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Vigilância em Saúde

Sistema Integrado de Monitoramento de Eventos (SIME)

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 30 de Maio de 2017, 10h43 | Última atualização em Terça, 29 de Agosto de 2017, 15h10

O Sistema Integrado de Monitoramento de Eventos de Saúde Pública (SIME) é um software livre adotado para o registro e o monitoramento dos ESP. A ferramenta possibilita o armazenamento de dados, organização de documentos e relatórios, divulgação de informações epidemiológicas e a atualização permanente e simultânea dos dados relacionados aos eventos de importância em saúde pública nacionais e internacionais, incluindo o registro de informes e alertas. O acesso ao SIME é restrito aos usuários cadastrados.

O SIME possui diferentes módulos em que são registradas as Notificações (eventos notificados ao CIEVS/SVS que não se configuram como ESPIN), os Eventos (potenciais ESPIN e ESPII), os Informes Internacionais e os Rumores (imprensa, mídia social, outros). Além do registro, o SIME permite a atualização online das informações e monitoramento das Notificações, Eventos, Informes e Rumores, além da emissão de relatórios e de pesquisas, podendo ser acessado pelas áreas técnicas e CIEVS locais.

Para atingir os objetivos do RSI, é necessário que os procedimentos de rotina da vigilância estejam alinhados. O Brasil dispõe de normas nacionais e estruturas que possibilitam a coleta e análise de informações sobre os ESP, entre as três esferas de gestão do SUS. Com a finalidade de fomentar a captação de notificações, mineração, manejo e análise de dados e informações estratégicas (Portaria nº 30/2005 – Anexo 2), o CIEVS/SVS dispõe de procedimentos específicos de detecção, recebimento, verificação, notificação, avaliação, monitoramento e documentação da resposta.

A vigilância baseada em eventos é a captura organizada e rápida de informações sobre os eventos que constituem um risco potencial para saúde pública. Estas informações podem ser transmitidas por canais de comunicação formais e informais, incluindo:

  • Eventos relacionados à ocorrência da doença em seres humanos, como aglomerados de casos de doenças ou síndromes, padrões incomuns de ocorrência de doenças ou óbitos inesperados;
  • Eventos relacionados a fatores aos quais humanos podem ser expostos, como eventos relacionados com doenças e mortes em animais, água ou produtos alimentares contaminados, bem como riscos ambientais, incluindo agentes químicos, biológicos, radioativos e nucleares.

As informações recebidas a partir da vigilância baseada em evento devem ser rapidamente avaliadas quanto ao risco que o evento representa para a saúde pública. Além disso, a resposta deve ser oportuna e adequada.

As doenças e os agravos de saúde pública ocorrem localmente, porém, o risco de propagação existe diante da constante circulação de pessoas. É fundamental a aplicação de estratégias para fortalecer as capacidades de detecção, monitoramento e resposta às emergências em saúde pública.

Regulamento Sanitário Internacional (download)

Desde a década passada, a epidemiologia vem utilizando novas metodologias para o monitoramento dos Eventos de Saúde Pública no âmbito da Vigilância em Saúde. Prova disso é que a última versão do Regulamento Sanitário Internacional de 2005, em seu artigo 10, permitiu a utilização de informações não oficiais para a detecção de rumores. Utilizando as ferramentas de Detecção Digital de Doenças, O CIEVS realiza a vigilância ativa de rumores para antecipar as respostas às potenciais Emergências em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional, evitando a disseminação de surtos e epidemias. Recentemente, os monitoramentos das Emergências de Saúde Pública de Importância Internacional de Ebola e Zika, trouxeram a tona a importância do monitoramento ativo de rumores de fontes não oficiais no âmbito do Sistema Único de Saúde. Hoje, várias plataformas gratuitas permitem a captura e monitoramento de rumores de fontes não oficiais. São exemplos disso, o HealthMap e o PromedMail, que realizam a avaliação dos cenários epidemiológicos no mundo. Outras plataformas, como o Google Notícias e RSSOWL são agregadores onde é possível selecionar notícias a partir do uso de palavras-chaves de doenças. Além disso, o monitoramento pode ser realizado através de redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e Whatsapp. Para acessar as principais plataformas de Detecção Digital de Doenças, utilize os links abaixo: HealthMap: http://www.healthmap.org/pt/
PromedMail: http://www.promedmail.org/
Google Notícias: https://news.google.com.br/
RSSOWL: http://www.rssowl.org/

A estratégia de Vigilância Participativa tem como princípio a participação voluntária da população no processo de vigilância em saúde, visando à identificação oportuna de alteração do padrão epidemiológico de doenças de interesse para a saúde pública, a partir de comunicações da comunidade.

São objetivos da vigilância participativa no âmbito do SUS:

  • Desenvolver ferramentas para incorporação da vigilância participativa no âmbito do SUS visando atuar como mecanismo complementar aos métodos tradicionais de vigilância;
  • Ser canal complementar de acesso aos serviços de utilidade pública, por meio do oferecimento de informações úteis e localização de serviços cadastrados por geolocalização a partir de consulta nos dispositivos móveis;
  • Fomentar a produção científica de informações sobre vigilância em saúde em revistas nacionais e internacionais buscando o compartilhamento das experiências e aprimoramento das estratégias de vigilância participativa em saúde no Brasil e no Mundo;
  • Garantir a participação voluntária, anônima e colaborativa da população, para identificação de agregados de casos que apresentem sinais e sintomas compatíveis com as principais síndromes de interesse, de acordo com o perfil epidemiológico nacional vigente;

Em 2014, pela primeira vez no mundo, foi adotado o mecanismo de vigilância participativa em eventos de massa. Para isso foi desenvolvido e lançado o aplicativo gratuito denominado “Saúde na Copa”, permitindo a detecção precoce de surtos na comunidade, por meio da identificação de um conjunto de pessoas que registrassem sinais e sintomas semelhantes em um mesmo local, durante a Copa do Mundo. O aplicativo foi um sucesso e fornecia dicas úteis de saúde e permitia ao usuário a identificação dos hospitais de referência mais próximo do usuário.

A estratégia “Saúde na Copa” foi um dos importantes legados da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™. Os resultados desta estratégia estão publicados na plataforma aberta GitHub, podem ser acessados pelo link, e utilizados de acordo com os critérios de licença de uso não comercial definidos na “Creative Commons ”.


O cruzamento dessas informações com dados complementares referentes ao local da postagem, idioma do usuário, contato com serviços de saúde e de contato com outros pacientes com quadro clínico semelhante, viabilizou a avaliação da ocorrência de agregados de casos e dos cenários de risco para severidade e propagação desses achados.

Para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a experiência foi aprimorada e um novo aplicativo foi desenvolvido e lançado. Denominado, “Guardiões da Saúde”, esse novo projeto incorpora as funcionalidades do “Saúde na Copa” e incorporou outras inovações como a possibilidade de registrar membros do domicílio e identificação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima em todo o Brasil.

Telas do aplicativo “Guardiões da Saúde”

Para baixar o aplicativo, acesse:
iOS: https://itunes.apple.com/br/app/guardioes-da-saude/id1060576766?mt=8
Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.epitrack.guardioes&hl=pt_BR
Web: http://guardioesdasaude.org

Nos últimos anos, os hospitais melhoraram consideravelmente suas habilidades de rapidamente detectar e responder às emergências de saúde pública. E a rápida detecção desses eventos contribui significativamente para a redução dos impactos que os mesmos causam na saúde da população. Com a ampliação de seu campo de atuação, esses serviços também podem contribuir com a organização, planejamento e avaliação dos serviços de saúde. Além da descentralização e a execução de ações de controle de forma mais oportuna e efetiva.

Atualmente a rede nacional de hospitais de referência é composta por 233 núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar distribuídos pelo país, sendo que a maioria destes encontra-se na região sudeste e nordeste, com destaque para os estados de São Paulo e Pernambuco, 17,60% e 9,44%, respectivamente (Figura 1). 

Figura 1: Distribuição espacial dos núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar, estados e regiões do Brasil, 2015.

Fonte: SCNES/VEH/CGVR/DEVIT/SVS/MS.

Nota: Dados atualizados em 27/10/2015.

No critério gestão, 124 (53,22%) foram municipal, 104 (44,64%) estadual, 4 (1,72%) federal e 1 (0,43%) filantrópico (Gráfico 1).

Gráfico 1: Número de núcleos de vigilância epidemiológica de acordo com a gestão, Brasil, 2015.

Fonte: SCNES/VEH/CGVR/DEVIT/SVS/MS.

Nota: Dados atualizados em 10/04/2015.

Os hospitais que participam do sistema de saúde vêm atendendo um grande volume de casos, envolvendo enormes recursos e desafios, entre eles o acúmulo de dados nem sempre transformados em informação que possa subsidiar a tomada de decisão.

A criação de núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar incorpora técnicas epidemiológicas aos serviços de saúde na investigação e na análise sistemática da situação de saúde da população atendida, viabilizando um maior e melhor uso dos dados hospitalares, permitindo a identificação de prioridades nos serviços e possibilitando a avaliação da qualidade da assistência prestada. Possibilita ainda uma rápida operacionalização da vigilância, entendida como informação para ação, e ação ágil desde o primeiro nível da sua demanda.

Outra atividade de grande importância é a divulgação dos dados hospitalares e das informações para todos os profissionais e para a direção do hospital, de forma a permitir tanto sua utilização na gestão hospitalar, como objetivando a sensibilização das equipes por meio da retroalimentação, levando todos a participarem de forma ativa na notificação.

 

Eventos de massa

Nos últimos anos, o Brasil tornou-se referência internacional na preparação e realização de eventos que concentram milhares de pessoas de várias partes do país e do mundo, denominados ”Eventos de Massa”. Também nessa área, os CIEVS estão sendo protagonistas nas ações de gestão e vigilância.

O Brasil possui tradição na realização de EM como carnaval, festivais, festas religiosas, entre outros. No período de 2012 a 2013, foram identificados 116 eventos de massa de interesse nacional ou regional, alguns desses com mais de 2 milhões de participantes nacionais e internacionais. Entre 2007 e 2016, o Brasil foi definido como sede de diversos eventos internacionais de grande magnitude, como:

  • XV Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro em 2007;
  • V Jogos Mundiais Militares do Conselho Internacional do Desporto Militar, no Rio de Janeiro em 2011;
  • Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro em 2012;
  • Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, em Fortaleza, Salvador, Recife, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro em 2013;
  • XXVIII Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outras cidades;
  • Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Amazonas em 2014;
  • I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Palmas/TO, em 2015;
  • Jogos da XXXI Olimpíada e Jogos da XV Paralimpíada de verão, no Rio de Janeiro em 2016.

Para estabelecer as estratégias de preparação e resposta aos EM, foi utilizado o documento da OMS denominado “Communicable disease alert and response for mass gatherings” e a troca de experiências com os países sede de outros eventos internacionais, por meio da participação no Programa de Observadores Internacionais da OMS durante as Olimpíadas de Inverno em Vancouver/Canadá, na Copa do Mundo FIFA na África do Sul, em 2010, e nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos em Londres, em 2012.

Comitê de Monitoramento de Eventos

Os eventos de interesse à saúde pública são monitorados pela Secretaria de Vigilância em Saúde, no âmbito do Comitê de Monitoramento de Eventos (CME). O CME consiste em uma congregação gestora dos eventos em saúde pública (ESP) monitorados pela SVS/MS. Foi institucionalizado com o objetivo de manter a regularidade das discussões técnicas e das tomadas de decisão pela SVS/MS frente às emergências em saúde pública, em consonância com a implementação e o fortalecimento das capacidades básicas do RSI. Tem por finalidade congregar as informações atualizadas sobre os ESP em monitoramento, definir os encaminhamentos no âmbito do MS e em apoio aos Estados e municípios, além de delegar atribuições aos gestores e unidades técnicas da SVS/MS.

As reuniões de preparação do CME (pré-CME) ocorrem semanalmente, às sextas-feiras, e são coordenadas pelo CIEVS/SVS. O pré-CME tem por finalidade atualizar as informações sobre os ESP em monitoramento, as ações desenvolvidas pela SVS/MS e as recomendações das unidades técnicas de vigilância dos agravos. Participam das reuniões do pré-CME todas as unidades técnicas da SVS/MS, representantes de órgãos parceiros da SVS/MS e representantes do Centro de Gerenciamento de Informações sobre Emergências em Vigilância Sanitária (eVISA).

As reuniões do CME são realizadas semanalmente, às segundas-feiras, sendo organizadas pelo CIEVS/SVS e presididas pelo Secretário de Vigilância em Saúde e o Diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis e Gabinete da SVS/MS. Participam do CME todos os coordenadores do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, representantes de outros Departamentos da SVS/MS e de outras Secretarias do MS, bem como da ANVISA. Por meio virtual, participam representantes da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/RJ) e Instituto Evandro Chagas (IEC) no Pará.

Fluxo de informações – CME

Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública

Com o objetivo de aperfeiçoar os mecanismos de detecção, monitoramento e resposta às emergências em saúde pública, a organização de processos de trabalho padronizados entre as três esferas de gestão do SUS, permite que as equipes técnicas especializadas possam realizar a gestão coordenada da emergência, com base no Plano de Resposta às Emergências em Saúde Pública. 

No campo da saúde, a cooperação entre as diferentes instâncias de gestão prevê medidas de controle e intercâmbio de informações epidemiológicas sobre a propagação de doenças de interesse local, regional, nacional e internacional..

A partir de 2007, em cumprimento as atribuições de detecção, avaliação, monitoramento e resposta aos ESP, foram estruturados centros similares ao CIEVS/SVS, nas 27 Secretarias Estaduais de Saúde, no Distrito Federal e nas 26 nas Secretarias Municipais de Saúde das capitais e em outros municípios ou regiões de interesse estadual. 

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