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Vigilância em Saúde

Controle de vetores

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 30 de Maio de 2017, 10h48 | Última atualização em Segunda, 16 de Outubro de 2017, 10h25

O controle vetorial pode ser dividido principalmente em:

  • Controle Biológico;
  • Mecânico ou Ambiental;
  • Químico.

Controle Biológico

É o uso de parasitas, patógenos ou predadores naturais para o controle de populações do vetor, tais como Bacillus thuringiensis istraelensis (BTI)  ou  peixes que comem as larvas do mosquito como Gambusia affinis.

Controle mecânico ou ambiental

Utilizam-se métodos que eliminam ou reduzem as áreas onde os vetores se desenvolvem como a remoção da água estagnada, a destruição de pneus velhos e latas que servem como criadouros de mosquito. Ou podem ser utilizados métodos que limitam o contato homem-vetor como mosquiteiros, telas nas janelas das casas ou roupas de proteção.

Controle Químico

É o uso de inseticidas para controlar as diferentes fases dos insetos. Para o controle de insetos vetores de doenças são utilizados produtos formulados de acordo com a fase e os hábitos do vetor. Os inseticidas podem ser classificados como larvicidas, cujo alvo são as fases larvárias, ou adulticidas, direcionados a controlar os insetos adultos, para o qual é utilizada aplicação residual ou aplicação espacial.

Desde 1998, o Programa Nacional de Controle da Dengue/MS vem avaliando novas alternativas de controle químico e analisando a resistência de populações de Aedes aegypti provenientes de municípios de diferentes regiões do país aos inseticidas recomendados pelo PNCD bem como para novas formulações.

Periodicamente, um grupo de especialistas nas áreas de entomologia, controle vetorial e gestores se reúnem para avaliar os resultados dos estudos realizados e recomendar ações para o controle vetorial.

O último encontro foi realizado entre 11 e 12 de abril de 2012 durante II Seminário Internacional para Avaliação de Ações de Controle Químico de Aedes Aegypti no Brasil e o resumo executivo pode ser acessado aqui.

Para executar ações de controle vetorial, é importante seguir alguns procedimentos de segurança.

As recomendações atuais podem ser acessadas no Controle de Vetores - Procedimentos de Segurança

Controle de Vetores/Inseticidas e Larvicidas

O controle de vetores em Saúde Pública engloba uma série de metodologias para limitar ou eliminar insetos ou outros artrópodes que transmitem patógenos causadores de doenças.

O controle vetorial pode ser dividido principalmente em controle biológico, mecânico ou ambiental e químico.

Os larvicidas utilizados no controle de vetores pertencem principalmente aos grupos dos biolarvicidas, reguladores do crescimento como inibidores da síntese de quitina e análogos de hormônio juvenil, espinosinas e organofosforados e piretróides. Entretanto, para uso em água potável a lista é mais restrita. Atualmente a Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de larvicidas de cinco grupos conforme tabela abaixo (OMS, 2012).

Clique aqui e confira os larvicidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para uso em água potável

Recomendações da Secretaria de Vigilância em Saúde sobre o uso de larvicidas

O temefós foi o principal larvicida utilizado para o controle de Aedes aegypti nas últimas décadas. Entretanto, desde 1999 vem sendo detectada resistência do vetor a esse larvicida e, em 2012, foi recomendada por especialistas a interrupção do uso do mesmo.

Portanto, o temefós está sendo utilizado de maneira restrita em 2013 e a partir de 2014 não será mais utilizado. Todos os outros larvicidas recomendados pela OMS para uso em água potável constam da lista de produtos que podem ser utilizados pelo Programa Nacional de Controle de Dengue. Em 2013 foram utilizados os seguintes produtos para o controle larvário: diflubenzuron e novaluron. Em 2014 está sendo introduzido o pyriproxyfen.

Informações sobre estudo “Avaliação da efetividade de larvicidas para o controle de Aedes aegypti em condições simuladas de campo”

Orientações técnica para utilização do larvicida pyriproxyfen (0,5 G) no controle de Aedes aegypti

Avaliação da eficácia de análogos de hormônio juvenil e inibidores da síntese de quitina no controle de Aedes aegypti

Recomendações para uso do larvicida Novaluron para controle de Aedes aegypti

A aplicação espacial de inseticidas é utilizada principalmente para o controle do vetor da dengue. No Brasil recomenda-se utilizar a aplicação espacial a Ultra Baixo Volume (UBV) com nebulizadores costais ou equipamentos acoplados a veículos.

As aplicações a Ultra Baixo Volume são preconizadas para controle do vetor Aedes aegypti somente quanto  houver necessidade do controle de surtos e epidemias de dengue, conforme estabelecido nas Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle da Dengue.

A eficiência desta tecnologia depende fundamentalmente da observação de uma série de fatores que não devem ser negligenciados. Os principais parâmetros a serem obedecidos constam no Quadro abaixo.

Controle de Qualidade das gotas

Horário de aplicação

Regulagem da vazão

Velocidade do veículo

Manutenção

Verificação bimestral na rotina ou em situações que possam comprometer o equipamento como acidentes,  trafegar por vias não pavimentadas, etc

Manhã: cerca de 2 horas antes e depois do sol nascer

Tarde: cerca de 2 horas antes e depois por do sol

Semanalmente para equipamentos pesados e portáteis

Padrão:10km/h

Treinar sempre que necessário o motorista ou o aplicador em testes de percurso

Obedecer os manuais de manutenção  dos equipamentos com  especial cuidado para a troca de óleo e filtro

A OMS somente recomenda a utilização de inseticidas do grupo dos piretróides e organofosforados para esse tipo de aplicação.

Confira aqui os inseticidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para aplicação espacial a Ultra Baixo Volume(UBV) em espaços abertos

Atualmente o Programa Nacional de Controle da Dengue está utilizando os inseticidas lambdacialotrina, malathion para controle do vetor em aplicações a UBV.

A aplicação residual de inseticidas consiste na pulverização de inseticidas em paredes ou outras superfícies utilizando equipamentos costais que deixam uma determinada quantidade de inseticida por metro quadrado. Essa metodologia é utilizada no controle de vetores da doença de Chagas, malária e leishmaniose. É também utilizada para o controle da dengue em situações específicas como o tratamento perifocal em pontos estratégicos.

As recomendações completas sobre o uso dessa metodologia podem ser consultadas no Manual para borrifação de inseticida de efeito residual para controle de vetores.

Confira aqui os inseticidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para aplicação residual

Atualmente o Programa Nacional de Controle da Dengue está recomendando o uso do inseticida bendiocarb para controle do vetor em pontos estratégicos.

Inseticidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para aplicação residual

       
Produto Grupo Formulação(1) Dose (g i.a/m2)
Alfacipermetrina piretróide PM,SC 0,02 - 0,03
Bendiocarb carbamato PM 0,1 -0,4
Bifentrina piretróide   0,025  - 0,05
Ciflutrina piretróide PM 0,02 - 0,05
Deltametrina piretróide PM 0,02 - 0,025
DDT organoclorado PM 1-2
Etofenprox piretróide PM 0,1-0,3
Fenitrothion organofosforado PM 2
Lambdacialotrina piretróide PM, CS 0,02 - 0,03
Malathion organofosforado PM 2
Pririmifós-metil organofosforado PM,CE 1-2
Propoxur carbamato PM 1-2

 

(1) CE= concentrado emulsionável; CS= cápsulas em suspensão; PM= pó molhável; SC= suspensão concentrada. 

Fonte: OMS, 2007 (http://www.who.int/whopes/Insecticides_IRS_Malaria_ok.pdf)  
Inseticidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para aplicação espacial a UBV para espaços abertos
         
Produto Grupo Formulação(1) Dose (g i.a/ha)  
Deltametrina piretróide UL 0,5 - 1,0  
Deltametrina piretróide EA 1  
Lambdacialotrina piretróide CE 1-2  
Malathion organofosforado EA, UL 112-600  
d-d, transcifenotrina piretróide CE 3,5-4,0  

(1) CE= concentrado emulsionável;EA= emulsão aquosa (óleo em água); UBV= ultra baixo volume. 

Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Insecticides_for_space_spraying_Jul_2012.pdf) 
Larvicidas recomendados pela Organização Mundial de Saúde para uso em água potável
       
Produto Grupo Formulação(1) Dose (mg/l)
Bacillus thuringiensis israelensis, cepa AM 65-52 (BTI) larvicida bacteriano  WDG             (3000 UTI/mg) 1 - 5
Diflubenzuron benzoilureas DT,GR,PM 0,02 -0,25
Novaluron benzoilureas CE 0,005
Piriproxifen análogo de hormonio juvenil GR 0,01 - 0,05
Espinosade espinosinas DT 0,1 - 0,5
Temefós organofosforado GR 1

(1) CE= concentrado emulsionável; DT= tablete para aplicação direta; GR=granulos; PM= pó molhável; WDG= granulos dispersíveis em água; 

Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Mosquito_Larvicides_Sept_2012.pdf)

O Manejo Integrado de Vetores (MIV proposto pela  Organização Mundial de Saúde , é uma processo de tomada de decisão racional para a otimização dos recursos para o controle de vetores . A abordagem visa melhorar a eficácia, a relação custo-efetividade e a sustentabilidade do controle de doenças  transmitidas por vetores . O objetivo final é impactar sobre  a transmissão de doenças transmitidas por vetores , como a malária , dengue,  leishmaniose e doença de Chagas, entre outras.

Os principais elementos do  MIV são:

  • conhecimento local  sobre a ecologia dos vetores (criadouros, ciclo de vida, comportamentos de alimentação e repouso), padrões de transmissão da doença, recursos e condições socioeconômicas prevalentes para direcionar as estratégias e intervenções; 
  • estabelecimento de regulamentação e legislação para a saúde pública de forma a assegurar a implementação efetiva e sustentável das intervenções para prevenção de doenças transmitidas por vetores;
  • colaboração entre o setor saúde e diferentes setores públicos e privados cujas ações impactam na população de vetores;
  •  fortalecimento e envolvimento de comunidades  e organizações não governamentais para assegurar sua participação e comprometimento  para o  planejamento e implementação de intervenções de controle vetorial;
  •  integração de metodologias de controle vetorial  que sejam apropriadas as condições ecológicas e epidemiológicas locais; e
  • recursos humanos adequados,  infraestrutura física  e fortalecimento dos requisitos técnicos e habilidade de gestão dos profissionais.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde para o Manejo Integrado de Vetores podem ser visualizadas no link.

O Ministério da Saúde está impulsionando o Manejo Integrado de Vetores para as doenças de transmissão vetorial.

As recomendações da Coordenação do Programa Nacional de Controle da Malária sobre o Manejo Integrado de Vetores podem ser visualizadas aqui.

Documentos e guias para subsidiar o MIV

Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti – LIRAa – para Vigilância Entomológica do Aedes aegypti no Brasil

Esse manual foi desenvolvido para atender a  necessidade de se contar com um levantamento entomológico capaz de gerar informações oportunas para aumentar a eficácia do controle vetorial. As recomendações para a execução do LIRAa  podem ser consultadas aqui.

Guia de Vigilância do Culex quinquefasciatus

Este guia tem o propósito de apresentar os aspectos relacionados à vigilância e ao manejo/controle integrado do mosquito, subsidiando os profissionais de saúde pública que atuam no controle de vetores. Tal preocupação é justificada, uma vez que esse mosquito é considerado um dos mais importantes fatores de incômodo nos ambientes urbanos, além de ser um importante vetor de agentes patogênicos, tais como parasitas e vírus.

As recomendações descritas neste Guia são direcionadas para as ações de controle integrado, visando à redução e/ou eliminação de focos potenciais, mediante o uso racional de medidas de controle mecânico, químico e biológico, com destaque para a importância das intervenções de educação em saúde pública e de melhoria das condições de saneamento ambiental. Essas ferramentas, quando utilizadas de forma integrada, contribuem para o controle do Culex quinquefasciatus, assim como para a prevenção e controle de doenças transmitidas por esses vetores, com consequente melhoria da qualidade de vida das populações.

Tendo em vista os diversos ambientes em que são encontrados (urbanos, rurais e silvestres), sua elevada abundância, ampla distribuição geográfica, além de sua implicação como vetor da filária e de arbovírus, considerou-se importante direcionar o enfoque deste Guia para o Culex quinquefasciatus, diante da necessidade de um controle integrado de vetores que amplie a abordagem também para outros artrópodes de importância em saúde pública.

As recomendações para o manejo integrado do mosquito podem ser consultadas no link.

Os mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração ( MILD ) estão sendo promovidos pela Organização Mundial de Saúde como um método eficaz e sustentável para a proteção contra a malária. As telas desses mosquiteiros são tratadas na fábrica com um inseticida líquido incorporado ao tecido que faz com que o inseticida dure pelo menos 20 lavagens em testes padrão de laboratório e por três anos de uso em condições de campo.

As recomendações da Coordenação do Programa Nacional de Controle da Malária sobre MILD podem ser visualizadas no link.

A Organização Mundial de Saúde está promovendo estudos em larga escala para avaliação de materiais impregnados com inseticidas de longa duração para uso em cortinas ou em telas colocadas em portas e janelas como medida complementar de controle para dengue devido aos resultados promissores em estudos de pequena escala realizados na Venezuela, Guatemala e México. Mais informações estão disponíveis no link.

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde recomenda 11 diferentes mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração ( MILD ). Estes mosquiteiros são impregnados com um dos seguintes piretróides: alfacipermetrina, deltametrina e permetrina  que estão incorporados em poliéster ou polietileno.

A lista completa de produtos recomendados pela Organização Mundial de Saúde pode ser visualizada aqui.

Atualmente no Brasil, o Programa Nacional de Controle da Malária (PNCM) implantou o uso de mosquiteiros impregnados na Região Amazônica. Confira as recomendações.

 

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