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Doenças Diarreicas Agudas

Doenças diarreicas agudas: causas, sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 04 de Julho de 2017, 12h28 | Última atualização em Quarta, 05 de Dezembro de 2018, 13h30

O que é são doenças diarreicas agudas?

As doenças diarreicas agudas (DDA) são consideradas uma síndrome caracterizada pela diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações que podem ser acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal. Em alguns casos, há presença de muco e sangue, quadro conhecido como disenteria.

Quando infecciosa, a diarreia é causada por diferentes agentes etiológicos, como bactérias, vírus e parasitos. Geralmente é autolimitada, com duração de até 14 dias. Podem ser classificadas em três tipos:

  • diarreia sem desidratação;

  • diarreia com desidratação;

  • diarreia com desidratação grave.

IMPORTANTE:  Se tratadas incorretamente ou não tratadas, as doenças diarreicas agudas levam à desidratação grave e ao distúrbio hidroeletrolítico, podendo ocorrer óbito, principalmente quando associadas à desnutrição ou à imunodepressão.

O quê causa as doenças diarreicas agudas?

A causa mais comum da diarreia e das doenças diarreicas agudas é a infecção por vírus, bactérias ou outros parasitas que entram no organismo, causando gastroenterite, uma inflamação que compromete os órgãos do sistema gastrointestinal. Também pode ser causada por intoxicação alimentar e por alguns medicamentos, como antibióticos, laxantes que contenham magnésio e quimioterapia durante os tratamentos do câncer, por exemplo. Algumas doenças também podem levar à diarreia, como a doença de Chron, colites ulcerosas, doença celíaca, síndrome do intestino irritável e intolerância à lactose.

Quais são os fatores de risco das doenças diarreicas agudas?

Qualquer pessoa pode apresentar diarreia ou desenvolver doenças diarreicas agudas, em qualquer faixa etária e de qualquer gênero. No entanto, alguns comportamentos podem colocar a pessoa em risco e facilitar a contaminação.

  • Ingerir água e alimentos contaminados com fezes humanas ou animais.

  • Viajar para países que não tenham bom saneamento de água

  • Consumo exacerbado de cafeína.

  • Consumo exacerbado de álcool.

  • Fumo.

  • Falta de higiene.
ATENÇÃO ESPECIAL:  Crianças com diarreias correm risco de desidratação grave e diarreia com sangue e muco. Nestes casos, a consulta com o médico deve ser realizada em caráter de urgência.

Quais são os sintomas das doenças diarreicas agudas?

A própria diarreia é o principal sintoma, mas traz consigo outros sinais que podem variar de intensidade, conforme cada pessoa. O principal sintoma é a presença de fezes líquidas na evacuação.

  • Fezes líquidas.

  • Cólicas abdominais.

  • Dor abdominal.

  • Febre.

  • Sangue nas fezes.

  • Inchaço.

  • Náusea.

  • Vômitos.

  • Vontande constante de ir ao banheiro.

Doenças diarreicas agudas: causas, sintomas, tratamento e prevenção - diarreia

Como diagnosticar as doenças diarreicas agudas (diarreia)?

Geralmente, o diagnóstico de diarreia ou de doenças diarreicas agudas acontece por meio dos sintomas, que são típicos e característicos do problema. O médico pode, no entanto, fazer testes laboratoriais para definir as causas da diarreia, podendo passar um tratamento mais adequado e eficaz, conforme cada caso. Em caso de desidratação, também podem ser solicitados o perfil metabólico da pessoa, assim como a gravidade específica da urina. 

Os principais exames de confirmação diagnóstica da diarreia (doenças diarreicas agudas) são:

  • Exame de sangue.

  • Exames de fezes como coprológico funcional.

  • Exames de fezes como coprocultura com parasitológico de fezes.

  • Colonoscopia

Embora a diarreia seja comum e de duração geralmente limitada e com resolução espontânea, alguns casos podem ser graves em virtude do agente etiológico causador e das características e condições do paciente. Por isso, é importante que todo caso com quadro de doença diarreica aguda seja observado com rigor e orientado a procurar o serviço de saúde a partir dos sinais de perigo, tais quais: piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes e diminuição da diurese.

A alimentação habitual deve ser mantida e deve-se aumentar a ingestão de líquidos, especialmente de água, se não houver dificuldade de deglutição e o paciente estiver consciente.

O diagnóstico etiológico das Doenças Diarreicas Agudas nem sempre é possível, uma vez que há uma grande dificuldade para a realização das coletas de fezes, que pode se dever, dentre outros problemas, à baixa solicitação pelos profissionais de saúde e à reduzida aceitação e execução pelos pacientes.

Desse modo, é importante que o indivíduo doente seja bem esclarecido quanto à relevância da coleta de fezes, a fim de possibilitar a identificação do microrganismo que lhe causou diarreia. Essa informação será útil também para prevenir um novo adoecimento e a transmissão da doença para outras pessoas.

A coleta de fezes para análise laboratorial é de grande importância para identificação de agentes circulantes e, especialmente em caso de surtos, para se identificar o agente causador do surto, bem como sua fonte de contaminação.

Como tratar as doenças diarreicas agudas?

O tratamento para diarreia e doenças diarreicas agudas é geralmente feito em casa, por meio da ingestão de líquidos para evitar a desidratação. O médico também pode receitar alguns medicamentos após a consulta. São medicamentos mais leves que normalmente não precisam se prescrição, mas não faça uso deles sem a devida orientação médica.

Antes de iniciar o tratamento é imprescindível a avaliação clínica do paciente e do seu estado de hidratação. A abordagem clínica constitui a coleta de dados importantes na anamnese, como: início dos sinais e sintomas, número de evacuações, presença de muco ou sangue nas fezes, febre, náuseas e vômitos; presença de doenças crônicas; verificação se há parentes ou conhecidos que também adoeceram com os mesmos sinais/sintomas.

O exame físico, com enfoque na avaliação do estado de hidratação, é importante para avaliar a presença de desidratação e a instituição do tratamento adequado, além disso, o paciente deve ser pesado, quando possível.

Plano A

O plano A consiste em cinco etapas direcionadas para o paciente HIDRATADO realizar no domicílio:

  • Aumento da ingestão de água e de outros líquidos assim como de solução de SRO principalmente após cada episódio de diarreia, pois dessa forma evita-se a desidratação.

  • Manutenção da alimentação habitual; continuidade do aleitamento materno.

  • Retorno do paciente ao serviço, caso não melhore em 2 dias ou apresente piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da diurese.

  • Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO; praticar medidas de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos).

  • Administração de Zinco uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias.

Plano B

O Plano B consiste em três etapas direcionadas ao paciente COM DESIDRATAÇÃO, porém sem gravidade, com capacidade de ingerir líquidos, que devem ser tratados com SRO na Unidade de Saúde, onde deverão permanecer até a reidratação completa.

  • Ingestão de solução de SRO, inicialmente em pequenos volumes e aumento da oferta e da frequência aos poucos. A quantidade a ser ingerida dependerá da sede do paciente, mas deve ser administrada continuamente até que desapareçam os sinais da desidratação.

  • Reavaliação do paciente constantemente, pois o Plano B termina quando desaparecem os sinais de desidratação, a partir do qual se deve adotar ou retornar ao Plano A.

  • Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO; praticar medidas de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos).

Plano C

O Plano C consiste em duas fases de reidratação endovenosa destinada ao paciente COM DESIDRATAÇÃO GRAVE. Nessa situação o paciente deverá ser transferido o mais rapidamente possível. Os primeiros cuidados na unidade de saúde são importantíssimos e já devem ser efetuados à medida que o paciente seja encaminhado ao serviço hospitalar de saúde.

1 - Fase rápida ou de expansão: administrar, por via venosa periférica:
- Para menores de cinco anos: soro fisiológico 0,9%.
- Para maiores de cinco anos: soro fisiológico 0,9% e, após, ringer lactato ou solução proteolítica

2 - Fase de manutenção e reposição para todas as faixas etárias: solução de soro fisiológico 0,9% soro glicosado a 5% e KCL a 10%. Para tratamento detalhado acesse aqui o Manejo do Paciente com Diarreia.

O paciente deve ser reavaliado após duas horas, se persistirem os sinais de choque, repetir a prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções.

Administrar por via oral a solução de SRO em doses pequenas e frequentes, tão logo o paciente aceite. Isso acelera a sua recuperação e reduz drasticamente o risco de complicações.

Suspender a hidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância à solução de SRO e sem vômitos.

OBSERVAÇÃO: O Tratamento com antibiótico deve ser reservado apenas para os casos de DDA com sangue (disenteria), em casos raros com comprometimento do estado geral após a reidratação - o que sugere translocação bacteriana ou sepse - ou em caso de cólera com desidratação grave, sempre com acompanhamento médico.

Quais são as possíveis complicações das doenças diarreicas agudas?

A principal complicação é a desidratação, que se não for tratada corretamente pode levar à morte. No entanto, a diarreia e as doenças diarreicas agudas não costumam, em grande parte dos casos, causar complicações mais graves.

No caso de desidratação, as complicações abaixo, além da morte, também podem ser sentidas pela pessoa.

  • Sede excessiva.

  • Diminuição da quantidade de urina.

  • Boca e pele secas.

  • Olhos encovados.

  • Redução nas lágrimas no choro.

  • Fraqueza.

  • Tontura.

  • Vertigem.

Como ocorre a transmissão das doenças diarreicas agudas?

A transmissão das doenças diarreicas agudas (diarreia) pode ocorrer pelas vias oral ou fecal-oral.

  • Transmissão indireta - Pelo consumo de água e alimentos contaminados e contato com objetos contaminados, como por exemplo, utensílios de cozinha, acessórios de banheiros, equipamentos hospitalares.

  • Transmissão direta - Pelo contato com outras pessoas, por meio de mãos contaminadas, e contato de animais com as pessoas.

Os manipuladores de alimentos e os insetos podem contaminar, principalmente, os alimentos, utensílios e objetos capazes de absorver, reter e transportar organismos contagiantes e infecciosos. Locais de uso coletivo, como escolas, creches, hospitais e penitenciárias apresentam maior risco de transmissão das doenças diarreicas agudas.

O período de incubação, ou seja, tempo que os sintomas começam a aparecer a partir do momento da infecção, e a transmissibilidade da DDA são específicos para cada agente etiológico.

Quadro 1 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença das principais bactérias envolvidas nas doenças diarreicas agudas

Agente etiológico

Manifestações clínicas

Período de incubação

Duração da doença

Diarreia

Febre

Vômito

Bacillus cereus

Geralmente pouco importante

Rara

Comum

1 a 6 horas

24 horas

Staphylococcus aureus

Geralmente pouco importante

Rara

Comum

1 a 6 horas

24 horas

Campylobacter

Pode ser disentérica

Variável

Variável

1 a 7 dias

1 a 4 dias

Escherichia  coli enterotoxigênica  (ETEC)

Aquosa, pode ser profusa

Variável

Eventual

12 horas a 3 dias

3 a 5 dias

E. coli enteropatogênica

Aquosa, pode ser profusa

Variável

Variável

2 a 7 dias

1 a 3 semanas

E. coli enteroinvasiva

Pode ser disentérica

Comum

Eventual

2 a 3 dias

1 a 2 semanas

E. coli e ntero-hemorrágica

Inicia aquosa, com sangue a seguir

Rara

Comum

3 a 5 dias

1 a 12 dias

Salmonella  não tifoide

Pastosa, aquosa, às vezes, com sangue

Comum

Eventual

8 horas a 2 dias

5 a 7 dias

Shigella

Pode ser disentérica

Comum

Eventual

1 a 7 dias

4 a 7 dias

Yersinia  enterocolitica

Mucosa, às vezes, com presença de sangue

Comum

Eventual

2 a 7 dias

1 dia a 3 semanas

Vibrio cholerae

Pode ser profusa e aquosa

Geralmente afebril

Comum

5 a 7 dias

3 a 5 dias

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Quadro 2 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença dos principais vírus envolvidos nas doenças diarreicas aguda

Agente etiológico

Manifestações clínicas

   

Diarreia

Febre

Vômito

Período de incubação

Duração da doença

Astrovírus

Aquosa

Eventual

Eventual

1 a 14 dias

1 a 14 dias

Calicivírus

Aquosa

Eventual

Comum em crianças

1 a 3 dias

1 a 3 dias

Adenovírus  entérico

Aquosa

Comum

Comum

7 a 8 dias

8 a 12 dias

Norwalk

Aquosa

Rara

Comum

18 horas a 2 dias

12 horas a
2 dias

Rotavírus grupo A

Aquosa

Comum

Comum

1 a 3 dias

5 a 7 dias

Rotavírus grupo B

Aquosa

Rara

Variável

2 a 3 dias

3 a 7 dias

Rotavírus grupo C

Aquosa

Ignorado

Ignorado

1 a 2 dias

3 a 7 dias

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Quadro 3 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença dos principais parasitas envolvidos nas doenças diarreicas agudas

Agente etiológico

Manifestações clínicas

Período de incubação

Duração da doença

Diarreia

Febre

Abdômen

Balantidium  coli

Eventual com muco ou sangue

Rara

Dor

Ignorado

Ignorado

Cryptosporidium

Abundante e aquosa

Eventual

Cãibra eventual

1 a 2 semanas

4 dias a 3 semanas

Entamoeba histolytica

Eventual com muco ou sangue

Variável

Cólica

2 a 4 semanas

Semanas a meses

Giardia lamblia

Incoercíveis fezes claras e gordurosas

Rara

Cãibra/ Distensão

5 a 25 dias

Semanas a anos

Cystoisospora belli

Incoercível

Ignorado

Ignorado

2 a 15 dias

2 a 3 semanas

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Como prevenir as doenças diarreicas agudas?

As intervenções para prevenir a diarreia incluem ações institucionais de saneamento, de saúde, mas também individuais da própria pessoa, família e população que devem:

  • Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular ou preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais.

  • Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados).

  • Tratar a água para consumo (após filtrar, ferver ou colocar duas gotas de solução de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar).

  • Guardar a água tratada em vasilhas limpas e com tampa, sendo a “boca” estreita para evitar a recontaminação.

  • Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados para banhar ou consumir.

  • Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada; quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado em local apropriado.

  • Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe dos cursos de água.

  • Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias; evitar o desmame precoce.

Situação epidemiológica das doenças diarreicas agudas (diarreia)

Os casos individuais de DDA são de notificação compulsória em unidades sentinelas para monitorização das DDA (MDDA). O principal objetivo da Vigilância Epidemiológica das Doenças Diarreicas Agudas (VE-DDA) é monitorar o perfil epidemiológico dos casos, visando detectar precocemente surtos, especialmente os relacionados a: acometimento entre menores de cinco anos; agentes etiológicos virulentos e epidêmicos, como é o caso da cólera; situações de vulnerabilidade social; seca, inundações e desastres. Os casos de DDA são notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica das DDA (SIVEP_DDA) e o monitoramento é realizado pelo acompanhamento contínuo dos níveis endêmicos para verificar alteração do padrão da doença em localidades e períodos de tempo determinados. Diante da identificação de alterações no comportamento da doença, deve ser realizada investigação e avaliação de risco para subsidiar as ações necessárias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, doença diarreica é a segunda principal causa de morte em crianças menores de cinco anos, embora evitável e tratável. A cada ano, a diarreia mata cerca de 525.000 crianças menores de cinco anos no mundo. Uma proporção significativa de doenças diarreicas é transmitida pela água e pode ser prevenida através de água potável, saneamento e higiene adequados. Globalmente, há quase 1,7 bilhão de casos de doenças diarreicas da infância a cada ano. A diarreia é uma das principais causas de desnutrição em crianças menores de cinco anos.

Segundo estatísticas do IBGE, no Brasil em 2016, 87,3% dos domicílios ligados à rede geral tinham disponibilidade diária de água, percentual que era de 66,6% no Nordeste. Na região, em 16,3% dos domicílios o abastecimento ocorria de uma a três vezes por semana e em 11,2% dos lares de quatro a seis vezes. Foi o que revelaram os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2012-2016, divulgada pelo IBGE. A região Norte apresentava o menor percentual de domicílios em que a principal forma de abastecimento de água era a rede geral de distribuição (59,8%). Por outro lado, a região se destacava quando se tratava de abastecimento através de poço profundo ou artesiano (20,3%); poço raso, freático ou cacimba (12,7%); e fonte ou nascente (3,1%).

As inundações induzidas por mudanças climáticas e as secas podem afetar a infraestrutura familiar de acesso à/ ou abastecimento de água, saneamento e riscos relacionados à saúde. Por exemplo, as inundações podem dispersar os contaminantes fecais, aumentando os riscos de surtos de doenças transmitidas pela água, como a cólera. Além disso, a escassez de água devido à seca pode aumentar os riscos de doenças diarreicas. As inundações estão entre as ocorrências mais frequentes que atingem todas as regiões do país e têm impactos significativos sobre a saúde das pessoas e a infraestrutura de saúde. O Atlas Brasileiro de Desastres Naturais refere, no período de 1991 a 2010, que as inundações são a segunda tipologia de desastres de maior recorrência no Brasil.    A seca e a estiagem são, entre os tipos de desastre, aquelas que mais afetam a população brasileira (50,34%), por serem mais recorrentes, atingindo mais fortemente determinadas regiões do Brasil, como o Nordeste, parte do Sudeste e a Região Sul.

Diante do cenário diversificado das regiões do país, relacionado ao desenvolvimento socioeconômico, ao saneamento, ao clima e às situações adversas, como os desastres, ocorre anualmente, mais de 4 milhões de registros de casos de DDA notificados por meio da vigilância epidemiológica em unidades sentinelas instaladas nos municípios e morrem mais de 4 mil pessoas por ano. Para acessar os dados disponíveis sobre o perfil epidemiológico das DDA, acesse aqui.

Viajantes - doenças diarreicas agudas (diarreia)

Entre os viajantes, a DDA é a doença mais previsível, sendo conhecida como “diarreia dos viajantes”. As infecções causadas por bactérias representam de 80 a 90% e as virais de 5 a 8%. Embora os cuidados individuais de prevenção como “lavar as mãos, ferver a água e cozinhar bem os alimentos” sejam práticas que reduzem as infecções e consequentemente a DDA, estudos revelam que as pessoas que seguem essas regras ainda podem ficar doentes, pois a falta de práticas de higiene nos restaurantes locais é provavelmente o maior contribuinte para o risco da “diarreia do viajante”.

Portanto, várias abordagens podem ser recomendadas para reduzir, mas nunca eliminar completamente o risco.

As recomendações incluem instruções relativas à seleção de alimentos/bebidas e lavagem cuidadosa das mãos com sabonete. A aquisição de pequenos recipientes de desinfetantes à base de álcool a 70% pode facilitar a limpeza das mãos antes de comer, após o uso do banheiro, antes e após manusear fraldas, quando a lavagem das mãos não for possível.

Saiba mais em Saúde do Viajante e Travelers diarrhea - CDC

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