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Vigilância em Saúde

Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel)

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Quarta, 06 de Setembro de 2017, 11h10 | Última atualização em Terça, 04 de Setembro de 2018, 14h37

O que é e para que é utilizado

O Vigitel compõe o sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde, juntamente com outros inquéritos, como os domiciliares e os voltados para a população escolar¹. Entre as DCNT monitoradas por esse sistema incluem-se diabetes, câncer, doenças respiratórias crônicas e cardiovasculares, como hipertensão arterial, que têm grande impacto na morbi-mortalidade e na qualidade de vida da população. Esses quatro grupos de doenças possuem quatro fatores de risco modificáveis em comum, também monitorados pelas pesquisas: tabagismo, alimentação não saudável, inatividade física e uso nocivo de bebidas alcoólicas².

Além do acompanhamento contínuo desses quatro principais fatores de risco, diagnóstico médico de diabetes e de hipertensão arterial e exames de detecção precoce de cânceres femininos, o Vigitel também é utilizado para investigar outros temas de forma mais pontual ou temporária, conforme a necessidade. Como exemplo, cita-se a inclusão de perguntas sobre: i) a proteção contra raios ultra-violetas (2007 a 2010); II) ocorrência de multa por velocidade em rodovia e de blitz na cidade (a partir de 2012); e III) recebimento de medicamentos para hipertensão pela farmácia popular (a partir de 2011).

Conhecer a situação de saúde da população é o primeiro passo para planejar ações e programas que reduzam a ocorrência e a gravidade destas doenças, melhorando assim a situação de saúde no país. Como exemplo, temos que os resultados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco de DCNT embasaram a elaboração do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil 2011–2022, e subsidiam o monitoramento periódico das metas propostas no mesmo². O Vigitel, dentro do sistema de vigilância, apoia também o monitoramento das metas do Plano Regional de DCNT (Organização Pan-Americana da Saúde - OPAS)³ e do Plano Global para o Enfrentamento das DCNT (Organização Mundial da Saúde)³.

Quando começou, periodicidade e temas abordados

O Vigitel foi implantado em 2006 em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, e tem como objetivo monitorar a frequência e a distribuição de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis por inquérito telefônico, além de descrever a evolução anual desses indicadores em nosso meio. As entrevistas telefônicas são realizadas anualmente em amostras da população adulta (18 anos ou mais) residente em domicílios com linha de telefone fixo¹.

Os indicadores avaliados estão dispostos nos seguintes assuntos: tabagismo, excesso de peso e obesidade, consumo alimentar, atividade física, consumo de bebidas alcoólicas, condução de veículo motorizado após consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas, autoavaliação do estado de saúde, prevenção de câncer e morbidade referida.

Amostragem

O processo de amostragem é iniciado com o sorteio de números telefônicos fixos a partir dos cadastros de telefones existentes nas capitais do país com base no cadastro eletrônico de empresas telefônicas. Primeiramente são sorteadas 5 mil linhas telefônicas por cidade, de forma sistemática e estratificada por CEP. A seguir, as linhas passam por um segundo sorteio e são divididas em réplicas de 200 linhas, sendo que cada réplica reproduz a mesma proporção de linhas por CEP do cadastro original¹.

A próxima etapa é identificar, entre as linhas sorteadas, aquelas que são elegíveis. São consideradas não elegíveis as linhas: que correspondem a empresas; não existem ou se encontram fora de serviço; ou não atendem a seis tentativas de chamadas feitas em dias e horários variados, podendo corresponder a domicílios fechados. As linhas consideradas elegíveis passam por uma segunda etapa da amostragem do inquérito, com sorteio de um dos adultos moradores no domicílio para responder ao questionário.  O sistema estabelece um tamanho amostral mínimo de aproximadamente 2000 adultos entrevistados por cidade, para estimar as frequências dos indicadores com um coeficiente de confiança de 95% e erro máximo de cerca de três pontos percentuais ¹.

Com a meta de entrevistas completas atingida, os resultados permitem inferências populacionais apenas para a população adulta que reside em domicílios cobertos pela rede de telefonia fixa. A fim de gerar estimativas para a população de cada cidade, como um todo, são atribuídos pesos finais a cada indivíduo de forma a igualar a composição sociodemográfica estimada para a população de adultos com telefone da amostra do Vigitel à composição sociodemográfica que se estima para a população adulta total da mesma cidade no mesmo ano do levantamento. Esse peso pós-estratificação foi calculado pelo método “rake”¹.

Para saber mais sobre o Método “rake” veja a Nota – ponderação Rake

Acesso aos resultados

As bases de dados do Vigitel completas, com dados de todas as capitais e DF, estão disponíveis de 2006 a 2017 na página Bases Vigitel

Caso deseje a base para uma capital específica, é possível selecionar ano e capital e extrair os dados em csv aqui.

Os releases de lançamento dos resultados do Vigitel podem ser acessados aqui.

Abaixo você pode ter acesso aos relatórios completos publicados em cada ano.

Relatórios completos e questionários:

Perguntas e Respostas

Perguntas e respostas mais frequentes sobre a pesquisa

Saiba que o Vigitel foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde/ Ministério da Saúde

A CONEP é uma das Comissões do Conselho Nacional de Saúde/MS e tem como objetivo principal analisar os projetos de pesquisa envolvendo seres humanos visando proteção e bem-estar dos voluntários que participam da pesquisa para contribuir no desenvolvimento da pesquisa brasileira dentro de padrões éticos.

As normativas do Conselho Nacional de Saúde norteiam o julgamento ético dos projetos de pesquisa e esses aspectos estão pautados no respeito aos voluntários que participam da pesquisa em sua dignidade e autonomia assegurando sua vontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesquisa. Outro fator analisado pela CONEP, e de suma importância, é se os projetos de pesquisa são relevantes para o interesse público, e se contribuem para a saúde pública, justiça e para a redução das desigualdades sociais e das dependências tecnológicas, garantindo os interesses da sociedade e de todos os envolvidos. E exercendo, dessa forma, o controle social da ética em pesquisa, como previsto nas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A CONEP analisou o projeto VIGITEL proposto pelo Ministério da Saúde e considerou aprovado por estar dentro dos padrões éticos das normativas do Conselho Nacional de Saúde.  
  
Mais informações sobre a CONEP
Telefones: (61) 3315-5878 /5877

As entrevistas da edição de 2017 do Vigitel foram finalizadas no mês de dezembro do mesmo ano, e o lançamento do relatório completo está previsto para o primeiro semestre de 2018!

As ligações para a edição do Vigitel 2018 foram iniciadas no dia 24 de janeiro, após treinamento da equipe de entrevistadores da empresa responsável. A empresa contratada tem sede em Belo Horizonte/MG e as ligações são feitas em diferentes dias e horários da semana, incluindo sábados e domingos e o período noturno (até 22h), durante todos os meses do ano.

Atenção! O Vigitel não pergunta qualquer informação de CPF, RG ou dados bancários. As únicas informações pessoais obtidas por meio da pesquisa dizem respeito à idade, sexo, escolaridade, estado civil e raça/cor. E são utilizadas nos procedimentos metodológicos da pesquisa para que seus resultados reflitam a distribuição sociodemográfica da população total.


Referências:

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2016: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
  2. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília: Ministério da Saúde; 2011.
  3. Organização Pan-Americana de Saúde. Plano estratégico da Organização Pan-Americana de Saúde, 2014-2019. Washington, DC: OPAS, 2014.
  4. World Health Organization. Global action plan for the prevention and control of NCDs 2013-2020. Geneva, 2013.
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