaut Vicent, agranulocitose;

  • Difteria laríngea – crupe viral, laringite estridulosa, epiglotite aguda, inalação de corpo estranho.

Diagnóstico laboratorial

Realizado mediante a identificação e isolamento do C. diphtheriae por meio de cultura de material, coletado com técnica adequada, das lesões existentes (ulcerações, criptas das amígdalas), exsudatos de orofaringe e de nasofaringe, que são as localizações mais comuns, ou de outras lesões cutâneas, conjuntivas, genitália externa, etc., mesmo sem as provas de toxigenicidade. A bacterioscopia não tem valor no diagnóstico da difteria, devido à baixa especificidade do método.

Difteria: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Quais são os sintomas da difteria?

Os principais sintomas da difteria, que surgem geralmente após seis dias da infecção da pessoa, são:

  • Membrana grossa e acinzentada, cobrindo a garganta e amígdalas.

  • Dor de garganta e rouquidão.

  • Glânglios inchadas (linfonodos aumentados) no pescoço.

  • Dificuldade em respirar ou respiração rápida.

  • Corrimento nasal.

  • Febre e calafrios.

  • Mal-estar geral.

IMPORTANTE: Algumas pessoas podem ser infectadas pela difteria e apresentar sintomas leves ou até mesmo não ter nenhum tipo de sinal da doença.

Em casos mais raros e graves, além da infecção na garganta a difteria pode afetar a pele e provocar os seguintes sintomas:

  • dor;

  • vermelhidão;

  • inchaço;

  • úlceras cobertas por uma membrana cinza.

Quais são os fatores de risco para a difteria?

Qualquer pessoa, de qualidade idade e sexo está suscetível a contrair a difteria, mas existem alguns grupos e fatores que aumentam os fatores de risco.

  • Crianças e adultos que não receberam a vacina.

  • Pessoas que vivem em condições de superlotação ou insalubres.

  • Pessoas que viajam para uma região onde a difteria é endémica.

Como é feito o tratamento da difteria?

O tratamento da difteria é feito com o soro antidiftérico (SAD), que deve ser ministrado em unidade hospitalar. A finalidade do tratamento é inativar a toxina circulante o mais rapidamente possível e permitir a circulação de excesso de anticorpos, em quantidade suficiente para neutralizar a toxina produzida pelas bactérias.

O uso do antibiótico é considerado como medida auxiliar da terapia específica, objetivando interromper a produção de exotoxina pela destruição dos bacilos diftéricos. O principal antibiótico é benzetacil. 

A equipe médica também podem remover algumas das membranas que se formam na garganta, caso elas estejam obstruindo a respiração. O melhor tratamento é feito de acordo com cada caso, conforme avaliação e indicação médica.

Nota informativa nº 153/2018 - Medidas para notificação de difteria

Informe sobre coleta, acondicionamento e transporte de material suspeito de difteria

Quais complicações a difteria pode causar?

A difteria, se não for tratada rapida e corretamente, pode provocar algumas complicações. Além dos sintomas tradicionais se intensificarem, a pessoa pode ter inchaço dos gânglios linfáticos da garganta, obstruindo a respiração,. Nesses casos, dependendo da situação, o quadro pode, inclusive, levar a pessoa à morte. Além disso, a toxina produzida pela bactéria pode levar a problemas neurológicos ou cardíacos.

Por isso, no surgimento de qualquer sinal, é fundamental procurar ajuda médica para iniciar o tratamento o mais breve possível. A maior parte das pessoas se recupera bem e não fica com sequelas da doença.

Como prevenir a difteria?

A vacinação é o principal meio de controle e prevenção da difteria. É preciso manter o esquema vacinal de crianças, adolescentes e adultos sempre atualizado.

Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação

Situação epidemiológica da difteria

O Brasil, desde a década de 1990, apresentou importante redução na incidência dos casos, mediante a ampliação das coberturas vacinais. Naquela década, a incidência chegou a 0,45/100 mil hab., diminuindo à medida que as coberturas elevaram-se. Entre  2008  a  2017, ocorreram 10 óbitos pela doença, 3 dos quais no ano de 2010. Em 2017 ocorreu um óbito referente a um caso importado da Venezuela. A letalidade esperada varia entre 5 e 10%, atingindo 20% em certas situações. A cobertura vacinal com a DTP vem-se elevando neste período, passando de 66%, em 1990, para mais de 95%, em 2015. Nos anos de 2016 e 2017 a cobertura foi de 92 e 79% respectivamente.

Publicações sobre difteria

Viajantes - difteria

É considerado caso suspeito toda pessoa independentemente da idade e do estado vacinal que apresente quadro agudo de infecção da orofaringe, com presença de placas aderentes ocupando as amígdalas, com ou sem invasão de outras áreas da faringe (palato e úvula) ou outras localizações (ocular, nasal, vaginal, pele, por exemplo), com comprometimento do estado geral e febre moderada.

Desde 2016, a Venezuela, país vizinho do Brasil tem apresentado aumento do número de casos de difteria e portanto todos que irão viajar para este país devem estar com a caderneta atualizada.

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