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Tracoma

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 02 de Maio de 2017, 14h05 | Última atualização em Terça, 28 de Novembro de 2017, 15h33

Tracoma é uma doença inflamatória ocular, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis.

Em áreas com grande quantidade de casos ocorre um maior risco de reinfecções. Infecções repetidas da doença produzem cicatrizes na conjuntiva do olho, que podem levar ao entrópio (pálpebra em posição defeituosa com margem para dentro do olho) e triquíase (cílios em posição defeituosa nas bordas da pálpebra, tocando o globo ocular). O atrito do cílio sobre o globo ocular causam alterações na córnea que podem provocar a diminuição da acuidade visual até à cegueira.

O tracoma é responsável por prejuízos visuais em 1,9 milhões de pessoas, das quais 450 mil apresentam cegueira irreversível. Estima-se que 190,2 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas com risco de cegueira por tracoma. O tracoma é um problema de saúde pública em muitos países pobres e em áreas remotas de 42 países da África, Ásia, América Central e do Sul e Oriente Médio (Bourne et al., 2013; WHO, 2016; WHO, 2017).

Diagnóstico do tracoma

O diagnóstico do tracoma é essencialmente clínico e realizado por meio de exame ocular externo, utilizando lupa binocular de 2,5 vezes de aumento.
O diagnóstico laboratorial deve ser utilizado para a constatação da circulação da bactéria causadora do tracoma na comunidade, e não para a confirmação de cada caso, individualmente. A técnica laboratorial padrão, para o diagnóstico das infecções por Chlamydia trachomatis, bactéria causadora do tracoma, é a cultura, porém não vem sendo utilizada como rotina nos laboratórios de saúde pública. No entanto, no Brasil, encontra-se em fase de validação a técnica de PCR, utilizada para a constatação da circulação da bactéria em áreas endêmicas ou em investigação. Para diagnosticar o tracoma é preciso diferenciá-lo de outras conjuntivites.

Orientações

O Tracoma apresenta cinco formas clínicas, padronizadas pela Organização Mundial de Saúde - OMS: duas formas transmissíveis (Tracoma Inflamatório Folicular – TF e Tracoma Inflamatório Intenso - TI) e três formas não transmissíveis (Tracoma Cicatricial - TS, Triquíase Tracomatosa - TT e Opacificação Corneana - CO), são formas sequelares consequência de processos repetidos de infecção e cicatrização.
Para impacto no controle do tracoma faz-se necessário adoção de medidas intersetoriais com as áreas de saneamento básico e educação, econômico-social - distribuição de renda e habitacional. Um caso positivo de tracoma sempre possui um vínculo epidemiológico, ou seja, está sempre associado a outro caso. Em áreas onde as infecções bacterianas secundárias são frequentes, aumentam os riscos de transmissibilidade da doença. A bactéria em contato com a conjuntiva ocular produz uma reação inflamatória difusa na pálpebra superior, com o aparecimento de folículos. Em áreas hiperendêmicas, em decorrência de infecções repetidas, os folículos, que são formações arredondadas, características do estágio inflamatório, quando cicatrizam formam pontos que evoluem para linhas de cicatrizes. Estas deformidades evoluem para retração da pálpebra e dos cílios (entrópio e triquíase) para dentro do olho. Os cílios que tocam a córnea provocam abrasão crônica, opacidade e diminuição progressiva da visão. Caso não seja realizada a cirurgia para correção palpebral ou epilação destes cílios, o caso pode evoluir para baixa na acuidade visual e a até cegueira.

Tratamento

O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é a Azitromicina em dose única nas apresentações em comprimidos de 500mg e suspensão de 600mg.
O objetivo do tratamento é a cura da infecção. Em nível populacional, o objetivo é interromper a cadeia de transmissão da doença e diminuir a circulação do agente etiológico na comunidade, o que leva à redução da frequência das reinfecções e da gravidade dos casos. 

Informações Técnicas

Tracoma é uma doença inflamatória de evolução crônica e recidivante, também conhecida como conjuntivite granulomatosa.
Agente etiológico: bactéria gram-negativa Chlamydia trachomatis, de vida intracelular obrigatória, dos sorotipos A, B, Ba e C. Existem outros sorotipos de C. trachomatis infectantes para o homem, porém estão associados a conjuntivites de inclusão, doenças sexualmente transmissíveis e pneumonia em recém-nascidos. Sintomas: Os olhos podem ficar vermelhos e irritados, lacrimejantes e com secreção, coçando, com sensação de areia e com intolerância à luz. Em muitos casos pode não apresentar sintomas. Reservatório: O homem, com infecção ativa na conjuntiva ou outras mucosas. Crianças até 10 anos de idade, com infecção ativa, configuram o principal reservatório do agente etiológico, nas localidades onde o tracoma é endêmico. Não há reservatórios animais reconhecidos. Vetores: Alguns insetos, como a mosca doméstica (Musca domestica), e/ou a lambe-olhos (Hippelates sp e Liohippelates spp.), podem atuar como vetores mecânicos da bactéria. Modo de transmissão: contato direto de pessoa a pessoa, ou indireto por meio de objetos contaminados (toalhas, lenços, fronhas etc). As moscas podem contribuir para a disseminação da doença, por transmissão mecânica. A transmissão só é possível na presença de lesões ativas.
Período de incubação: De 5 a 12 dias, após contato direto ou indireto. Período de transmissibilidade: A transmissão ocorre enquanto houver lesões ativas nas conjuntivas e nas mucosas dos anexos oculares, as quais podem durar anos. Suscetibilidade e imunidade: A suscetibilidade é universal, sendo as crianças as mais suscetíveis, inclusive às reinfecções. Não se observa imunidade natural ou adquirida à infecção por C. trachomatis.

Prevenção do tracoma

O tracoma está relacionado com as precárias condições socioeconômicas, de saneamento e condições determinantes de saúde. Em países desenvolvidos, o controle da doença foi alcançado com melhoria das condições de vida e acesso ao desenvolvimento e saneamento. Portanto, são fundamentais as medidas de promoção da higiene pessoal e familiar, tais como a limpeza do rosto, o destino adequado do lixo, disponibilidade de água e destino adequado dos dejetos. A prevenção desta doença pode ser realizada com adoção de hábitos adequados de higiene, como lavar o rosto das crianças com frequência e não compartilhar objetos de uso pessoal. Evitar dormir na mesma cama e compartilhar lenços e toalhas entre outros.
A busca ativa em escolas e creches deve ser sistemática nos locais onde haja suspeita da ocorrência de casos de tracoma. Deve ser ressaltada a importância das medidas de educação em saúde, envolvendo pais, professores, funcionários e crianças, para o sucesso das medidas de vigilância e controle do tracoma. Não há necessidade de isolamento dos casos. Os indivíduos com tracoma devem receber tratamento e continuar a frequentar a instituição.
O tracoma não é uma doença de notificação compulsória nacional, entretanto é uma doença sob vigilância epidemiológica de interesse nacional, sendo orientado o registro de todos os casos positivos confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Sinais e sintomas do tracoma

Em geral, o indivíduo apresenta fotofobia (sensibilidade e intolerância à luz), prurido (coceira nos olhos), sensação de corpo estranho dentro do olho, vermelhidão nos olhos, secreção e lacrimejamento. Muitos casos de tracoma não apresentam nenhum sintoma. O período de incubação (período entre o momento da infecção e o surgimento dos sintomas) do tracoma dura de 5 a 12 dias e pode se apresentar inicialmente com a aparência de uma inflamação que afeta ambos os olhos. Os pacientes que apresentam as formas sequelares do tracoma - entrópio (pálpebra com a margem virada para dentro do olho) e triquíase tracomatosa (cílios em posição defeituosa, tocando o globo ocular) manifestam dor constante e dificuldade de abrir os olhos. Se a doença está mais avançada, pode haver a presença de cicatrizes na córnea (primeira estrutura transparente do olho) e na conjuntiva (membrana que cobre o olho e a superfície interna das pálpebras, a parte branca do olho), prejudicando a visão e podendo levar à cegueira. A maior ou menor gravidade da doença ocorre principalmente com a reincidência dos episódios em áreas com muitos casos de tracoma e pelas conjuntivites bacterianas associadas. Infecções bacterianas secundárias, que se aproveitam da infecção que causa o tracoma, podem estar associadas ao quadro, contribuindo para a disseminação da doença.

 


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