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Influenza/Gripe

Diagnóstico e Tratamento

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Quinta, 20 de Março de 2014, 11h16 | Última atualização em Segunda, 26 de Fevereiro de 2018, 14h26

Aspectos clínicos

Clinicamente, a doença inicia-se com a instalação abrupta de febre, em geral acima de 38°C, seguida de mialgia, dor de garganta, prostração, cefaleia e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de 3 dias. Os sintomas sistêmicos são muito intensos nos primeiros dias da doença. Com a sua progressão, os sintomas respiratórios tornam-se mais evidentes e mantêm-se em geral por 3 a 4 dias, após o desaparecimento da febre. É comum a queixa de garganta seca, rouquidão, tosse seca e queimação retroesternal ao tossir, pele quente e úmida, olhos hiperemiados e lacrimejantes. Há hiperemia das mucosas e aumento de secreção nasal.

O quadro clínico em adultos sadios pode variar de intensidade e nas crianças a temperatura pode atingir níveis mais altos, sendo comum o achado de aumento dos linfonodos cervicais e também podem fazer parte os quadros de bronquite ou bronquiolite, além de sintomas gastrointestinais. Os idosos quase sempre se apresentam febris, às vezes sem outros sintomas, mas em geral a temperatura não atinge níveis tão altos.

As situações reconhecidamente de risco incluem doença pulmonar crônica (asma e doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC), cardiopatias (insuficiência cardíaca crônica), doença metabólica crônica (diabetes, por exemplo), imunodeficiência ou imunodepressão, gravidez, doença crônica renal e hemoglobinopatias. As complicações são mais comuns em idosos e indivíduos vulneráveis. As mais frequentes são as pneumonias bacterianas secundárias, sendo geralmente provocadas pelos seguintes agentes: Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus ssp. e Haemophillus influenzae.

Uma complicação incomum, e muito grave, é a pneumonia viral primária pelo vírus da influenza. Nos imunocomprometidos, o quadro clínico é geralmente mais arrastado e, muitas vezes, mais grave. Gestantes com quadro de influenza no segundo ou terceiro trimestre da gravidez estão mais propensas à internação hospitalar.

Aspectos laboratoriais

No Brasil, a rede de laboratórios de referência para influenza e vírus respiratórios é composta de três (03) laboratórios credenciados junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) como centros de referência para influenza (NIC - Nacional Influenza Center), os quais fazem parte da rede global de vigilância da influenza. Entre estes laboratórios há um laboratório de referência nacional, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e dois laboratórios de referência regional: o Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém; além da participação direta da rede de laboratórios públicos (Lacens) nas 27 unidades federadas (UF) do país.

Esses laboratórios são responsáveis por realizar a identificação precoce dos tipos e subtipos, variantes ou recombinantes de vírus influenza e outros vírus respiratórios em circulação nos diversos estados e estabelecer a sua relação com os padrões regionais e mundiais e descrever as características antigênicas e genéticas dos vírus influenza circulantes. Monitorar a resistência aos antivirais dos vírus circulantes na comunidade e em meio hospitalar, gerar informações epidemiológicas e filogenéticas das amostras virais circulantes no Brasil e prover isolados virais sazonais representativos para envio ao Centro Colaborador da OMS das Américas para análises genéticas e antigênicas avançadas, com o intuito de fornecer dados que irão subsidiar a recomendação anual da OMS para composição das vacinas contra influenza. As informações sobre Diagnóstico Laboratorial para Influenza estão disponíveis no Guia para a Rede Laboratorial de Vigilância de Influenza no Brasil no site da SVS/ MS.

Tratamento

De acordo com o Protocolo de Tratamento de Influenza 2015, do Ministério da Saúde, o uso do antiviral fosfato de oseltamivir, está indicado para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave e casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações. No caso de pacientes com síndrome gripal, sem condições e fatores de risco para complicações, a prescrição do fosfato de oseltamivir deve ser considerada baseada em julgamento clínico. Em todos os casos, o início do tratamento deve ser preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave.

Condições e fatores de risco para complicações, com indicação de tratamento:

  • Grávidas em qualquer idade gestacional;
  • Puérperas até duas semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal);
  • Adultos ≥ 60 anos;
  • Crianças < 5 anos (sendo que o maior risco de hospitalização é em menores de 2 anos, especialmente as menores de 6 meses com maior taxa de mortalidade).
  • População indígena aldeada ou com dificuldade de acesso
  • Pneumopatias (incluindo asma); Cardiovasculopatias (excluindo hipertensão arterial sistêmica); Nefropatias; Hepatopatias;
  • Doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme);
  • Distúrbios metabólicos (incluindo diabetes mellitus);
  • Transtornos neurológicos que podem comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração (disfunção cognitiva, lesões medulares, epilepsia, paralisia cerebral, Síndrome de Down, atraso de desenvolvimento, AVC ou doenças neuromusculares);
  • Imunossupressão (incluindo medicamentosa ou pelo vírus da imunodeficiência humana);
  • Obesidade (Índice de Massa Corporal – IMC ≥ 40 em adultos);
  • Indivíduos menores de 19 anos de idade em uso prolongado com ácido acetilsalicílico (risco de Síndrome de Reye).

Para a prescrição deste medicamento é usado o receituário simples. O Ministério da Saúde (MS) disponibiliza este medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Tratamento - Posologia e Administração

ANTIVIRAL

FAIXA ETÁRIA

POSOLOGIA

Fosfato de Oseltamivir
(Tamiflu®)

Adulto

75 mg, VO, 12/12h, 5 dias

Criança maior de 1 ano
de idade

< 15 kg

30 mg, VO, 12/12h, 5 dias

> 15 kg a 23 kg

45 mg, VO, 12/12h, 5 dias

> 23 kg a 40 kg

60 mg, VO, 12/12h, 5 dias

> 40 kg

75 mg, VO, 12/12h, 5 dias

Criança maior de 1 ano
de idade

< 3 meses

12 mg, VO, 12/12h, 5 dias

3 a 5 meses

20 mg, VO, 12/12h, 5 dias

6 a 11 meses

25 mg, VO, 12/12h, 5 dias

Zanamivir
(Relenza®)

Adulto

10 mg: duas inalações de 5 mg, 12/12h, 5 dias

Criança

> 7 anos

10 mg: duas inalações de 5 mg, 12/12h, 5 dias

Fonte: GSK/Roche e CDC adaptado (2011; [2017]).

DOSE PARA TRATAMENTO EM RECÉM-NASCIDOS

  • 1 mg/kg/dose 12/12 horas em prematuros.
  • 1 mg/kg/dose 12/12 horas de 37 a <38 semanas de idade gestacional.
  • 1,5 mg/kg/dose 12/12 horas de 38 a 40 semanas de idade gestacional.
  • 3 mg/kg/dose de 12/12 horas em RN com idade gestacional - IG >40 semanas. OBS.: Tratamento durante cinco dias.

Dose de oseltamivir para prematuros: A dose baseada no peso para os prematuros é menor do que para os recém-nascidos a termo devido ao menor clearance de osetalmivir ocasionada pela imaturidade renal.

As doses foram recomendados por dados limitados do National Institute of Allergy and Infections Diseases Collaborative (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS, 2016, p. 13).

OBS: A indicação de Zanamivir deve ocorrer somente em casos de impossibilidade Clínica da manutenção do uso do fosfato de oseltamivir (Tamiflu®).

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