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Vigilância em Saúde

Perguntas e respostas

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 30 de Maio de 2017, 10h24 | Última atualização em Terça, 29 de Agosto de 2017, 12h12

O que é poluição atmosférica? 
A poluição atmosférica pode ser definida como qualquer condição atmosférica na qual uma ou mais substâncias se apresentem em concentrações suficientemente acima dos níveis normais encontrados no ambiente para produzir algum efeito mensurável em humanos, animais, vegetais ou materiais.

Quais são as principais fontes de poluição atmosférica? 
As fontes de poluição atmosférica podem ser divididas em dois tipos: antropogênicas e naturais.

As fontes naturais são aquelas advindas da própria natureza, tais como erupções vulcânicas; poeira; oceanos; queimadas de florestas e atividades de plantas e animais.

As fontes antropogênicas são aquelas decorrentes de atividades humanas, como queima de combustíveis fósseis, processos industriais em geral, agricultura, etc.

Quais são os principais poluentes atmosféricos? 

Os principais poluentes atmosféricos são:

  • Monóxido de carbono (CO): gás incolor e inodoro gerado nos processos de combustão incompleta de combustíveis fósseis e outros materiais que contenham carbono em sua composição. Impede o transporte de oxigênio, causando hipóxia tecidual, o que pode levar a prejuízos na acuidade visual, no aprendizado, na capacidade de trabalho e no aumento da mortalidade por infarto cardíaco agudo entre idosos.
  • Ozônio (O3): é um poluente secundário, ou seja, é formado a partir de outros poluentes atmosféricos. O ozônio é um gás incolor e inodoro, que causa danos na vegetação em geral, bem como irritação nos olhos e problemas nas vias respiratórias dos seres humanos, como asma, bronquite e diversas doenças pulmonares em adultos e crianças.
  • Óxidos de enxofre (SO2 e SO3): produzidos pela queima de combustíveis que contenham enxofre em sua composição, também são gerados em processos biogênicos naturais, tanto no solo quanto na água. A principal fonte antrópica do SO2 é a combustão do carvão e sua presença na atmosfera pode ocasionar a formação de ácidos (H2SO3 e H2SO4) e provocar chuva ácida. É um gás que pode provocar desde simples irritações nos olhos e garganta até edema pulmonar, dependendo da concentração e tempo de exposição.
  • Óxidos de nitrogênio (NOx = NO + NO2): gerados em processos de combustão, e ainda processos de descargas elétricas na atmosfera. O NO2 é um gás marrom avermelhado de forte odor, que pode causar danos à vegetação (devido à formação de chuva ácida) e que está associado à ocorrência de doenças respiratórias, como pneumonia e bronquite.
  • Compostos orgânicos voláteis (COVs): são poluentes que contêm carbono e resultam da queima incompleta de combustíveis, como por exemplo, solventes orgânicos, bem como evaporação dos mesmos. Os COVs são facilmente vaporizados em condições de temperatura e pressão ambiente e, através de reações químicas, atuam como precursores do smog fotoquímico, levando à formação do ozônio troposférico. Os COVs têm um grande impacto sobre a saúde humana em função da sua alta toxicidade e efeito cancerígeno.
  • Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs): são compostos orgânicos com dois ou mais anéis aromáticos condensados, que estão presentes tanto no material particulado em suspensão quanto em outras matrizes ambientais. No meio ambiente, os HPAs podem sofrer reações químicas, originando produtos que podem ser prejudiciais à saúde humana (por suas propriedades mutagênicas e carcinogênicas). As fontes naturais de emissão de HPAs são as erupções vulcânicas e queimadas espontâneas florestais. As principais fontes de emissão de HPAs são as de origem antrópica, principalmente aquelas advindas da exaustão de motores a diesel e gasolina, de processos industriais e da fumaça de cigarros.
  • Material particulado: consiste de uma população de partículas sólidas e líquidas em suspensão na atmosfera, como poeira, fuligem das partículas de óleo, pólens, esporos.
  • Metais: são um tipo de material particulado, associados aos processos de mineração, combustão de carvão e processos siderúrgicos.
  • Amônia (NH3): as principais fontes de geração do gás amônia são as indústrias químicas e de fertilizantes, principalmente aquelas à base de nitrogênio, além dos processos biogênicos naturais que ocorrem na água e no solo. O gás amônia provoca severas irritações no trato respiratório.
  • Oxidantes fotoquímicos: compostos gerados a partir de outros poluentes (COVs e NOx), que foram lançados na atmosfera por meio de reação química entre esses compostos, catalisada pela radiação solar. Dentre os principais oxidantes fotoquímicos destacam-se o ozônio (O3) e o peroxi-acetil nitrato (PAN), que causam irritações nos olhos e alterações nas vias aéreas.

Quais são os principais efeitos da poluição do ar na saúde humana?

  • Problemas de curto prazo (nos dias de alta concentração de poluentes):
    • Irritação nas mucosas do nariz e dos olhos;
    • Irritação na garganta (com presença de ardor e desconforto);
    • Problemas respiratórios com agravamento de enfisema pulmonar e bronquite;
  • Problemas de médio e longo prazo (15 a 30 anos vivendo em locais com muita poluição):
    • Desenvolvimento de problemas pulmonares e cardiovasculares;
    • Desenvolvimento de cardiopatias (doenças do coração);
    • Diminuição da qualidade de vida;
    • Diminuição da expectativa de vida (em até dois anos);
    • Aumento das chances de desenvolver câncer, principalmente de pulmão;

Os efeitos da poluição são semelhantes aos do tabaco. O indivíduo pode desenvolver problemas pulmonares, problemas circulatórios e, para mulheres, problemas gestacionais. Além disso, estudos mostram que mães cujo primeiro trimestre da gestação ocorre no período mais seco do ano geram bebês com peso inferior, comparados aos bebês que não tiveram essa condição, considerando que as condições meteorológicas afetam diretamente a concentração atmosférica de poluentes.

Outro achado dos estudos é que nas regiões de maior poluição, nascem mais meninas do que meninos, em função do gameta masculino ter sua motilidade reduzida e suas características morfológicas alteradas diante do estresse oxidativo gerado pelos poluentes.

Quais são as principais doenças que acometem os brasileiros devido à poluição do ar e em que cidades isso fica mais evidente? 
A poluição atmosférica acarreta uma série de efeitos na saúde mesmo quando os níveis médios de poluentes não são tão altos. Esses efeitos têm sido observados tanto na mortalidade geral quanto por causas específicas, como doenças cardiovasculares e respiratórias. No tocante à morbidade, tem sido observado aumento de sintomas respiratórios em crianças, diminuição da função pulmonar, aumento dos episódios de doença respiratória, malformações congênitas e menor ganho de peso durante a gestação. Esses efeitos estão mais evidentes nas grandes metrópoles, polos industriais, regiões com grande queima de biomassa (floresta, cana de açúcar), execução de atividades de mineração, uso de técnicas de pulverização de agrotóxicos, dentre outras. Nesse sentido, a equipe Vigiar do Ministério da Saúde está trabalhando na análise dos dados existentes a fim de conhecer a situação de saúde das cidades brasileiras com base em suas especificidades.

Quais são as recomendações para combater os efeitos da poluição atmosférica na saúde humana?
A população deve sempre procurar o médico para o diagnóstico adequado da sua situação clínica, geralmente um pneumologista, e fazer o tratamento de forma adequada, pois a aderência ao tratamento é fundamental para o sucesso.

Considerando que a concentração de partículas é maior nos horários de pico de congestionamento (geralmente entre as 7h às 9h e das 17h às 20h) e que a concentração de ozônio é maior das 12h às 16h, as recomendações gerais para prevenir ou combater os efeitos da poluição atmosférica são:

  • Usar soro fisiológico no nariz;
  • Beber água com frequência;
  • Fechar as janelas nos horários de pico de congestionamento para evitar a fumaça que sai dos escapamentos dos veículos;
  • Praticar exercícios físicos com regularidade, evitando escolher locais próximos às grandes avenidas também em razão da fumaça dos escapamentos, e evitando também os horários entre 12h e 16h, em razão da possibilidade de alta concentração de ozônio;
  • Usar umidificadores nos ambientes e recorrer à inalação de soro fisiológico, quando necessário.

O que são os padrões de qualidade do ar? 
Os padrões de qualidade do ar são parâmetros que estabelecem as concentrações de poluentes atmosféricos que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde, a segurança e o bem-estar da população, bem como ocasionar danos à flora e à fauna, aos materiais e ao meio ambiente em geral. São divididos em:

  • Padrões primários de qualidade do ar: estabelecem as concentrações de poluentes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo.
  • Padrões secundários de qualidade do ar: são aqueles que estabelecem as concentrações de poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta de longo prazo.

As normas vigentes de padrões de qualidade do ar no Brasil (Resolução Conama n° 003/1990 e Resolução CONAMA nº008/1990) podem ser consultadas no endereço eletrônico do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).

Quais são os efeitos da poluição do ar sobre o clima? 
O clima também é afetado pela poluição do ar. O fenômeno do efeito estufa está aumentando a temperatura em nosso planeta. Ele ocorre da seguinte forma: os gases poluentes formam uma camada na atmosfera que bloqueia a dissipação do calor. Desta forma, o calor fica concentrado na atmosfera, provocando mudanças climáticas. Futuramente, pesquisadores afirmam que poderemos ter a elevação do nível de água dos oceanos, provocando o alagamento de ilhas e cidades litorâneas. Muitas espécies animais poderão ser extintas e tufões e maremotos poderão ocorrer com mais frequência.

O que é o Vigiar? 
A Vigilância em Saúde de Populações Expostas à Poluição Atmosférica (Vigiar) é a área técnica do Ministério da Saúde cujoobjetivo é desenvolver ações de vigilância para essas populações, de forma a recomendar e instituir medidas de prevenção, de promoção da saúde e de atenção integral, conforme preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Seu campo de atuação prioriza as regiões onde existam diferentes atividades de natureza econômica ou social que gerem poluição atmosférica de modo a caracterizar um fator de risco para as populações expostas.

Quais são as ações do Vigiar? 
O Vigiar contempla a identificação e priorização dos municípios de risco de exposição humana a poluentes atmosféricos, a definição de áreas de atenção ambiental atmosférica de interesse para a saúde, a identificação dos efeitos agudos e crônicos para a caracterização da situação de saúde de forma a contribuir para o desenvolvimento de ações de vigilância em saúde da população exposta, subsidiando a elaboração de políticas públicas relacionadas ao tema.

Quais são os indicadores utilizados pelo Vigiar? 
Os indicadores do Vigiar são divididos em Indicadores de Exposição e Indicadores de Efeitos, conforme quadros abaixo: Quadro 1. Indicadores de Exposição adotados pelo Vigiar, Ministério da Saúde, 2015.

Indicadores de Exposição

Concentração ambiental de partículas inaláveis (PM10)

Concentração ambiental de partículas inaláveis finas (PM2,5)

Concentração ambiental de ozônio (O3)

Concentração ambiental de monóxido de carbono (CO)

Concentração ambiental de dióxido de nitrogênio (NO2)

Concentração ambiental de dióxido de enxofre (SO2)

Taxa de motorização

Densidade de veículos

Número absoluto de focos de calor

Número absoluto de focos de calor por km²

 

Quadro 2. Indicadores de Efeito adotados pelo Vigiar, Ministério da Saúde, 2015.

Indicadores de Efeito

Morbidade

Taxa de internação por doenças do aparelho respiratório em crianças (< 5 anos)

Taxa de internação por doenças do aparelho respiratório em idosos (> 65 anos)

Taxa de internação por doenças do aparelho circulatório em adultos e idosos (> 40 anos)

Mortalidade

Taxa de mortalidade por doenças do aparelho respiratório em crianças (< 5 anos)

Taxa de mortalidade por doenças do aparelho respiratório em idosos (> 65 anos)

Taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório em adultos e idosos (> 40 anos)


O que é o Instrumento de Identificação de Municípios de Risco (IIMR)?
 
O Instrumento de Identificação de Municípios de Risco (IIMR) é uma ferramenta que contém informações ambientais como as indústrias de extração e de transformação, frota veicular, e focos de calor, e ainda informações de saúde com as taxas de mortalidade e internações por doenças do aparelho respiratório. O IIMR permite a identificação de municípios prioritários, bem como a caracterização dos grupos populacionais efetiva ou potencialmente expostos aos poluentes atmosféricos, propiciando a caracterização dos municípios e avaliação do risco a que a população está exposta. Os dados constantes no IIMR possibilitam o planejamento de ações preventivas e auxilia na adoção de medidas corretivas, além de abrir espaço para discussão com os órgãos ambientais locais.

O que é Unidade Sentinela?
A Unidade Sentinela dentro do escopo de atuação do Vigiar é voluntária, e sugerida às Secretarias de Saúde como forma de monitorar eventos que sejam de interesse para a saúde pública, é considerada uma estratégia que exerce vigilância de casos de doenças respiratórias em populações susceptíveis como as crianças menores de 5 anos (até 4 anos, 11meses e 29 dias) e idosos (maiores de 60 anos), que apresentem um ou mais sintomas respiratórios descritos como: dispneia/ falta de ar/ cansaço; sibilos/ chiado no peito e tosse que podem estar associados a outros sintomas, e nos agravos de asma, bronquite e infecção respiratória aguda. Em conjunto com os estados e municípios, o Ministério da Saúde desenvolve principalmente as seguintes ações, dentre outras:

  • Identificação de áreas de risco a saúde humana devido aos poluentes atmosféricos;
  • Acompanhamento das taxas de morbimortalidade das doenças do aparelho respiratório e circulatório;
  • Qualificação das informações existentes por meio de estudos epidemiológicos, toxicológicos e avaliações de risco à saúde humana. Buscando uma atuação articulada com outros setores que atuam com o tema em pauta, oMS participa de comissões, conselhos, comitês, programas e grupos de trabalho, tais como:
    • PROCONVE: Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores - um programa de redução de emissão de poluentes regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente;
    • CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) – Câmara Técnica de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos;
    • CIM (MMA): Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima – O Comitê foi instituído por meio do Decreto n° 6.263/2007 com a atribuição de orientar a elaboração, a implementação, o monitoramento e a avaliação do Plano Nacional sobre Mudança do Clima;
      A implantação da vigilância em saúde de populações expostas e/ou potencialmente expostas à poluição atmosférica deve acontecer nos municípios prioritários de cada estado. O que requer minimamente o preenchimento do Instrumento de Identificação de Municípios de Risco; o diagnóstico de aéreas poluidoras; o monitoramento dos indicadores de exposição e efeito; e a realização de análise de situação em saúde de forma a atuar na promoção da saúde, no gerenciamento de fatores de risco e na atenção integral, conforme preconizado no Sistema Único de Saúde.
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