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Esquistossomose

Esquistossomose: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Sexta, 28 de Abril de 2017, 18h40 | Última atualização em Segunda, 03 de Dezembro de 2018, 15h52

O que é Esquistossomose?

A esquistossomose é uma doença parasitária que pode levar a graves problemas de saúde crônicos, ou seja, eternos. No Brasil, a esquistossomose é conhecida popularmente como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”. A doença é causada pelo parasita Trematódeo Schistosoma Mansoni. 

A pessoa adquire a infecção quando entra em contato com água doce que está infectada pelos vermes causadores da esquistossomose. Os vermes, uma vez dentro do organismo, vivem nas veias de drenagem do trato urinário, dos intestinos e do fígado da pessoa. A maioria dos ovos do parasita se prende nos tecidos do corpo humano e reação do organismo a eles pode causar grandes danos à saúde.

O período de incubação, ou seja, tempo que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é de duas a seis semanas. 

IMPORTANTE: A infecção por esquistossomose é prevalente em áreas tropicais e subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água potável e sem o saneamento adequado. Vários milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de patologias graves em consequência da esquistossomose.

O que causa a Esquistossomose?

A causa principal da esquistossomose ocorre quando a pele da pessoa entra em contato com água doce contaminada com o parasita causador da infecção. Quando uma pessoa infectada urina ou defeca na água, ela contamina o líquido com os ovos de Schistosoma, que eclodem e invadem os tecidos de caracóis que vivem naquele lago ou rio. Os parasitas então crescem e se desenvolvem no interior dessas lesmas. 

O verme é capaz de penetrar na pele de pessoas que pisam descalças, nadam, tomam banho ou simplesmente lavam roupas e objetos na água infectada. Trata-se de uma doença que inicialmente é assintomática, mas que pode evoluir para formas clínicas extremamente graves e levar o paciente a óbito. A magnitude de sua prevalência, associada à severidade das formas clínicas e a sua evolução, conferem a esquistossomose uma grande relevância como problema de saúde pública.

Quais são os fatores de risco da Esquistossomose?

Qualquer pessoa, de qualquer faixa etária e sexo pode ser infectada com o parasita da esquistossomose, mas as situações abaixo são grandes fatores de risco para se contrair a infecção.

  • Morar em áreas tropicais ou subtropicais.

  • Morar em comunidades carentes.

  • Morar em região onde há falta de saneamento básico.

  • Morar em regiões onde não há água potável.

  • Morar em comunidades rurais, especialmente populações agrícolas e de pesca.

  • Fazer tarefas domésticas em águas contaminadas, como lavar roupas.

  • Higiene inadequada.

  • Contato com a água contaminada. 

Quais são os sintomas da esquistossomose?

Na fase aguda, o paciente infectado por esquistossomose pode apresentar diversos sintomas, como:

  • febre;

  • dor na cabeça;

  • calafrios;

  • suores;

  • fraqueza;

  • falta de apetite;

  • dor muscular;

  • tosse;

  • diarréia;

  • sangue na urina.
IMPORTANTE: Em alguns casos, o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho.

Na forma crônica da doença, a diarréia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode apresentar outros sinais, como:

  • tonturas;

  • dor na cabeça;

  • sensação de plenitude gástrica;

  • prurido anal;

  • palpitações;

  • impotência;

  • emagrecimento;

  • endurecimento e aumento do fígado.

  • em casos graves, pode provocar câncer da bexiga.

Nos casos mais graves, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água. 

Quais são as complicações possíveis da esquistossomose?

Se não tratada adequadamente, a esquistossomose pode evoluir e provocar algumas complicações, como, por exemplo:

  • Fibrose da bexiga e do ureter;

  • danos renais;

  • câncer de bexiga;

  • aumento do fígado;

  • aumento do baço;

  • lesões genitais;

  • infertilidade;

  • morte.

Como é feito o diagnóstico da esquistossomose?

O diagnóstico da esquistossomose é feito por meio de exames laboratoriais, de sangue, fezes e urina. Por meio desses exames, é possível detectar os ovos do parasita causador da doença. 

Além desses exames, o médico também pode solicitar:

  • Teste de anticorpos para verificar sinais de infecção.

  • Biópsia do tecido infectado.

  • Hemograma completo para verificação de sinais de anemia.

  • Contagem de eosinófilos para medir o número de determinadas células brancas.

  • Testes de função renal.

  • Testes de função hepática.

Quem são os hospedeiros da esquistossomose?

No ciclo da esquistossomose estão envolvidos dois hospedeiros:

  • Hospedeiro definitivo: o homem é o principal hospedeiro definitivo. Nele, o parasita apresenta a forma adulta e reproduz-se sexuadamente. Os ovos são eliminados por meio das fezes no ambiente, ocasionando a contaminação das coleções hídricas naturais (córregos, riachos, lagoas) ou artificiais (valetas de irrigação, açudes e outros). Os primatas, marsupiais (gambá), ruminantes, roedores e lagomorfos (lebres e coelhos), são considerados hospedeiros permissivos ou reservatórios, porém não está clara a participação desses animais na transmissão e epidemiologia da doença.

  • Hospedeiro intermediário: o ciclo biológico do S. mansoni depende da presença do hospedeiro intermediário no ambiente. Os caramujos gastrópodes aquáticos, pertencentes à família Planorbidae e gênero Biomphalaria, são os organismos que possibilitam a reprodução assexuada do helminto. No Brasil, as espécies Biomphalariaglabrata, Biomphalariastraminea e Biomphalariatenagophila estão envolvidas na disseminação da esquistossomose. Há registros da distribuição geográfica das principais espécies em 24 estados, localizados, principalmente, nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

Como ocorre a transmissão da esquistossomose?

A transmissão da esquistossomose ocorre quando o indivíduo infectado elimina os ovos do verme por meio das fezes humanas. Em contato com a água, os ovos eclodem e liberam larvas que infectam os caramujos, hospedeiros intermediários que vivem nas águas doces. Após quatro semanas, as larvas abandonam o caramujo na forma de cercarias e ficam livres nas águas naturais. O ser humano adquire a doença pelo contato com essas águas.

Além disso, a transmissão da esquistossomose não ocorre por meio do contato direto, homem doente. Também não ocorre “auto-infecção”. Também não há vetor envolvido na transmissão da doença.

Quais são as fases da esquistossomose?

Clinicamente, a esquistossomose pode ser classificada em fase inicial e fase tardia.

Fase inicial

Corresponde à penetração das cercarias por meio da pele. Nessa fase, as manifestações alérgicas predominam; são mais intensas nos indivíduos hipersensíveis e nas reinfecções. Além das alterações dermatológicas ocorrem também manifestações gerais devido ao comprometimento em outros tecidos e órgãos.

As formas agudas podem ser assintomáticas ou sintomáticas.

=> Assintomática – em geral, o primeiro contato com os hospedeiros intermediários da esquistossomose ocorre na infância. Na maioria dos portadores, a doença é assintomática, passa despercebida e pode ser confundida com outras doenças dessa fase. Geralmente é diagnosticada nas alterações encontradas nos exames laboratoriais de rotina (eosinofilia e ovos viáveis de S. mansoni nas fezes).

=> Sintomática – a dermatite cercariana corresponde à fase de penetração das larvas (cercarias) através da pele. Caracteriza-se por micropápulas eritematosas e pruriginosas, semelhantes a picadas de inseto e eczema de contato, com duração de até 5 dias após a infecção. Pode ocorrer a febre de Katayama após 3 a 7 semanas de exposição. É caracterizada por alterações gerais que compreendem: linfodenopatia, febre, cefaléia, anorexia, dor abdominal e, com menor frequência, o paciente pode referir diarréia, náuseas, vômitos e tosse seca. Ao exame físico, pode ser encontrado hepatoesplenomegalia. O achado laboratorial de eosinofilia elevada é bastante sugestivo, quando associado aos dados epidemiológicos.

Esquistossomose: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Fase tardia

=> Formas crônicas – iniciam-se a partir do sexto mês após a infecção, podendo durar vários anos. Podem surgir os sinais de progressão da doença para diversos órgãos, chegando a atingir graus extremos de severidade, como hipertensão pulmonar e portal, ascite, ruptura de varizes do esôfago. As manifestações clínicas variam a depender da localização e intensidade da carga parasitária, da capacidade de resposta do indivíduo ou do tratamento instituído. Apresenta-se nas seguintes formas clínicas:

=> Hepatointestinal – Em geral, nesta forma da doença as pessoas não apresentam sintomas e o diagnóstico torna-se acidental, quando o médico se depara com a presença de ovos viáveis de S. mansoni no exame de fezes de rotina. Nas pessoas com queixas clínicas, a sintomatologia é variável e inespecífica: desânimo, indisposição para o trabalho, tonturas, cefaleia e sintomas distônicos. Os sintomas digestivos podem predominar: sensação de plenitude, flatulência, dor epigástrica e hiporexia. Observam-se surtos diarreicos e, por vezes, disenteriformes, intercalados com constipação intestinal crônica. Esse quadro clínico, exceto pela presença de sangue nas fezes, não difere do encontrado em pessoas sem esquistossomose, mas com a presença de outras parasitoses intestinais.

=> Hepática – a apresentação clínica dos pacientes pode ser assintomática ou com sintomas da forma hepatointestinal. Ao exame físico, o fígado é palpável e endurecido, à semelhança do que acontece na forma hepatoesplênica. Na ultrassonografia, verifica-se a presença de fibrose hepática, moderada ou intensa.

=> Hepatoesplênica - Apresenta-se de nas formas: compensada e descompensada ou complicada.

=> Hepatoesplênica compensada – a característica fundamental desta forma é a presença de hipertensão portal, levando à esplenomegalia e ao aparecimento de varizes no esôfago. Os pacientes costumam apresentar sinais e sintomas gerais inespecíficos, como dores abdominais  atípicas, alterações das funções intestinais e sensação de peso ou desconforto no hipocôndrio esquerdo, devido ao crescimento do baço. Às vezes, o primeiro sinal de descompensação da doença é a hemorragia digestiva com a presença de hematêmese e/ou melena. Ao exame físico, o fígado encontra-se aumentado. O baço aumentado mostra-se endurecido e indolor à palpação. Esta forma predomina nos adolescentes e adultos jovens.

=> Hepatoesplênica descompensada – considerada uma das formas mais graves da esquistossomose mansoni, responsável por óbitos por essa causa específica. Caracteriza-se por diminuição acentuada do estado funcional do fígado. Essa descompensação relaciona-se à ação de vários fatores, tais como os surtos de hemorragia digestiva e consequente isquemia hepática e fatores associados (hepatite viral, alcoolismo).

Existem, ainda, outras formas clínicas: vasculopulmonar, a hipertensão pulmonar, verificadas em estágios avançados da doença e a glomerulopatia. Dentre as formas ectópicas, a mais grave é a neuroesquistossomose (mielorradiculopatiaesquistossomótica), caracterizada pela presença de ovos e de granulomas esquistossomóticos no sistema nervoso central. O diagnóstico é difícil, mas a suspeita clínica e epidemiológica conduz, com segurança, ao diagnóstico presuntivo. O diagnóstico e a terapêutica precoces previnem a evolução para quadros incapacitantes e óbitos. A prevalência dessa forma nas áreas endêmicas tem sido subestimada.

=> Outras localizações – são formas que aparecem com menos frequência. As mais importantes localizações encontram-se nos órgãos genitais femininos, testículos, na pele, na retina, tireóide e coração, podendo aparecer em qualquer órgão ou tecido do corpo humano, uma vez que a esquistossomose mansoni é considerada uma doença granulomatosa.

=> Forma pseudoneoplásica – a esquistossomose pode provocar tumores que parecem neoplasias e, ainda, apresentarem doença linfoproliferativa.

=> Doenças associadas que modificam o curso da esquistossomose – salmonelose prolongada, abscesso hepático em imunossuprimidos (AIDS, infecção pelo vírus t-linfotrópico humano- HTLV), pessoas em uso de imunossupressores e outras hepatopatias:virais, alcoólica entre outras.

Como prevenir a esquistossomose?

A prevenção da esquistossomose consiste em evitar o contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários infectados. O controle da esquistossomose é baseado no tratamento em larga escala de grupos de risco, acesso a água potável e saneamento básico, educação sanitária e controle de caramujos em lagos e rios.

Grupos-alvo para o tratamento são:

  • Crianças em idade escolar em áreas endêmicas.

  • Adultos considerados de risco em áreas endêmicas.

  • Pessoas com profissões que envolvem contato com a água infestada, tais como pescadores, agricultores, trabalhadores de irrigação.

  • Pessoas que praticam tarefas domésticas que envolvem contato com água infestada.

  • Comunidades inteiras que vivem em áreas de alta contaminação.

  • De acordo com a OMS, o controle da esquistossomose foi implementado com sucesso nos últimos 40 anos em vários países, incluindo o Brasil, Camboja, China, Egito, Ilhas Maurício e Arábia Saudita.

Ainda não há vacina contra a esquistossomose.

Como é feito o tratamento da esquistossomose?

O tratamento da esquistossomose, para os casos simples, é domiciliar, ou seja, feito em casa por meio de medicamentos específicos receitados pelo médico, geralmente o Praziquantel. Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e até mesmo tratamento cirúrgico, conforme cada situação.

Situação epidemiológica da esquistossomose

No mundo 

A esquistossomose mansoni é uma doença de ocorrência tropical, registrada em 54 países, principalmente na África e Leste do Mediterrâneo, atinge as regiões do Delta do Nilo e países como Egito e Sudão.

Nas Américas

Atinge a América do Sul, destacando-se a região do Caribe, Venezuela e Brasil.

No Brasil

Estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas vivem em áreas sob o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Nordeste e Sudeste são os mais afetados sendo que a ocorrência está diretamente ligada à presença dos moluscos transmissores.

Atualmente, a doença é detectada em todas as regiões do país. As áreas endêmicas e focais abrangem 19 Unidades Federadas e compreendem os Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais (predominantemente no Norte e Nordeste do Estado).

No Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas (Figura 1).

Viajantes e a esquistossomose

A esquistossomose é uma doença cuja transmissão ocorre em área rural e nas periferias das cidades relacionada ao déficit no saneamento. Nesse sentido, é importante que as pessoas que vão fazer turismo ecológico e esportes radicais em qualquer município, se informem nas Secretarias Municipais de Saúde, sobre as coleções hídricas que representam risco para contrair a doença.

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