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Tétano Acidental: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Tétano Acidental: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 02 de Maio de 2017, 14h04 | Última atualização em Quarta, 03 de Abril de 2019, 14h18

O que é Tétano Acidental?

O Tétano acidental é uma doença infecciosa não contagiosa, prevenível por vacina, causada pela ação de exotoxinas produzidas pela bactéria Clostridium tetani, normalmente encontrado na natureza sob a forma de esporo.

Esta bactéria é encontrada em:

  • pele;

  • fezes;

  • terra;

  • galhos;

  • arbustos;

  • águas putrefatas;

  • poeira das ruas;

  • trato intestinal dos animais (especialmente do cavalo e do homem, sem causar doença).

A letalidade da infecção, ou seja, a probabilidade de causar morte, varia em função da faixa etária do paciente, gravidade da forma clínica, tipo de ferimento da porta de entrada, duração dos períodos de incubação e progressão, presença de complicações respiratórias, hemodinâmicas, renais e infecciosas, além do local onde é tratado e qualidade da assistência prestada.

IMPORTANTE: A suscetibilidade do tétano acidental é universal, independendo de sexo ou idade. A imunidade permanente é conferida pela vacina, desde que sejam observadas as condições ideais inerentes ao imunobiológico e ao indivíduo.

Quais são os sinais e sintomas do Tétano Acidental?

A tétano acidental caracteriza-se pelos seguintes sinais e sintomas:

  • contraturas musculares;

  • rigidez de membros;

  • rigidez abdominal;

  • trismo e riso sardônico (dificuldade de abrir a boca) e de deambular;

  • dores nas costas e nos membros.

Como o Tétano Acidental é transmitido?

O tétano acidental não é uma doença transmitida de pessoa a pessoa. A transmissão ocorre, geralmente, pela contaminação de um ferimento da pele ou mucosa, com os esporos do bacilo.

O período de incubação ocorre entre o ferimento (provável porta de entrada do bacilo) e o primeiro sinal ou sintoma. É curto: em média de 5 a 15 dias podendo variar de 3 a 21 dias.

IMPORTANTE: Nos casos em que o período de incubação é menor que 7 dias, o prognóstico é pior. Quanto menor for o tempo de incubação, maior a gravidade e pior o prognóstico.

Como é feito o diagnóstico do Tétano Acidental?

O diagnóstico do tétano é eminentemente clínico, não dependendo de confirmação laboratorial. Os exames laboratoriais auxiliam apenas no controle das complicações e tratamento do paciente. O hemograma habitualmente é normal, exceto quando há infecção secundária associada.

As transaminases e ureia podem elevar-se nas formas graves. A gasometria e a dosagem de eletrólitos são importantes nos casos de insuficiência respiratória. As radiografias de tórax e da coluna vertebral devem ser realizadas para o diagnóstico de infecções pulmonares e fraturas de vértebras. Hemoculturas, culturas de secreções e de urina são indicadas apenas nos casos de infecção secundária.

Diagnóstico diferencial

Em relação às formas generalizadas do tétano, incluem-se os seguintes diagnósticos diferenciais:

  • Intoxicação pela estricnina– há ausência de Trismo e de hipertonia generalizada, durante os intervalos dos espasmos.

  • Meningites– há febre alta desde o início, ausência de Trismo, presença dos sinais de Kerning e Brudzinsky, cefaleia e vômito.

  • Tetania– os espasmos são, principalmente, nas extremidades, sinais de Trousseau e Chvostek presentes, hipocalcemia e relaxamento muscular entre os paroxismos.

  • Raiva– história de mordedura, arranhadura ou lambedura por animais, convulsão, ausência de trismos, hipersensibilidade cutânea e alterações de comportamento.

  • Histeria– ausência de ferimentos e de espasmos intensos. Quando o paciente se distrai, desaparecem os sintomas.

  • Intoxicação pela metoclopramida e intoxicação por neurolépticos– podem levar ao trismo e hipertonia muscular.

  • Processos inflamatórios da boca e da faringe, acompanhados de trismo– dentre as principais entidades que podem causar o trismo, citam-se: abscesso dentário, periostite alvéolo-dentária, erupção viciosa do dente  siso,  fratura e/ou osteomielite de mandíbula, abscesso amigdalino e/ou retro faríngeo.

  • Doença do soro– pode cursar com trismo, que é decorrente da artrite têmporo-mandibular, que se instala após uso de soro heterólogo. Ficam evidenciadas lesões maculopapulares cutâneas, hipertrofia ganglionar, comprometimento renal e outras artrites.

Como é feito o tratamento do Tétano Acidental?

Sempre que houver lesão da pele/mucosa, a pessoa deve lavar o local com água e sabão e procurar o serviço de saúde mais próximo para avaliar a necessidade de utilização de vacina ou soro. Se apresentar um dos sinais e sintomas característicos do tétano, após lesão na pele/mucosas, procure com urgência a unidade ou equipe de saúde mais próxima. Lembre-se de explicar ao médico como ocorreu e o que causou a lesão.

O doente deve ser internado em unidade assistencial apropriada, preferencialmente em unidade de terapia intensiva (UTI) onde existe suporte técnico necessário ao seu manejo e suas complicações, com consequente redução das sequelas e da letalidade.

Na indisponibilidade de leitos de UTI ou unidades semi-intensivas, a internação deve ocorrer em unidade assistencial, em quarto individual com o mínimo de ruído, de luminosidade e com temperatura estável e agradável. Casos graves têm indicação de terapia intensiva.

Os princípios básicos do tratamento do tétano são:

  • sedação do paciente;
  • neutralização da toxina tetânica;
  • eliminação do C. tetani do foco da infecção;
  • debridamento do foco infeccioso;
  • medidas gerais de suporte.
Soro antitetânico (SAT) Fechar

O tratamento específico é realizado com a administração do SAT, que visa neutralizar a toxina circulante. O SAT é preconizado para a prevenção e o tratamento do tétano e sua indicação depende do tipo e das condições do ferimento. O SAT é uma solução que contém imunoglobulina (IgG) purificadas, obtidas a partir de plasma de equinos hiperimunizados com toxoide. É um produto cada vez mais purificado, em razão do que se considera rara a possibilidade de causar complicações graves tais como choque anafilático e a doença do soro. Mesmo assim sua administração só deve ser feita em serviços de saúde preparados pra o tratamento de complicações, o que implica a existência de equipamentos de emergência e a presença de um médico. Sua meia-vida é inferior a 14 dias em indivíduos normais.

 

Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) Fechar

É constituída por imonoglobulinas da classe IgG que neutralizam a toxina produzida pelo Clostridium tetani, sendo obtida do plasma de doadores selecionados (pessoas submetidas a imunização ativa contra o tétano) com alto títulos no soro de anticorpos específicos (antitoxina). A IGHAT está indicada para: indivíduos que apresentaram algum tipo de hipersensibilidade quando da utilização de qualquer soro heterólogo (antitetânico, antirrábico, antidiftérico, antiofídico entre outros), indivíduos imunodeprimidos, recém-nascidos em risco para tétano e recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas. Sua meia-vida é de 21 a 28 dias, em indivíduos sem imunização prévia.

Como prevenir o Tétano Acidental?

O tétano acidental é uma doença imunoprevenível e para a qual existe um meio eficaz de proteção, que é a vacina antitetânica. Frente ao conhecimento de um caso, deve-se avaliar a situação das ações preventivas da doença e implementar medidas que as reforcem.

A principal forma de prevenção do tétano acidental é vacinar a população desde a infância com a vacina antitetânica. Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação.

Acesse nossa página temática especializada em vacinação

Situação epidemiológica do Tétano Acidental

O tétano acidental é uma doença universal que pode acometer homens, mulheres e crianças independentes da idade, quando suscetíveis. É mais comum em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. A letalidade da doença é alta: de cada 100 pessoas que adoecem cerca de 30 morrem. O tétano é uma doença rara nos países da Europa e América do Norte, sobretudo em decorrência do desenvolvimento social/educacional e da vacinação. No Brasil, tem-se observado uma redução contínua do tétano acidental. No ano de 1982 foram confirmados 2.226 casos com um coeficiente de incidência de 1,8 casos por 100.000 habitantes. Em 1992 ocorreram 1.312 casos com incidência de 0, 88, redução de 58%. Em 2002 ocorreram 608 casos com incidência de 0,35 e redução de 53% em relação à década anterior. A partir de 2007, o número médio de casos confirmados foi em torno de 340 casos/ano e incidência de 0,18.

Entre os anos de 2013 a 2017 foram registrados 1.313 casos de tétano acidental no país sendo: 188 na Região Norte (14,3%); 382 na Nordeste (29,1%); 307 na Sudeste (23,4%); 266 na Sul (20,3%) e 170 na Região Centro-oeste (12,9%). O coeficiente de incidência apresentou uma variação de 0,14 em 2013 para 0,11 por 100.000 habitantes em 2017. No mesmo período, 70% dos casos concentram-se no grupo com faixa etária de 30 a 69 anos de idade. A maioria dos casos de tétano acidental ocorreu nas categorias de aposentado-pensionistas, trabalhador agropecuário, seguidas pelos grupos de trabalhador da construção civil (pedreiro), estudantes e donas de casa. Outra característica da situação epidemiológica do tétano acidental no Brasil é que, a partir da década de 90, observa-se aumento da ocorrência de casos na zona urbana. Esta modificação pode ser atribuída ao êxodo rural. A letalidade mantém-se acima de 30%, sendo mais representativa nos idosos.

Em 2016, 2017 e 2018, foram confirmados 243, 230 e 196 casos em todo território nacional. A letalidade, nesse mesmo período, foi de 33%, 30% e 38,7% respectivamente, sendo considerada elevada, quando comparada com os países desenvolvidos, onde se apresenta entre 10 a 17%.

>> Tabela de casos de Tétano Acidental. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1990 a 2018*

>> Tabela de óbitos de Tétano Acidental. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1998 a 2018*

>> Gráfico Série Histórica. Brasil, 1990 a 2018*

Publicações sobre o Tétano Acidental

>> Boletim epidemiológico - Vol. 49 Nº 25, 2018: Situação epidemiológica do tétano acidental, Brasil, 2007 a 2016

>> Guia de Vigilância em Saúde – Volume único – 1ª edição atualizada (SVS/MS)

>> Informe epidemiológico de Tétano Acidental. Brasil, 2015

>> Folder - Tétano Acidental

>> Cartilha de Alerta de Chuvas Intensas

>> Cartilha - Saiba como agir em caso de enchentes

>> Guia de bolso 8ª Edição - Doenças Infecciosas e Parasitárias

Viajantes e o Tétano Acidental

Em situação de viagem para local onde a vacina contra o tétano não esteja disponível ou necessite de prescrição é prudente que todas as pessoas realizem com antecedência seu esquema vacinal. Atenção para a necessidade de reforço, após 10 anos da última dose do esquema completo. Confira o esquema de proteção no Calendário Nacional de Vacinação.

Acesse nossa página temática especializada em Saúde do Viajante

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