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Oncocercose: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por Leonardo | Publicado: Terça, 02 de Maio de 2017, 13h51 | Última atualização em Quinta, 31 de Janeiro de 2019, 15h58

O que é Oncocercose?

A Oncocercose é uma doença parasitária crônica decorrente da infecção produzida pelo nematódeo Onchocerca volvulus, que se localiza no tecido subcutâneo das pessoas atingidas. A causa principal é a picada do inseto conhecido como borrachudo ou pium infectado com larvas do parasita.

Também é chamada de "cegueira dos rios" ou "mal do garimpeiro".

Como a Oncocercose é transmitida?

A transmissão da Oncocercose se dá pela picada do inseto Simulium (borrachudo ou pium) infectado com larvas do parasita. O ciclo de transmissão se inicia quando o inseto pica uma pessoa infectada e suga microfilárias juntamente com o sangue. Ocorre então uma maturação das microfilárias no interior do inseto, transformando-se em formas infecciosas e numa próxima picada do inserto, o parasita é injetado na circulação do indivíduo.

Decorrido cerca de um ano, o parasita se transforma em verme adulto e passa a produzir um número muito grande de microfilárias, as quais se disseminam por todo o corpo e, eventualmente, podem causar cegueira. Além disso, é comum a presença de lesões dermatológicas e de nódulos subcutâneos.

Quais são os sintomas da Oncocercose?

Após cerca de um ano de infecção por Oncocercose começam a aparecer reações às formas adultas do parasita, gerando nódulos subcutâneos palpáveis (oncocercomas). Esses nódulos são móveis e em seu interior encontram-se os parasitas no estágio adulto. A produção de microfilárias pode levar a sintomas mais graves, tais como:

  • prurido (coceira);
  • exantemas cutâneos (erupção na pele);
  • perda de elasticidade da pele;
  • pápulas;
  • áreas da pele com despigmentação;
  • febre.
IMPORTANTE: No caso das microfilárias migrarem para os olhos, pode ocorrer perda parcial da capacidade visual e até cegueira total.

Como é feito o diagnóstico da Oncocercose?

Os nódulos de parasitas adultos são palpáveis e podem ser identificados por exames de imagem (Tomografia computadorizada ou ecografia) ou por análise microscópica de amostra de biópsia, sendo este o diagnóstico principal da Oncocercose.

As microfilárias são detectadas em biópsias da pele e também podem ser vistas diretamente pela observação do fundo do olho com um oftalmoscópio. Existe ainda uma técnica de detecção do DNA do parasita por PCR.

Como é feito o tratamento da Oncocercose?

O tratamento da Oncocercose é realizado com microfilaricida a base de ivermectina, na dosagem de 150µg/kg (microgramas), em dose única, com intervalos semestrais a todas as pessoas que transitam ou habitam a área endêmica.

A partir de 1993, a Fundação Nacional de Saúde (FNS) assumiu a coordenação do Programa Brasileiro de Eliminação da Oncocercose (PBEO) e passou a executar trabalhos de campo com vistas à caracterização epidemiológica do foco no Brasil, bem como planejar e implementar atividades profiláticas.

Devido à grande mobilidade dos indígenas, o monitoramento e registro individual do tratamento é constantemente atualizado e computado por comunidades indígenas. Atualmente o PBEO está sob a gerência da Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação na SVS.

Como prevenir a Oncocercose?

Evitar a exposição prolongada ao inseto vetor, utilizar roupas que cubram maior parte do corpo, usar repelentes e mosquiteiros são as melhores formas de prevenir a Oncocercose.

A área endêmica no Brasil está restrita às terras indígenas Yanomami, no norte do Brasil, nos estados do Amazonas e Roraima e na fronteira com a Venezuela.

IMPORTANTE: Não há vacina para prevenir a oncocercose.

Situação epidemiológica da Oncocercose

No mundo

A oncocercose ocorre principalmente em áreas tropicais (Mapa 1). Mais de 99% das pessoas infectadas vivem em 31 países da África subsaariana: Angola, Benin, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, Chade, República do Congo, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, República Equatorial Guiné, Etiópia, Gabão, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Quénia, Libéria, Malawi, Mali, Moçambique, Níger, Nigéria, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Sudão do Sul, Sudão, Togo, Uganda, República Unida da Tanzânia.

A oncocercose também é transmitida no Brasil, Venezuela (República Bolivariana do) e Iêmen.

Entre 1974 e 2002, a oncocercose foi controlada na África Ocidental utilizando principalmente o controle vetorial, suplementado pela administração da ivermectina em larga escala desde o ano de 1989.

Nas Américas

O Programa de Eliminação da Oncocercose das Américas (OEPA) começou em 1992 com o objetivo de eliminar a morbidade ocular e a interrupção da transmissão nas Américas até 2015 por meio de um tratamento semestral em grande escala com ivermectina. Todos os 13 focos dessa região alcançaram uma cobertura de mais de 85% em 2006, e a transmissão foi interrompida em 11 dos 13 focos até agora em 2017. Os esforços de eliminação estão agora concentrados na população das Terras Yanomami no Brasil e na República Bolivariana da Venezuela.

A Colômbia foi o primeiro país do mundo a ser verificado e declarado livre de oncocercose pela OMS. Em 5 de abril de 2013, o diretor-geral da OMS publicou uma carta oficial confirmando que a Colômbia alcançou a eliminação da oncocercose, seguido pelo Equador em setembro de 2014, pelo México em julho de 2015 e pela Guatemala em julho de 2016. Mais de 500 mil pessoas não precisam mais de ivermectina nas Américas. Nesses países mantem-se os trabalhos de vigilância pós eliminação.

Em 2016 a OPAS publicou uma nova resolução CD55.R9, para todas as enfermidades infecciosas desatendidas, entre elas a oncocercose, com a meta de eliminação para o ano de 2022.

No Brasil

A oncocercose está em fase de pré-eliminação. Não há registros de casos sintomáticos no Brasil entre o período de 2000 a 2018. Apenas uma proporção de portadores assintomáticos de microfilárias na pele, com baixas densidades da parasitemia detectada nas áreas-sentinela (média de 20% em 2003, 15% em 2007, 4% em 2012 e de 2,5% em 2016).

Durante a última avaliação epidemiológica realizada, nos polo base-sentinela em 2016 o Percentual de casos detectados foi de  3,5% (27/777) no Xitei, 1,3% (6/467) no polo Toototobi e 0,0% (0/66) em Balawau.

Ressalta-se que esses resultados se referem a áreas de maior risco, no epicentro da área endêmica, correspondendo em sua maior parte a zonas hiperendêmicas, no alto da Serra do Parima, na fronteira com a Venezuela. Em outras áreas de menor risco já avaliadas fora das áreas-sentinela, não foram encontradas pessoas parasitadas, revelando assim resultados altamente satisfatórios da intervenção de tratamento. A vigilância tem sido realizada em intervalos de 4 anos, por meio de inquéritos parasitológicos (biópsias de pele) na população indígena Yanomami, inquéritos entomológicos e levantamento sorológico em crianças entre 1 e 10 anos de idade.

A partir dos dados da vigilância, destacam-se a queda acentuada da prevalência da infecção entre os residentes, a redução moderada dos portadores de ceratite punctata, a redução total da ocorrência de microfilárias vivas na câmara anterior dos olhos e a redução acentuada da infecção parasitária nos vetores.

A intervenção mediante tratamentos coletivos, com altas coberturas em área endêmica da população residente e circulante da área endêmica nas terras indígenas yanomami é a medida fundamental para se alcançar a meta de eliminação. Torna-se, então, imprescindível a manutenção dos tratamentos coletivos com regularidade, com homogeneidade e coberturas acima de 85%. Os resultados dos inquéritos demonstraram uma evolução notável e significativa quanto à redução da Oncocercose e espera-se que até o ano de 2022 seja alcançada a esperada interrupção da transmissão.

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