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Avaliação de armadilhas

Escrito por alexandreb.sousa | Criado: Terça, 03 de Junho de 2014, 11h32 | Publicado: Terça, 03 de Junho de 2014, 11h32 | Última atualização em Terça, 03 de Junho de 2014, 11h35

 

 

Informações sobre o estudo “Avaliação de armadilhas para a vigilância entomológica de Aedes aegypti com vistas à elaboração de novos índices de infestação”

 

A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) financiou um estudo para avaliação de armadilhas para a vigilância epidemiológica de Aedes aegypti. Este estudo foi conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz com a colaboração de pesquisador do Instituto de Entomologia Médica - IEPA/Amapá. Também contou com a assessoria técnica da Coordenação Geral do Programa Nacional de Controle da Dengue (CGPNCD) e colaboração das Secretarias Estaduais do Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, além das Secretarias Municipais de Saúde de Campo Grande, Santarém, Parnamirim, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, onde o trabalho de campo foi executado.

A pesquisa foi realizada durante dois anos em cada um dos municípios com exceção de Duque de Caxias e Nova Iguaçu que tiveram somente um ano de trabalho em campo. A informação completa do estudo está disponível em http://www.fiocruz.br/ioc/media/nota_tecnica_ioc_3.pdf. Um resumo da metodologia e dos principais resultados e conclusões dos pesquisadores sobre o estudo são apresentados abaixo:

 

Contextualização e justificativa

Os índices atualmente utilizados para verificar a infestação do vetor Aedes aegypti e para estimar o risco de transmissão se baseiam em informações de pesquisa larvária. Iniciativas mais recentes envolvem o uso de armadilhas, algumas das quais disponíveis no mercado, com potencial de estimar a população adulta do vetor. O objetivo deste projeto foi realizar avaliação independente e simultânea de tais armadilhas, comparando os resultados com a metodologia atual, em situação de campo. Procurou-se ainda definir a pertinência de aplicação na rotina de campo, no âmbito do PNCD.

 

Metodologia

Entre dezembro de 2009 e junho de 2012 foram realizadas instalações mensais de armadilhas em quatro municípios, localizados nas regiões N, NE, SE e CO. Em cada município foram trabalhadas três áreas de aproximadamente 2.000 imóveis. Três armadilhas de captura de adultos foram testadas, Adultrap®, BG-Sentinel® e MosquiTrap®, além de ovitrampas. Os resultados foram comparados com o levantamento de índices larvários, realizado simultaneamente. Mudanças dos protocolos originais só foram efetuadas com o consentimento dos fabricantes ou em adição a suas recomendações.

 

Resultados

Sete aspectos foram considerados, como mencionado a seguir:

 

  • Resultados operacionais - relacionados às taxas de sucesso na instalação. Em geral o processo de instalação, manutenção, coleta e recolhimento das armadilhas foi satisfatório. No entanto destaca-se que ocorreram eventos pontuais, independentes do tipo de armadilha, tais como adequação das equipes, clima, greve de agentes, entre outros, que comprometeram os resultados de um monitoramento por armadilhas.
  • Especificidade - a ovitrampa foi a armadilha que melhor capturou a espécie-alvo, Aedes aegypti. BG-Sentinel® foi a menos específica. Adultrap® e MosquiTrap® foram intermediárias e equivalentes.
  • Sensibilidade - todas as armadilhas tiveram melhor desempenho que a pesquisa larvária. A ovitrampa foi a mais sensível, seguida por BG-Sentinel®, MosquiTrap® e Adultrap®.
  • Consistência temporal - a sazonalidade típica da distribuição de Aedes aegypti foi revelada por todas as armadilhas, notadamente nas localidades com estações definidas. A pesquisa larvária e a ovitrampa apresentaram, respectivamente, a menor e a maior variação temporal.
  • Concordância entre índices - todas as armadilhas foram superiores aos índices larvários. De maneira geral, os índices de positividade e de densidade foram consistentes, principalmente em locais de baixa infestação. Quando a infestação foi alta, os índices de positividade de armadilhas muito sensíveis saturaram, ou seja, foi difícil diferenciá-los em cada local. Para MosquiTrap®, os resultados da identificação dos espécimes em campo diferiram dos resultados em laboratório.
  • Custos - foram considerados os custos com implementação, manutenção, equipes de campo e de laboratório. Ovitrampa foi a armadilha de menor custo global, seguida por BG-Sentinel®. Adultrap® exibiu o maior custo.
  • Opinião dos agentes – avaliou-se a facilidade/dificuldade de itens tais como transporte das armadilhas, recolhimento e identificação dos espécimes. De maneira geral, ovitrampa foi a armadilha mais aceita, e Adultrap® a que suscitou maior rejeição.

A tabela a seguir resume, de forma bastante simplificada, o desempenho comparativo de cada armadilha para os seis últimos itens mencionados acima:

 

Obs.: a escala de cor varia entre o verde (melhor desempenho) e o vermelho (piores resultados).

 

Conclusões gerais

  • O desempenho de todas as armadilhas foi superior aos índices larvários.
  • A ovitrampa foi a armadilha de melhor desempenho e menor custo.
  • Adultrap®, ao contrário, foi a de maior custo e pior desempenho.
  • BG-Sentinel® e MosquiTrap® foram intermediárias.
  • Em todos os casos a qualidade do resultado foi dependente da qualidade do trabalho dos agentes.

 

Recomendações

  • A implementação de treinamento e de avaliação continuados dos agentes, técnicos e supervisores envolvidos com a vigilância entomológica é a principal recomendação deste trabalho. É necessário que estes profissionais se apropriem não apenas dos detalhes técnicos das armadilhas, mas principalmente de seus significados conceituais e de suas potencialidades.
  • Quando a infestação é alta ou a armadilha é muito sensível, há tendência à saturação da positividade. Nestes casos, recomenda-se utilizar índices de densidade, mais informativos.
  • A ovitrampa é muito específica para o gênero Aedes. Em caso de sua utilização na rotina da vigilância, para reduzir o trabalho de laboratório, pode-se optar por contar os ovos e colocar as paletas em água para eclosão de larvas e identificação até espécie apenas uma ou duas vezes por ano, para atualizar a frequência de Aedes aegypti nas localidades.

 

Os resultados deste estudo servirão para subsidiar a CGPNCD/SVS na avaliação de sua inclusão nas estratégias de vigilância entomológica de Aedes aegypti.

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