Ir direto para menu de acessibilidade.
    Você está aqui:
  1. Página inicial
  2. >
  3. Saúde de A a Z
  4. >
  5. Doença de Chagas
Início do conteúdo da página
Doença de Chagas

Doença de Chagas: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Sexta, 28 de Abril de 2017, 18h29 | Última atualização em Segunda, 10 de Dezembro de 2018, 16h25

O que é Doença de Chagas?

A doença de Chagas (ou Tripanossomíase americana) é a infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Apresenta uma fase aguda (doença de Chagas aguda – DCA) que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.

IMPORTANTE:  Se não tratada adequadamente e em casos mais graves, especialmente na fase crônica, a Doença de Chagas pode levar à insuficiência cardíacada e desnutrição.

Como a doença de chagas é transmitida?

A doença de chagas é transmitida basicamente por meio da picada de insetos hematófagos, conhecidos como "barbeiros" ou "bicudos". Em função de ações de controle desses vetores a partir da década de 1970, o Brasil recebeu em 2006 a Certificação Internacional pela Interrupção da Transmissão de Doença de Chagas pelo Triatoma infestans, espécie exótica e responsável pela maior parte da transmissão vetorial no passado. 

Hoje, a transmissão da doença não se dá mais apenas por meio do contato direto do parasita, ou seja, pela picada do inseto, mas principalmente pelo contato indireto, que acontece por meio da ingestão de alimentos contaminados com fezes do barbeiro ou com o inseto que contenha este parasita.

As principais formas de transmissão da doença de chagas são:

  • Vetorial: contato com fezes de triatomíneos infectados, após picada/repasto (os triatomíneos são insetos popularmente conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo).

  • Oral: ingestão de alimentos contaminados com parasitos provenientes de triatomíneos infectados.

  • Vertical: ocorre pela passagem de parasitos de mulheres infectadas por T. cruzi para seus bebês durante a gravidez ou o parto.

  • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios.

  • Acidental: pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.

O período de incubação da Doença de Chagas, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte forma:

  • Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.

  • Transmissão transfusional/transplante – de 30 a 40 dias ou mais.

  • Transmissão oral – de 3 a 22 dias.

  • Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias.

Doença de Chagas: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

O quê causa a Doença de Chagas?

O causador da Doença de Chagas é o parasita Trypanosoma cruzi, que é da mesma família do tripanosoma africano, responsável pela doença do sono. O parasita pode ser encontrado nas fezes de alguns insetos, principalmente um do "barbeiro" ou "bicudo", e é um dos maiores problemas de saúde na América do Sul, América Central e também do México.

É possível contaminar-se também com a doença a partir da ingestão de alimentos crus e contaminados com fezes do parasita, da transfusão de sangue ou transplantes de órgãos contaminados com a doença, do contato direto com o parasita e com outros animais que estejam infectados. A Doença de Chagas também pode ser congênita, no caso de mães infectadas que transmitem esse mal para o filho durante a gravidez.

O período de incubação, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte forma:

  • Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.

  • Transmissão transfusional – de 30 a 40 dias ou mais.

  • Transmissão oral – de 3 a 22 dias.

  • Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias.

Quais são os fatores de risco da Doença de Chagas?

Qualquer pessoa está suscetível à infecção da Doença de Chagas, mas existem alguns fatores de risco que auxiliam na contaminação, como:

  • Habitar em locais onde insetos transmissores vivam nas paredes.

  • Viver sob condições extremas de pobreza.

  • Receber transfusão de sangue ou um transplante de órgão de uma pessoa portadora do parasita.

IMPORTANTE:  Pessoas que viajam para a região Norte do Brasil devem tomar cuidado ao ingerir alimentos como caldo de cana e açaí, pois em alguns casos o parasita pode ter sido moído juntamente com as plantas que dão origem a esses alimentos.

Como é feito o diagnóstico da Doença de Chagas?

Na fase aguda da Doença de Chagas, o diagnóstico o se baseia em na presença de febre prolongada (mais de 7 dias) e outros sinais e sintomas sugestivos da doença, como fraqueza intensa e inchaço no rosto e pernas, e na presença de fatores epidemiológicos compatíveis, como a ocorrência de surtos (identificação entre familiares/contatos).

Já na fase crônica, a suspeita diagnóstica é baseada nos achados clínicos e na história epidemiológica, porém ressalta-se que parte dos casos não apresenta sintomas, devendo ser considerados os seguintes contextos de risco e vulnerabilidade:

  • Ter residido, ou residir, em área com relato de presença de vetor transmissor (barbeiro) da doença de Chagas ou ainda com reservatórios animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi;

  • Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam a colonização por triatomíneos);

  • Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo da ocorrência da transmissão da doença no passado;

  • Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 1992;

  • Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial ser filho (a) de mãe com infecção comprovada por T. cruzi.

IMPORTANTE: Para confirmação laboratorial é necessária a realização de exame de sangue (parasitológico e/ou sorológico, a depender da fase da doença) que é realizado gratuitamente pelo SUS. É importante que você procure um médico para que ele possa solicitar os exames e interpretá-los adequadamente, além de avaliar caso a caso os sintomas e sinais clínicos de cada pessoa.

Quais são os sintomas da Doença de Chagas?

A Doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se apresenta, que é a aguda e a crônica. A fase aguda, que é a mais leve, a pessoa pode apresentar sinais moderados ou até mesmo não sentir nada. 

Nessa fase, os principais sintomas são:

  • Febre prolongada (mais de 7 dias).

  • Dor de cabeça.

  • Fraqueza intensa.

  • Inchaço no rosto e pernas.

  • Dor de estômago.

  • Vômito.

  • Diarreia.

IMPORTANTE:  Os sintomas da fase aguda da Doença de Chagas podem desaparecer sozinhos, mas se eles persistirem e não forem tratados corretamente a doença pode evoluir para a fase crônica.

A fase crônica da doença pode levar anos para se manifestar, mas quando os sintomas começam a aparecer o corpo apresenta os seguintes sinais:

  • Constipação.

  • Problemas digestivos.

  • Dor no abdômen.

  • Dificuldades para engolir.

  • Batimentos cardíacos irregulares.

  • Aumento do coração.

  • Aumento do baço.

  • Falta de ar intensa.

  • Acúmulo de água no coração e pulmão.

Como é feito o tratamento da Doença de Chagas?

O tratamento da doença de chagas deve ser indicado por um médico, após a confirmação da doença. O remédio, chamado benznidazol, é fornecido pelo Ministério da Saúde, gratuitamente, mediante solicitação das Secretarias Estaduais de Saúde e deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for identificada. Para as pessoas na fase crônica, a indicação desse medicamento depende da forma clínica e deve ser avaliada caso a caso.

Em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol, o Ministério da Saúde disponibiliza o nifurtimox como alternativa de tratamento, conforme indicações estabelecidas em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.

Independente da indicação do tratamento com benznidazol ou nifurtimox, as pessoas na forma cardíaca e/ou digestiva devem ser acompanhadas e receberem o tratamento adequado para as complicações existentes.

IMPORTANTE:  O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença de Chagas estabelece, com base em evidências, as diretrizes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas afetadas pela infecção por Trypanosoma cruzi em suas diferentes fases (aguda e crônica) e formas clínicas, além de situações especiais como gestantes e condições de imunossupressão, servindo de subsídio a gestores, profissionais e usuários do SUS, visando garantir a assistência terapêutica integral.

Como prevenir a Doença de Chagas?

A prevenção da doença de Chagas está intimamente relacionada à forma de transmissão. Uma das formas de controle é evitar que o inseto “barbeiro” forme colônias dentro das residências, por meio da utilização de inseticidas residuais por equipe técnica habilitada. Em áreas onde os insetos possam entrar nas casas voando pelas aberturas ou frestas, podem-se usar mosquiteiros ou telas metálicas.

Recomenda-se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata.

Quando o morador encontrar triatomíneos no domicílio:

  • Não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto;

  • Proteger a mão com luva ou saco plástico;

  • Os insetos deverão ser acondicionados em recipientes plásticos, com tampa de rosca para evitar a fuga, preferencialmente vivos;

  • Amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas, separadamente, em frascos rotulados, com as seguintes informações: data e nome do responsável pela coleta, local de captura e endereço.

Em relação à transmissão oral, as principais medidas de prevenção são:

  • Intensificar ações de vigilância sanitária e inspeção, em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação, com especial atenção ao local de manipulação de alimentos.

  • Instalar a fonte de iluminação distante dos equipamentos de processamento do alimento para evitar a contaminação acidental por vetores atraídos pela luz.

  • Realizar ações de capacitação para manipuladores de alimentos e de profissionais de informação, educação e comunicação.

  • Resfriamento ou congelamento de alimentos não previne a transmissão oral por T. cruzi, mas sim o cozimento acima de 45°C, a pasteurização e a liofilização.

As instituições de pesquisa vêm investindo em aplicativos gratuitos para a identificação de triatomíneos. A Fiocruz - Minas Gerais desenvolveu um aplicativo gratuito para identificação de triatomíneos, Triatokey, no qual o usuário responde perguntas sobre características visíveis do inseto a ser identificado. Acontece um processo de eliminação, por meio das perguntas, que estreita as possibilidades chegando-se ao gênero do animal e a um pequeno número de espécies dentro daquele gênero, sendo de grande utilidade nas atividades de vigilância.

Acesse o aplicativo clicando aqui

A Universidade de Brasília desenvolveu o aplicativo Triatodex, que também tem por objetivo a identificação de triatomíneos até nível de espécie. Ainda, contém informações sobre distribuição geográfica, tamanho, habitats e importância médica das espécies encontradas.

O aplicativo pode ser acessado clicando aqui

Situação epidemiológica - Doença de Chagas

Em função das ações de controle de vetores realizadas a partir da década de 1970, o Brasil recebeu em 2006 a certificação Internacional da interrupção da transmissão vetorial pelo Triatoma infestans, espécie exótica e responsável pela maior parte da transmissão vetorial no passado. Porém, estima-se que existam aproximadamente 12 milhões de portadores da doença crônica nas Américas, e que haja no Brasil, atualmente, pelo menos um milhão de pessoas infectadas por T. cruzi.

A alteração do quadro epidemiológico da doença de Chagas (DC) no Brasil promoveu a mudança nas ações e estratégias de vigilância, prevenção e controle, por meio da adoção de um novo modelo de vigilância epidemiológica.  Entretanto, o risco de transmissão vetorial da doença de Chagas persiste em função da:

  • Existência de espécies de triatomíneos autóctones com elevado potencial de colonização;

  • Presença de reservatórios de T. cruzi e da aproximação cada vez mais frequente das populações humanas a esses ambientes;

  • Persistência de focos residuais de T. infestans, ainda existentes em alguns municípios dos estados da Bahia e do Rio Grande do Sul.

Soma-se a esse quadro a ocorrência de casos e surtos por transmissão oral pela ingestão de alimentos contaminados (caldo de cana, açaí, bacaba, entre outros), vetorial domiciliar sem colonização e vetorial extradomiciliar, principalmente na Amazônia Legal. Entre o período de 2008 a 2017, foram registrados casos confirmados de doença de Chagas aguda na maioria dos estados brasileiros. Entretanto, a maior distribuição, cerca de 95%, concentra-se na região Norte. Destes, o estado do Pará é responsável por 83% dos casos. Em relação às principais formas prováveis de transmissão ocorridas no país, 72% foram por transmissão oral, 9% por transmissão vetorial e em 18% não foi identificada a forma de transmissão.

::. CASOS AGUDOS CONFIRMADOS NO SINAN POR UF DE RESIDÊNCIA (2008 A 2017)

::.LISTA DE MUNICÍPIOS COM REGISTRO DE CASOS AGUDOS CONFIRMADOS NO SINAN (2008 A 2017)

::. Boletim Epidemiológico - Volume 46 - nº 21 - 2015 - Doença de Chagas aguda no Brasil: série histórica de 2000 a 2013

Mesmo com o controle da ocorrência de novos casos da doença na maioria do território nacional, a magnitude da DC no Brasil permanece relevante. Apesar de não haver dados sistemáticos relativos à prevalência da doença, em estudos recentes as estimativas de prevalência variaram de 1,0 a 2,4% da população, o equivalente a 1,9 a 4,6 milhões de pessoas infectadas por T. cruzi. Reflexo disso é a elevada carga de mortalidade por DC no país, representando uma das quatro maiores causas de mortes por doenças infecciosas e parasitárias.

::.Taxas de mortalidade por doença de Chagas por UF de residência (2014 a 2016)

SAGE – Situação de Saúde - Mortalidade - Doenças Infecciosas e Parasitárias http://sage.saude.gov.br/#

Além dos dados de mortalidade, o DATASUS disponibiliza outras informações de morbidade da doença de Chagas para tabulação

Viajantes - Doença de Chagas

É considerado caso suspeito de Doença de Chagas o viajante que tenha ingerido alimento suspeito contaminado por T. cruzi ou visitado área com presença de triatomíneos e apresente febre prolongada (superior a 7 dias), acompanhado de pelo menos um dos seguintes sinais:

  • Edema de face ou de membros.

  • Exantema.

  • Adenomegalia.

  • Hepatomegalia.

  • Esplenomegalia.

  • Cardiopatia aguda (taquicardia, sinais de insuficiência cardíaca).

  • Manifestações hemorrágicas.

  • Sinal de Romaña ou chagoma de inoculação.

Orientações sobre Doença de Chagas para profissionais de saúde Fechar

Os casos suspeitos de doença de Chagas aguda - DCA são de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde, conforme Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de Setembro de 2017, anexo V - Capítulo I. A unidade de saúde notificadora deve utilizar a ficha de notificação/investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan (http://portalsinan.saude.gov.br/doenca-de-chagas-aguda), encaminhando-a para ser processada conforme o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde. Ressalta-se que os casos de transmissão vertical identificados até dois anos de idade também devem ser notificado como DCA.

Na ocorrência de surtos por transmissão oral, além da notificação individual obrigatória, é importante que estes surtos sejam notificados e investigados junto às equipes de vigilância epidemiológica das doenças de transmissão hídrica e alimentar. http://portalsinan.saude.gov.br/surto

Os casos crônicos até o momento não devem ser notificados no Sinan, porém, perante a identificação de um caso crônico está indicada a realização de investigação sorológica nos demais membros da família (pais, irmãos e filhos) e outras pessoas que convivem ou conviveram com o doente, na intenção de identificar outros portadores da doença. Todos os portadores de T. cruzi devem ser avaliados e acompanhados pelas equipes de saúde da família e por especialistas sempre que indicado pelo médico da equipe.

Rastreamento

O rastreamento visa identificar a doença em indivíduos assintomáticos, e deve ser estruturado a partir da atenção primária dos municípios prioritários, através de programas organizados. Além disso, o PCDT para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos recomenda a realização de sorologia para doença de Chagas em toda pessoa infectada pelo HIV e com história epidemiológica compatível com infecção por T. cruzi.

Recomendações de rastreamento

  • Indivíduos com fatores de risco;

  • Gestantes sem sorologia prévia, com fatores de risco.

Fatores de risco

  • Ter residido na infância ou residir em área com relato de presença de vetor transmissor da doença de Chagas ou ainda com reservatórios animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi;

  • Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam a colonização por triatomíneos);

  • Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo de ocorrência da transmissão da doença no passado;

  • Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 1992;

  • Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial ser filho (a) de mãe com infecção comprovada por T. cruzi.

Informações Técnicas

- Aspectos clínicos

  1. I. Fase aguda (inicial): A manifestação mais característica é a febre, sempre presente, usualmente prolongada, constante e não muito elevada (37,5º a 39º C), podendo apresentar picos vespertinos ocasionais. Essa fase persistir por até 12 semanas e os sinais e sintomas podem desaparecer espontaneamente, evoluindo para a fase crônica, ou progredir para formas agudas graves.
  2. II. Fase crônica: Inicialmente, é assintomática e sem sinais de comprometimento cardíaco e/ou digestivo. Pode apresentar-se das seguintes formas:
  • Forma indeterminada: paciente assintomático e sem sinais de comprometimento do aparelho circulatório (clínica, eletrocardiograma e radiografia de tórax normais) e do aparelho digestivo (avaliação clínica e radiológica normais de esôfago e cólon). Esse quadro poderá perdurar por toda a vida da pessoa infectada ou pode evoluir tardiamente para:
  • Forma cardíaca: evidências de acometimento cardíaco que, frequentemente, evolui para quadros de miocardiopatia dilatada e insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Essa forma ocorre em cerca de 30% dos casos crônicos, sendo a principal responsável pela mortalidade por doença de Chagas crônica;
  • Forma digestiva: evidências de acometimento do aparelho digestivo que, frequentemente, evolui para megacólon ou megaesôfago.
  • Forma associada (cardiodigestiva): com ocorrência concomitante de lesões compatíveis com as formas cardíacas e digestivas.

- Aspectos laboratoriais

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença de Chagas  

Diagnóstico da doença de Chagas aguda por critérios laboratoriais:

A confirmação pelo critério sorológico deve ser avaliada criteriosamente levando em consideração o intervalo entre as datas de início de sintomas e coleta da amostra de sangue, além de evidências clínicas epidemiológicas. b Na detecção de imunoglobulina M (IgM) – descartar o caso somente após a avaliação da sorologia por imunoglobulina G (IgG). Considerar soro reagente para IgM o título ≥ 1:40 e para IgG ≥ 1:80. c Para confirmação pelo marcador IgG, são necessárias duas coletas com intervalo mínimo de 15 dias entre uma e outra, sendo preferencialmente execução pareada (inclusão da primeira e da segunda amostras no mesmo ensaio para efeitos comparativos).

Diagnóstico da doença de Chagas na fase crônica por critérios laboratoriais:

a Cenários sem uma rede laboratorial adequada, investigação diagnóstica em pacientes com difícil acesso aos serviços de saúde e em gestantes com suspeita de doença de Chagas durante o pré-natal ou em trabalho de parto. b O terceiro teste realizado pode ser qualquer um dos seguintes: ELISA, IFI, HAI, WB ou CLIA.

- Diagnóstico diferencial

Para a fase aguda, devem ser considerados agravos como leishmaniose visceral, malária, dengue, febre tifoide, toxoplasmose, mononucleose infecciosa, esquistossomose aguda, infecção por coxsakievírus, sepse e doenças autoimunes. Também doenças que podem cursar com eventos íctero-hemorrágicos, como leptospirose, dengue, febre amarela e outras arboviroses, meningococcemia, sepse, hepatites virais, febre purpúrica brasileira, hantaviroses e rickettsioses.

Vigilância entomológica e ambiental

Os aspectos ambientais são muito relevantes na investigação de um caso de doença de Chagas aguda. Somente após a realização da investigação entomológica é possível verificar a necessidade de utilização de agentes químicos. Ressalta-se que ações de vigilância epidemiológica, entomológica e ambiental devem ser realizadas com vistas à manutenção e sustentabilidade da interrupção da transmissão da doença pelo T. infestans e por outros vetores passíveis de domiciliação.

A maioria das espécies de triatomíneos conhecidas vive no meio silvestre, associadas a uma diversidade de fauna e flora. Qualquer mamífero pode albergar o parasito, enquanto aves e répteis são refratários à infecção. Os principais reservatórios no ciclo silvestre são gambás, tatus, cães, gatos, ratos, etc. É importante ter em mente que essa associação a hábitats é dinâmica, ou seja, uma espécie de triatomíneo hoje considerada exclusivamente silvestre pode tornar-se domiciliada se as condições em que vive forem alteradas.

Das 141 espécies de triatomíneos conhecidas atualmente, 68 foram identificadas no Brasil e são encontradas em vários estratos florestais, de todos os biomas. Com a interrupção da transmissão vetorial por Triatoma infestans no país, quatro outras espécies de triatomíneos têm especial importância na transmissão da doença ao homem: T. brasiliensis, Panstrongylus megistus, T. pseudomaculata e T. sordida.

A vigilância entomológica para doença de Chagas deve ser implantada em todo o país, respaldada em dois pilares:

  • Vigilância por participação da população na notificação de triatomíneos.
  • Vigilância ativa – realizada por equipes de entomologia do município ou do estado, sem necessariamente estar baseada na prévia notificação pelo morador.

Para o controle específico de vetores que colonizam domicílios, o Ministério da Saúde adota algumas medidas, como utilização de inseticidas de ação residual, além do programa de melhoria habitacional da Funasa - http://www.funasa.gov.br/web/guest/melhorias-habitacionais-para-o-controle-da-doenca-de-chagas, que beneficiam as comunidades assistidas quando aliados a ações de caráter educativo. A melhoria habitacional só é recomendada nos casos em que as habitações tenham condições físicas que favoreçam a colonização de triatomíneos associados à presença de vetores reconhecidamente colonizadores, aliados à dificuldade de êxito no controle desses vetores com inseticida.

>> NT 36/2012 - Orientações sobre vigilância entomológica e a utilização de inseticida de ação residual no controle de triatomíneos - vetores da doença de Chagas (arquivo pdf anexo)

As ações de vigilância na região amazônica devem ser estruturadas e executadas de forma extensiva e regular por meio de: detecção de casos febris, apoiada na vigilância da malária; identificação e mapeamento de marcadores ambientais, a partir do reconhecimento dos ecótopos preferenciais das diferentes espécies de vetores prevalentes e na investigação de situações em que há evidências ou suspeita de domiciliação de alguns vetores.

Publicações

>> Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), 2018

http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2018/Recomendacao/Relatorio_PCDT_Doenca_de_Chagas.pdf

>> Guia de Vigilância em Saúde – Volume único – 2ª edição (SVS/MS) http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/PDF/2017/outubro/16/Volume-Unico-2017.pdf

>> II Consenso Brasileiro em doença de Chagas, 2015

http://www.scielo.br/pdf/ress/v25nspe/2237-9622-ress-25-esp-00007.pdf

>> Boletim Epidemiológico - Volume 46 - nº 21 - 2015 - Doença de Chagas aguda no Brasil: série histórica de 2000 a 2013   http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2015/agosto/03/2014-020..pdf 

>> NT 36/2012 - Orientações sobre vigilância entomológica e a utilização de inseticida de ação residual no controle de triatomíneos - vetores da doença de Chagas (arquivo pdf anexo)

>>Atlas iconográfico dos triatomíneos do Brasil (vetores da doença de Chagas) http://www.fiocruz.br/ioc/media/Atlas_triatominio_jurberg.pdf

>> Cards – Vetores da doença de Chagas no Brasil:

>> Fundação Nacional de Saúde. Controle de Vetores – Procedimento de Segurança, 1a edição – Brasília, 2001. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/controle_vetores.pdf

>> Caderno de Atenção Básica nº 22 – Zoonoses http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigilancia_saude_zoonoses_p1.pdf

>> Guia para vigilância, prevenção, controle e manejo clínico da doença de Chagas aguda transmitida por alimentos (OPAS/OMS). http://bvs.panalimentos.org/local/File/Guia_Doenca_Chagas_2009.pdf

>> Estimativas de prevalência:

>> Portarias e Resoluções relacionadas:

  • Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de Setembro de 2017 - http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0004_03_10_2017.html
  • Portaria nº 57, de 30 de outubro de 2018 - Torna pública a decisão de aprovar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença de Chagas, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS.
  • Portaria nº 158, de 4 de fevereiro de 2016. Redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos.

>> Informativos GT-Chagas:

registrado em:
Fim do conteúdo da página