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Influenza/Gripe

Informações Técnicas

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Quinta, 20 de Março de 2014, 11h18 | Última atualização em Quarta, 25 de Abril de 2018, 19h23

Aspectos Epidemiológicos 

Influenza sazonal

O vírus influenza sazonal circula causando doenças em humanos anualmente. Em regiões de climas temperados, os casos de influenza tendem a ocorrer nos meses de inverno, disseminando de pessoa a pessoa por meio de espirros, tosses ou contato om superfícies contaminadas. Pode causar infecção branda a grave, inclusive óbito. Pessoas com alto risco de complicações graves incluem gestantes, idosos, crianças com menos de 5 anos, pessoas imunocomprometidas e pessoas com alguma comorbidade. O vírus evolui continuamente, possibilitando que as pessoas se infectem várias vezes durante a vida. Assim, os componentes da vacina sazonal são revisados frequentemente e atualizados periodicamente para assegurar a efetividade da vacina.

Influenza Pandêmica

Uma pandemia ocorre quando surge um vírus da gripe que a maioria das pessoas não tem imunidade, e porque é tão diferente de qualquer cepa anterior em humanos. Isso permite que a disseminação se espalhe facilmente entre as pessoas.

Algumas pandemias podem resultar em um grande número de infecções graves. A pandemia mais notória que se tem registro é a “gripe espanhola” de 1918-1919 que causou mundialmente cerca de 20 a 50 milhões de mortes. Pandemias subsequentes em 1957 e 1968 resultaram em menor número de mortes apesar de uma grande quantidade da população mundial ser susceptível.

Em 2009, uma linhagem de vírus A (H1N1), nunca identificada anteriormente, emergiu se disseminando por todo o mundo, causando a pandemia de influenza A (H1N1)pdm09. Esse vírus influenza A (H1N1)pdm09 que foi pandêmico tem circulado mundialmente desde 2009, e agora já está estabelecido na população humana como um vírus influenza sazonal.

Os vírus da gripe sazonal podem contribuir para o surgimento de um vírus pandêmico; e uma vez que um vírus pandêmico foi estabelecido, como na pandemia de influenza A (H1N1)pdm09 em 2009, pode se tornar um vírus sazonal. Atualmente, não existe vírus influenza pandêmico circulando mundialmente.

Influenza variante ou zoonótico

Humanos também podem se infectar com vírus influenza que circulam rotineiramente em animais, como os subtipos de vírus influenza aviários A(H5N1) ou A(H7N9). Outras espécies, incluindo cavalos e cachorros, também possuem seus subtipos de vírus influenza A.

Os vírus influenza animais são distintos dos vírus influenza humanos e não são transmitidos facilmente entre humanos. Alguns ocasionalmente infectam humanos, podendo causar infecções com complicações graves e inclusive óbito. Geralmente infecções humanas com um vírus influenza zoonótico são adquiridas por meio de contato direto com animais infectados ou ambientes contaminados, e não se disseminam facilmente entre humanos.

Se um vírus zoonótico adquire a capacidade de se disseminar pessoa a pessoa, por meio de adaptação ou rearranjo, ele se torna capaz de iniciar uma epidemia ou uma pandemia. Ao longo das décadas passadas, houve várias ocasiões de transmissão esporádica de vírus influenza de animais para humanos.

Quando um subtipo de vírus influenza A (H3N2), circulante de suínos, começou a infectar humanos nos Estados Unidos em 2011, ele recebeu o termo “variante” (com um “v” colocado após o nome do vírus) com o intuito de distinguir dos vírus humanos do mesmo subtipo. A terminologia “variante” é usada apenas para outros vírus influenza não sazonais de um mesmo subtipo de vírus influenza sazonal humano, particularmente os vírus H1 e H3 circulantes em suínos quando detectados em humanos.

Outros vírus animais, como por exemplo vírus influenza aviária A(H5N1) e A(H7N9), que infectam humanos são simplesmente chamados de vírus influenza aviários ou vírus influenza zoonóticos.

Quando um vírus influenza animal infecta seu hospedeiro animal natural, ele é denominado de acordo com o hospedeiro, sendo vírus influenza aviário, vírus influenza suíno, vírus influenza equino, etc. Assim, o termo “gripe suína” se refere a vírus influenza suíno infectando suínos e nunca a esse vírus infectando humano.

Como ocorrem mudanças no vírus influenza

As mudanças no vírus influenza podem ocorrer de duas formas: “antigenic drift” e “antigenic shift”.

Antigenic drift ou variação antigênica – São pequenas variações ou mutações nas proteínas da superfície do vírus que leva a produção de novas amostras dentro de um mesmo subtipo viral. Essa variação antigênica ocorre frequentemente e faz com que o sistema imunológico não reconheça as novas amostras virais. Esse processo ocorre da seguinte forma: quando uma pessoa é infectada por uma amostra de vírus influenza e ela desenvolve anticorpos contra este vírus. Com o surgimento de novas amostras desse mesmo subtipo viral, os anticorpos contra a amostra antiga não conseguem reconhecer as novas amostras e a infecção pode ocorrer. Essa á a principal razão pela qual uma pessoa pode adquirir influenza mais de uma vez ao longo da vida. Devido a essa variação antigênica, a composição da vacina contra influenza é revista anualmente e as amostras vacinais componentes são atualizadas de acordo com os vírus influenza circulantes. Por isso, a necessidade de se vacinar anualmente contra influenza.

Antigenic shift”, rearranjo genômico ou mudança antigênica – ocorre apenas nos vírus influenza A e são grandes mudanças antigênicas resultado de rearranjo genômico. Como resultado de um rearranjo, ocorre o surgimento de nova hemaglutinina e/ou neuraminidase em um vírus influenza que infecta humanos. Esses novos subtipos de vírus influenza A emergem a partir de uma população animal e são tão distintos dos subtipos que circulam em humanos que a maioria da população não possui imunidade contra o novo subtipo viral. Um exemplo é a mudança antigênica ocorreu em 2009, quando um novo vírus influenza A (H1N1), com uma nova combinação com genes de origem humana, aviária e suína emergiu - vírus influenza A (H1N1)pdm09 - infectando humanos e se disseminando rapidamente causando uma pandemia.

Enquanto os vírus influenza estão em constantes mudanças por meio de variações antigênicas (“antigenic drift”), as mudanças antigênicas (“antigenic shift”) ocorrem apenas ocasionalmente. Os vírus influenza A sofrem vários tipos de mudanças, enquanto as mudanças nos vírus influenza B são mais graduais por meio das variações antigênicas.

Outras informações de relevância para o agravo

O potencial pandêmico da Influenza reveste-se de grande importância. Durante o século passado, ocorreram três importantes pandemias de Influenza: “Gripe Espanhola” de 1918 a 1920; “Gripe asiática” entre 1957 a 1960 e a gripe de “Hong Kong”, entre 1968 a 1972. Destaca-se ainda uma pandemia de 1977 a 1978, chamada de “Gripe Russa”, que afetou principalmente crianças e adolescentes, e recentemente a “Gripe Influenza Pandêmica (H1N1) 2009”, que se propagou rapidamente por vários países.

Com os modernos meios de transporte, principalmente o transporte aéreo, o deslocamento de pessoas pelo mundo se tornou maior e mais rápido; assim, a disseminação do vírus da Influenza tornou-se mais rápida. Hoje um mesmo subtipo viral pode circular, ao mesmo tempo, em várias partes do mundo, causando epidemias quase simultâneas.

Destaca-se ainda a ocorrência de transmissão direta do vírus Influenza aviária de alta patogenicidade A (H5N1) ao homem, gerando surtos de elevada letalidade. A transmissão da gripe aviária, geralmente, não ocorre de pessoa a pessoa. A transmissão em seres humanos ocorre através de contato direto com secreções de animais doentes ou contato indireto em ambientes contaminados como granjas, feiras ou abatedouros de animais vivos. Este fenômeno foi detectado pela primeira vez em 1997, em Hong Kong, quando 18 pessoas foram afetadas, das quais 6 morreram (letalidade 33,3%). No Brasil, até o momento não há casos de influenza aviária A (H5N1) ou A (H7N9), no entanto o país por meio do Ministério da Saúde procura manter-se atualizado e vigilante frente ao monitoramento das amostras virais circulantes no país e no mundo.

Informações técnicas e recomendações sobre a sazonalidade da influenza

Informe técnico – 2018

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