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Peste: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por Leonardo | Publicado: Terça, 02 de Maio de 2017, 13h52 | Última atualização em Quinta, 17 de Janeiro de 2019, 11h57

O que é a Peste?

A peste é uma doença infecciosa aguda, transmitida principalmente por picada de pulga infectada. A doença se manifesta sob três formas clínicas principais:

  • bubônica;

  • septicêmica;

  • pneumônica.

A doença é conhecida popularmente como “peste negra”, “febre do rato” ou “doença do rato”.

IMPORTANTE: A peste é um perigo potencial para as populações devido à persistência da infecção em roedores silvestres. Se não tratada corretamente, pode levar à morte.

Formas clínicas da Peste

Peste Bubônica

É a mais comum no Brasil. O quadro clínico se apresenta com calafrios, cefaleia intensa, febre alta, dores generalizadas, mialgias, anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental, congestão das conjuntivas, pulso rápido e irregular, taquicardia, hipotensão arterial, prostração e mal-estar geral. Os casos da forma bubônica podem, com certa frequência, apresentar sintomatologia moderada ou mesmo benigna. No 2º ou 3º dia de doença, aparecem as manifestações de inflamação aguda e dolorosa dos linfonodos da região, ponto de entrada da Y. pestis. É o chamado bubão pestoso, formado pela conglomeração de vários linfonodos inflamados. O tamanho varia 1 a 10cm; a pele do bubão é brilhante, distendida e de coloração vermelho escura; é extremamente doloroso e frequentemente se fistuliza, com drenagem de material purulento. Podem ocorrer manifestações hemorrágicas e necróticas, devido à ação da endotoxina bacteriana sobre os vasos.

Peste Septicêmica Primária

É uma forma muito rara, na qual não há reações ganglionares visíveis. É caracterizada pela presença permanente do bacilo no sangue. O início é fulminante, com febre elevada, pulso rápido, hipotensão arterial, grande prostração, dispneia, fácies de estupor, dificuldade de falar, hemorragias cutâneas, às vezes serosas e mucosas e até nos órgãos internos. De modo geral, a peste septicêmica aparece na fase terminal da peste bubônica não tratada.

Peste Pneumônica

Pode ser secundária à peste bubônica ou septicêmica, por disseminação hematógena. É a forma mais grave e mais perigosa da doença, pelo seu quadro clínico e pela alta contagiosidade, podendo provocar epidemias explosivas. Inicia-se com quadro infeccioso grave, de evolução rápida, com abrupta elevação térmica, calafrios, arritmia, hipotensão, náuseas, vômitos, astenia, obnubilação mental. A princípio, os sinais e sintomas pulmonares são discretos e ausentes. Depois surge dor no tórax, respiração curta e rápida, cianose, expectoração sanguinolenta ou rósea, fluida, muito rica em micro-organismos. Surgem fenômenos de toxemia, delírio, coma e morte, se nãohouver instituição do tratamento precoce e adequado.

  • Período de infecção – cerca de 5 dias após os micro-organismos inoculados difundem-se pelos vasos linfáticos até os linfonodos regionais, que passarão a apresentar inflamação, edema, trombose e necrose hemorrágica, constituindo os característicos bubões pestosos. Quando se institui tratamento correto, este período se reduz para 1 ou 2 dias.

  • Período toxêmico – dura de 3 a 5 dias, correspondendo ao período de bacteremia. A ação da toxina nas arteríolas e capilares determina hemorragias e necrose. Petéquias e equimose são encontradas quase sempre na pele e mucosas. Há hemorragias nas cavidades serosas,nos aparelhos respiratórios, digestivos e urinários. Nos casos graves, essas manifestações conferirão à pele um aspecto escuro.

  • Remissão – em geral, inicia-se por volta do 8º dia e caracteriza-se por uma regressão dos sintomas, com a febre caindo em lise e os bubões reabsorvidos ou fistulados. Quando o quadroé de peste bubônica, pode haver remissão mesmo sem tratamento, em uma proporçãoconsiderável dos casos, entretanto, nos casos da peste pneumônica, se não for instituída terapia adequada, o óbito ocorre em poucos dias.

Como a Peste é transmitida?

A transmissão da Peste na forma bubônica ocorre por meio da picada de pulgas infectadas. Na forma pneumônica, a transmissão se dá por gotículas aerógenas lançadas pela tosse no ambiente.

A maior transmissibilidade se dá no período sintomático, em que o bacilo circula no organismo em maiores quantidades. A transmissibilidade da peste pneumônica ocorre no início da expectoração, permanecendo enquanto houver bactérias no trato respiratório.

O período de incubação geralmente é de 2 a 6 dias na peste bubônica e de 1 a 3 dias na peste pneumônica.

A peste continua sendo potencialmente perigosa em diversas partes do mundo. No Brasil, existem duas áreas distintas consideradas focos naturais:

  • o foco do nordeste;

  • foco de Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro.

Existem outras áreas pestígenas localizadas no território mineiro do vale do Rio Doce e vale do Jequitinhonha, que podem ser consideradas como extensão do foco do nordeste. O foco do nordeste encontra-se distribuído nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco (com pequena extensão para o Piauí), Alagoas e Bahia.

O Brasil não registra casos humanos de peste desde ano de 2005. O último caso ocorreu no estado do Ceará, no município de Pedra Branca.

Quais são os sintomas da Peste?

Os sintomas da peste variam de acordo com as formas clínicas. 

Na Peste Bubônica, os sintomas são:

  • febre alta;

  • calafrios;

  • dor de cabeça intensa;

  • dores generalizadas;

  • falta de apetite;

  • náuseas;

  • vômitos;

  • confusão mental;

  • olhos avermelhados;

  • pulso rápido e irregular;

  • pressão arterial baixa;

  • prostração e mal-estar geral;

  • após 2 ou 3 dias, aparece tumefação nos linfonodos superficiais.

Na Peste Septicêmica, os sintomas são:

  • febre alta;

  • calafrios;

  • dor de cabeça intensa;

  • dores generalizadas;

  • falta de apetite;

  • náuseas;

  • vômitos;

  • confusão mental;

  • olhos avermelhados;

  • pulso rápido;

  • hipotensão arterial;

  • prostração;

  • dispneia;

  • estado geral grave;

  • dificuldade na fala;

  • hemorragias;

  • necrose dos membros;

  • coma;

  • morte.

Na Peste Pneumônica, além dos sintomas comuns às outras duas formas clínicas, o paciente ainda apresenta:

  • dor no tórax;

  • respiração curta e rápida;

  • dispneia;

  • cianose;

  • expectoração sanguinolenta;

  • delírio;

  • coma;

  • morte.

IMPORTANTE: Muitos casos, especialmente da forma bubônica, não apresentam toda a riqueza de sintomatologia acima descrita, podendo haver casos leves.

Como é feito o diagnóstico da Peste?

O diagnóstico laboratorial da Peste é feito mediante o isolamento e a identificação da bactéria Y. pestis em amostras de aspirado de bubão, escarro e sangue. Pode-se realizar imunofluorescência direta e também sorologia, por meio das técnicas de hemaglutinação/inibição da hemaglutinação (PHA/PHI), ELISA, Dot-ELISA, e bacteriológica por meio de cultura e hemocultura.

No diagnóstico diferencial, a peste bubônica deve ser diferenciada de adenites regionais supurativas, linfogranuloma venéreo, cancro mole, tularemia e sífilis. Em alguns focos brasileiros, a peste bubônica pode, inclusive, ser confundida com a leishmaniose tegumentar americana, na sua forma bubônica.

A forma septicêmica deve ser diferenciada de septicemias bacterianas, das mais diversas naturezas, e de doenças infecciosas de início agudo e de curso rápido e grave. Nas áreas endêmicas de tifo exantemático, tifo murino e febre maculosa, pode haver dificuldade diagnóstica com a septicemia pestosa.

A peste pulmonar, pela sua gravidade, deve ser diferenciada de outras pneumonias, broncopneumonias e estados sépticos graves.

A suspeita diagnóstica pode ser difícil no início de uma epidemia ou quando é ignorada a existência da doença em uma localidade, já que suas primeiras manifestações são semelhantes a muitas outras infecções bacterianas. A história epidemiológica compatível facilita a suspeição do caso.

Como é feito o tratamento da Peste?

O tratamento da peste deve ser feito com antibióticos. Ele deve ser instituído precoce e intensivamente. Não se deve, em hipótese alguma, aguardar os resultados de exames laboratoriais, devido à gravidade e rapidez da instalação do quadro clínico que a peste provoca.

O ideal é que se institua a terapêutica específica nas primeiras 15 horas após o início dos sintomas, para evitar complicações e morte.

Como prevenir a Peste?

Algumas medidas simples podem ser adotadas para prevenir a Peste. 

  • Evitar contato com roedores silvestres e suas pulgas.

  • Evitar contato com animais sinantrópicos, que se adaptaram a viver junto ao homem, pois eles podem estar infestados por pulgas infectadas.

Situação Epidemiológica da Peste

A maior transmissibilidade da peste se dá no período sintomático, em que o bacilo circula no organismo em maiores quantidades. A transmissibilidade da peste pneumônica ocorre no início da expectoração, permanecendo enquanto houver bactérias no trato respiratório.

Na peste bubônica a principal forma de transmissão é pela picada de pulgas infectadas.

Na peste pneumônica a transmissão se dá pelas gotículas transportadas pelo ar. Tecidos de animais infectados, fezes de pulgas e culturas de laboratório também são fontes de transmissão para quem os manipula sem obedecer às regras de biossegurança.

O período de incubação geralmente é de dois a seis dias na peste bubônica e de um a três dias na peste pneumônica. Pode ser confundida com as adenites regionais supurativas, linfogranuloma venéreo, cancro mole, tularemia e sífilis.

A peste também pode ser confundida com leishmaniose tegumentar americana em sua fase inicial (“leishmaniose bubônica”). Para ser eficaz, o tratamento deve ser precoce e correto.

O ideal é instituir o tratamento nas primeiras 15 horas após o início dos sintomas. Não se deve, portanto, condicionar o tratamento aos resultados de exames laboratoriais. Os antibióticos de eleição são: tetraciclinas, estreptomicina, cloranfenicol.

IMPORTANTE: Não se deve usar a penicilina. Quimioterápicos, como as sulfamidas, também são indicados.

Casos Pestes

Óbitos Peste

Orientações para profissionais de saúde sobre a Peste

Notificação de casos suspeitos

De acordo com a Portaria do MS de consolidação Nº 4 de 03 de outubro de 2017, todo caso de peste é de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde. Deve-se realizar a investigação epidemiológica em até 48 horas após a notificação, avaliando a necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes. A investigação deverá ser encerrada até 60 dias após a notificação. A unidade de saúde notificadora deve utilizar a ficha de notificação/investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan encaminhando-a para ser processada, conforme o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde.

Notificação imediata a todas as esferas do governo

De acordo com a Portaria do MS de consolidação Nº 4 de 03 de outubro de 2017, um caso de peste deve ser notificado em até 24 horas as autoridades sanitárias competentes, por telefone, fax, e-mail ou qualquer outro meio de comunicação.

Caso a SMS e/ou SES não disponham de infraestrutura, principalmente nos fins de semana, feriados e período noturno, a notificação deverá ser feita à Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS/MS pelo Disque-Notifica 0800-644-6645, por meio de mensagem de correio eletrônico enviada ao endereço notifica@saude.gov.br ou, diretamente, pelo sítio eletrônico da Secretaria de Vigilância em Saúde, no endereço www.saude.gov.br/svs.

As notificações de forma imediata visam à prevenção de novos casos e até mesmo de um surto.

Informações sobre a Peste para viajantes

Os viajantes devem ser informados se no país ou região visitada existe possibilidade de transmissão da doença, principalmente no que se refere ao turismo ecológico. Havendo possibilidade de contato com roedores silvestres e pulgas nas regiões de serras e planaltos, nos quais exista circulação da Yersinia pestis, deverão ser adotadas medidas de precaução para evitar o contato homem-roedores e pulgas.

Publicações sobre a Peste

Manual de Vigilância e Controle da Peste: Anexo I

Guia de Vigilância em Saúde

 

 
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