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Hidatidose humana (Equinococose)

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Terça, 07 de Agosto de 2018, 16h21 | Última atualização em Terça, 16 de Outubro de 2018, 18h28

O que é hidatidose humana (equinococose)

A hidatidose (equinococose) é uma doença parasitária que ocorre em duas formas principais: hidatidose cística (também conhecida como equinococose) causada pelo Echinococcus granulosus e hidatidose policistica, causada pelos Echinococcus vogeli e Echinococcus oligarthrus.

Os cães, raposas e outros carnívoros abrigam os vermes adultos no intestino e evacuam os ovos do parasita nas fezes. Se os ovos são ingeridos por humanos, eles se desenvolvem em larvas em vários órgãos, principalmente no fígado e nos pulmões.

Ambas as hidatidoses cística e policística são caracterizadas por períodos de incubação assintomáticos que podem durar muitos anos até que as larvas do parasita evoluam e desencadeiem sinais clínicos. Ambas as doenças podem causar grave morbidade e morte.

Sintomas

Após a ingestão dos ovos dos Echinococcus, eles eclodem no trato digestivo e as larvas migram via corrente sanguínea para diversos órgãos onde se desenvolvem e se transformam em cistos. Na maioria dos casos de infecção humana, o desenvolvimento do cisto hidático é assintomático. Os indivíduos podem ser portadores do cisto durante toda a vida sem necessitar de assistência médica e poucos são os que desenvolvem alterações graves. As manifestações clínicas estarão relacionadas com o estado físico do cisto assim como sua localização e tamanho.

  • Localização abdominal: dor, fístulas, massas palpáveis, icterícia, hepatomegalia ou esplenomegalia (o fígado é preferencialmente atingido);
  • Localização pulmonar: tosse, dor torácica, hemoptise (tosse com sangue) ou dispnéia (dificuldade respiratória);
  • Localização óssea: destruição de trabéculas, necrose e fratura espontânea.

Casos assintomáticos: detecção do cisto hidático pode ser resultante de um achado ocasional em exame médico de rotina, exame investigativo para outra patologia ou ainda um inquérito radiológico.

Em casos que ocorra a ruptura do cisto: podem ocorrer complicações como choque anafilático e edemas pulmonares.

À medida que o (s) cisto (s) cresce(m) nos tecidos, poderão causar destruição tecidual ou compressão de órgãos. A diferença de maior importância entre a hidatidose cística e policística está no crescimento mais acelerado e agressivo do cisto, além da formação de múltiplos cistos, no caso da hidatidose policística.

Transmissão

Diversos animais herbívoros e onívoros atuam como hospedeiros intermediários do Echinococcus, ao ingerirem ovos de parasitas em solo contaminado e desenvolverem fases larvais parasíticas em suas vísceras. Carnívoros são hospedeiros definitivos do parasita, e podem ser infectados por meio do consumo de vísceras de hospedeiros intermediários que abrigam o parasita e também através da eliminação de carcaças infectadas. Os seres humanos são hospedeiros intermediários acidentais e são incapazes de transmitir a doença.

A transmissão da hidatidose cística é mantida principalmente no ciclo cão-ovino-cão, embora vários outros animais domésticos possam estar envolvidos, incluindo caprinos, suínos, equinos e bovinos entre outros.

A transmissão da hidatidose policística geralmente ocorre em um ciclo da vida silvestre entre canídeos e felídeos-roedores-canídeos e felídeos. Dentre os roedores as pacas e cutias são os mais frequentes.

Para ambas as formas da doença, os seres humanos são infectados pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos de parasitas presentes nas fezes ou na pelagem dos carnívoros, mais comumente o cão doméstico.

Diagnóstico

A hidatidose é diagnosticada baseada em aspectos clínicos e epidemiológicos, além do uso de ferramentas de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada ou raio-X e técnicas sorológicas.

Os testes confirmatórios utilizados dependem da identificação do agente em material biológico tais como vômica, cistos e peças cirúrgicas, para a realização de testes parasitoscópico e biologia molecular.

Prevenção

Hidatidose cística

Impedir que os cães se alimentem de vísceras cruas de animais de produção (principalmente de ovinos e bovinos), para que esgote a fonte de ovos do parasito.

Outras ações necessárias:

  • Desenvolvimento de programa adequado de esclarecimento e educação sanitária;
  • Controle de abate clandestino;
  • Melhoria dos matadouros (impedir acesso de cães aos locais de abate e destruição das vísceras);
  • Controle sanitário dos animais abatido, acompanhamento de seu estado epidemiológico, para identificação das áreas-problema e para apoio ao planejamento e avaliação das medidas de controle; e
  • Diagnóstico e tratamento com anti-helmíntico de cães em áreas endêmicas.

Educação em saúde: processos de higiene pessoal

Educação sanitária: alertar a população contra os perigos da doença, seu modo de infecção e a atitude que se deve manter permanentemente em relação aos cães, em áreas endêmicas.

Atitudes com relação aos cães (atenção especial às crianças): deverão ser postas em guarda contra o risco decorrente de uma exposição com animais suspeitos sem a devida higiene.

Hidatidose policística

Da mesma forma que para hidatidose cística o elo mais frágil da cadeia epidemiológica também é constituído pela infecção dos cães a partir das vísceras contaminadas. Bastaria, portanto, impedir que os cães se alimentem de vísceras cruas de animais caçados (principalmente pacas e cutias).
Ações necessárias:

  • Desenvolvimento de programa adequado de esclarecimento e educação sanitária;
  • Higienização por parte das pessoas do domicílio;
  • Não utilizar cães durante a caça;
  • Não fornecer aos cães as vísceras cruas dos animais caçados;
  • Atitudes com relação aos cães (atenção especial às crianças);
  • Diagnóstico e tratamento anti-helmíntico de cães parasitados com utilização sistemática e periódica; e
  • Restringir o acesso de cães nas hortas e plantações.

Tratamento

A hidatidose apesar de ser uma doença benigna na fase inicial pode evoluir para um comportamento agressivo em boa parte dos casos, podendo evoluir a complicações fatais. Deste modo, o tratamento ideal é a retirada completa do parasito (cisto) do organismo. Essa remoção é realizada por cirurgia quando o cisto se encontra numa localização favorável.

Para a hidatidose cística, o tratamento por meio de compostos benzimidazólicos (mebendazol e albendazol) tem sido administrado para pacientes com cistos que não podem se submeter à cirurgia (devido à localização e tamanho do cisto) ou a punção do mesmo com esvaziamento e injeção de substâncias escolicidas (PAIR – Puncture, Aspiration, Injection, Reaspiration).

Para a hidatidose policística o tratamento de escolha também é a remoção cirúrgica. Em casos irressecáveis o tratamento com albendazol é o utilizado e naqueles que cursam com hipertensão porta e falência hepática o transplante hepático pode ser indicado.

Informações Complementares

Laboratórios colaboradores

Laboratório de hidatidose – Laboratório de Helmintos Parasitos de Vertebrados – Instituto Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz. Av. Brasil, 4365 - Manguinhos – Rio de janeiro, RJ, CEP. 21040-900, Pavilhão Cardoso Fontes - 3° andar - Sala 56B.

Laboratório de hidatidose- Seção de Hepatologia, do Instituto Evandro Chagas, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. Avenida Almirante Barroso - de 41/42 a 653/654, Marco, CEP. 66093-020 - Belém, PA – Brasil, Telefone: (91) 3214-2131, Fax: (91) 3214-2139.

Perguntas e respostas

Hidatidose humana (equinococose)

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