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Vigilância em Saúde

Perguntas Frequentes

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Segunda, 28 de Agosto de 2017, 09h49 | Última atualização em Terça, 29 de Agosto de 2017, 11h50

O que são agrotóxicos e para que são utilizados?
Agrotóxicos são produtos químicos destinados ao combate a pragas, como insetos, fungos, ácaros, ervas daninhas e roedores. Entre as inúmeras atividades que os utilizam, destaca-se a produção industrial, a agricultura, o setor madeireiro, a silvicultura, o manejo florestal, a preservação de estradas e o controle químico de vetores de importância para saúde pública.

Quais são os efeitos dos agrotóxicos à saúde humana?
Os agrotóxicos são intrinsicamente tóxicos, uma vez que sua função principal é o combate a pragas. Assim, seu uso inadequado representa riscos à saúde humana. A gravidade dos efeitos dependerá da toxicidade dos princípios ativos, da dose, da duração da exposição e da forma pela qual se entra em contato com as substâncias.

Quais são os grupos populacionais mais vulneráveis a agrotóxicos?
Embora seja razoável considerar que toda a população está exposta aos agrotóxicos (principalmente em razão dos resíduos de agrotóxicos em alimentos e água para consumo humano), há grupos populacionais que apresentam maior probabilidade de desenvolvimento de doenças ou agravos à saúde em consequência da exposição. É o caso das crianças, idosos, gestantes, lactentes, pessoas com problemas de saúde pré-existentes e trabalhadores diretamente envolvidos com agrotóxicos (produção, aplicação, armazenamento, entre outros).

De que forma podem ocorrer as exposições a agrotóxicos?
As exposições ocorrem quando os indivíduos entram em contato com os princípios ativos dos agrotóxicos, por meio de inalação, de ingestão ou do contato com a pele e as mucosas. Algumas fontes de exposição são o ar e a água contaminados, os alimentos com resíduos de agrotóxicos, os ambientes e as áreas em que foram feitas as aplicações. No caso de trabalhadores envolvidos com agrotóxicos, há, ainda, exposição por meio dos resíduos impregnados nas roupas e nos equipamentos de trabalho.

Como ocorrem as intoxicações por agrotóxicos?
As intoxicações por agrotóxicos podem ser agudas (efeitos que aparecem até 24 horas após a exposição) ou crônicas (efeitos tardios), levando a diversas manifestações clínicas. Os efeitos observados dependerão de inúmeras variáveis, como o tempo de exposição, a forma de contato, a dose absorvida pelo organismo, as características próprias do agrotóxico e as condições de saúde do indivíduo afetado.

Quais são os sinais e sintomas das intoxicações agudas por agrotóxicos?
Devido à diversidade de substâncias químicas que compõem a classe dos agrotóxicos e as diversas possibilidades de circunstâncias de exposição, os sinais e sintomas são bastante variáveis e não raro são confundidos com outras condições clínicas.

Entre as diversas manifestações, encontram-se alterações comportamentais (irritação, confusão, nervosismo, ansiedade, angústia, etc.), tremores, indisposição, fraqueza, mal-estar, dores de cabeça, tonturas, alterações visuais, suor excessivo, salivação, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, dificuldade em respirar, queimaduras, alterações da pele, dores no corpo, irritação de nariz, garganta e olhos, alterações na urina, convulsões, desmaios, perda de consciência, contração das pupilas, pigarro, perda de coordenação motora, entre outros.

Quais são as consequências das intoxicações crônicas por agrotóxicos?
As consequências da exposição crônica são também bastante variáveis, em função da classe química da substância e das circunstâncias de exposição. Além disso, há dificuldade em estabelecer um nexo causal, visto que muitas das condições clínicas desenvolvidas são multicausais. Entre as inúmeras alterações relacionadas a agrotóxicos já descritas em estudos científicos, destacam-se as imunológicas, hematológicas, hepáticas e neurológicas. Além disso, outros estudos vêm investigando associações entre a exposição crônica a agrotóxicos e o desenvolvimento de malformações congênitas e cânceres.

Como os agrotóxicos são classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)?
A ANVISA estruturou uma classificação toxicológica que divide os agrotóxicos em quatro grupos a partir do risco que representam à saúde humana. Essa classificação não possibilita inferir, de forma alguma, que os produtos mais tóxicos são melhores que os demais no combate a pragas e vetores.

Classe

Toxicidade

Cor da Embalagem

Classe I

Extremamente tóxico

Vermelho

Classe II

Altamente tóxico

Amarelo

Classe III

Moderadamente tóxico

Azul

Classe IV

Pouco tóxico

Verde

 

Que cuidados devem ser observados na utilização de agrotóxicos em ambiente doméstico?
Os agrotóxicos são comumente utilizados em ambiente doméstico para combater insetos, ratos, carrapatos, pulgas, ervas-daninhas, etc. No entanto, a utilização desses produtos representa riscos à saúde da família, especialmente à saúde de crianças, idosos, gestantes e lactentes. Assim, a aplicação e a manipulação dessas substâncias no lar são desaconselhadas. Não havendo alternativas disponíveis, os seguintes cuidados devem ser observados para minimizar os riscos à saúde:

  • Sempre que puder, contrate profissionais ou empresas especializadas no extermínio de pragas. Verifique se eles possuem registro no Órgão Ambiental e na Vigilância Sanitária;
  • Respeite as orientações dos dedetizadores e jamais entre na casa antes do tempo recomendado;
  • Leia sempre os rótulos dos produtos. Eles contêm instruções sobre a utilização correta dessas substâncias, bem como orientações de segurança;
  • Não utilize quantidades superiores às indicadas no rótulo, pois as doses indicadas já são suficientes para combater as pragas. Quantidades maiores apenas aumentarão o risco de intoxicação de humanos e animais de estimação, além de representar desperdício dos produtos;
  • Não utilize agrotóxicos destinados ao combate de uma praga específica para combater outros tipos de praga;
  • Evite produtos em forma de spray, bem como a utilização de “fumacê” ou aplicadores costais;
  • Não utilize veneno em iscas se houver crianças ou animais na casa;
  • Não compre venenos de ambulantes e dê preferência aos produtos menos tóxicos;
  • Jamais armazene grandes quantidades de agrotóxicos em casa;
  • Procure guardar os produtos em local seguro e trancado, fora do alcance das crianças;
  • Mantenha os produtos sempre na embalagem original. Muitos acidentes ocorrem quando os agrotóxicos são guardados em recipientes utilizados para armazenar comida ou bebida;
  • Verifique no rótulo a maneira correta de descartar os produtos. Não jogue na pia ou no lixo comum – você poderá intoxicar outras pessoas;
  • Não transporte ou armazene agrotóxicos no mesmo local que alimentos, medicamentos ou produtos de limpeza;
  • Lave sempre as mãos após a utilização de agrotóxicos.

Como minimizar os riscos associados a resíduos de agrotóxicos nos alimentos?
Embora os resíduos de agrotóxicos em alimentos sejam monitorados pelo setor saúde, algumas medidas podem ser adotadas pelos cidadãos a fim de reduzirem ainda mais os riscos associados a alimentos contaminados:

  • Lave bem os vegetais e frutas com água corrente, até mesmo os que serão descascados;
  • Dê preferência aos alimentos orgânicos e oriundos de produção agroecológica;
  • Coma sempre vegetais e frutas variados para evitar a exposição contínua e excessiva a um mesmo princípio ativo (os diferentes tipos de plantio exigem agrotóxicos específicos);
  • Descarte a folhagem externa de alfaces, repolhos e vegetais semelhantes;
  • Remova a gordura e as peles das carnes, para reduzir a ingestão de resíduos de agrotóxicos que possam ter se acumulado nesses tecidos.

Que cuidados devem ser observados com os agrotóxicos no ambiente de trabalho?
Como a utilização de agrotóxicos é bastante diversificada nas atividades econômicas, muitos trabalhadores são expostos ou potencialmente expostos a essas substâncias. Visando reduzir os impactos negativos à saúde, os trabalhadores devem observar os seguintes cuidados:

  • Use os Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva (EPI e EPC) indicados para cada tipo de agrotóxico;
  • Não guarde os EPI/EPC junto aos agrotóxicos;
  • Evite circular nas áreas que receberam aplicação de agrotóxicos recentemente;
  • Lave as mãos e tome banho com sabão e água corrente após a utilização de agrotóxicos;
  • Sempre lave as roupas do trabalho antes de reutilizá-las. Utilize luvas durante a lavagem;
  • Não lave as roupas do trabalho junto com as da família;
  • Não utilize quantidades superiores às indicadas no rótulo, pois as doses indicadas já são suficientes para matar as pragas. Quantidades maiores apenas aumentarão o risco de intoxicação e desperdício de produto;
  • Não utilize agrotóxicos destinados a uma finalidade específica para combater outros tipos de praga;
  • Não fume, coma ou beba enquanto estiver manipulando agrotóxicos;
  • Não tente desentupir bicos com a boca. Você poderá ingerir agrotóxicos acidentalmente;
  • Na prática agropecuária, siga as orientações do agrônomo e do receituário.

Na agricultura, qual a importância do “período de carência”?
O período de carência é o intervalo de tempo, em dias, que deve ser observado entre a aplicação do agrotóxico e a colheita do produto agrícola. Observar o período de carência é muito importante para que o alimento colhido não possua resíduos de agrotóxicos em níveis acima do limite máximo permitido pelos órgãos fiscalizadores. As informações relativas ao período de carência podem estar no rótulo e no receituário agronômico. Em caso de dúvidas, procure a orientação de um profissional habilitado.

Como lavar e devolver com segurança as embalagens vazias de agrotóxicos?
As embalagens de agrotóxicos podem ser classificadas como flexíveis, rígidas ou secundárias (não entram em contato direto com as formulações de agrotóxicos). As embalagens flexíveis devem ser completamente esvaziadas e armazenadas em embalagens de resgate, que podem ser adquiridas no estabelecimento onde o produto foi comprado. As embalagens rígidas plásticas, metálicas ou de vidro, devem ser submetidas à tríplice lavagem, desde que não sejam de produtos para tratamento de sementes, pois estas não devem ser lavadas, mas tampadas e armazenadas em caixas. A tríplice lavagem compreende as seguintes etapas: esvaziar o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador; adicionar água limpa até ¼ do volume; tampar e agitar por 30 segundos; despejar o conteúdo no tanque do pulverizador. O procedimento deve ser feito por três vezes e em seguida a embalagem deve ser inutilizada, tendo seu fundo perfurado. Esse processo também pode ser feito sob pressão. O agricultor deverá devolver as embalagens vazias, tampas e rótulos no estabelecimento indicado na nota fiscal de compra do produto até 1 ano após a compra.

O que fazer em caso de intoxicação por agrotóxicos?
Se o contato ocorrer por meio da pele, as roupas devem ser removidas e a pele deve ser lavada em água corrente por 20 minutos. Na absorção de agrotóxicos por inalação, recomenda-se deixar a área contaminada e buscar o ar fresco. Em caso de ingestão, não ofereça alimentos ou bebidas ao intoxicado, nem tente provocar o vômito. Os indivíduos intoxicados ou com suspeita de intoxicação podem obter orientações mais específicas nos Centros de Informação de Informação e Assistência Toxicológica (CIAT) de seu estado (você pode acessar os contatos de todos os CIATs do Brasil por meio da página da Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica - ABRACIT). Em casos mais graves, procure assistência médica imediata. Se possível, informe à equipe de saúde o agrotóxico utilizado para facilitar o atendimento. As informações a respeito dos riscos de cada agrotóxico podem ser encontradas em suas embalagens.

Quais são as contribuições dos Centros de Informação e Assistência Toxicológicas – CIAT para a Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos?
Devido à expertise na área de toxicologia, os CIATs auxiliam na capacitação de profissionais de saúde para detecção, diagnóstico e tratamento de intoxicados; constroem protocolos de vigilância e atenção de populações expostas; elaboram instrutivos para resposta às emergências de saúde pública; atuam como sentinela para a vigilância em saúde; dão suporte clínico na avaliação das intoxicações, possibilitando o correto encaminhamento para unidades referenciadas; prestam orientação para a investigação, acompanhamento e elucidação de doenças e agravos associados à exposição por agrotóxicos. Além disso, os CIATS orientam a comunidade leiga quanto à prevenção, primeiros socorros e outras medidas que possam reduzir os efeitos do agente tóxico até o atendimento em uma unidade de saúde.

Como notificar casos de intoxicação por agrotóxicos?
A intoxicação por agrotóxicos faz parte da Lista de Notificação Compulsória e deve ser notificada na ficha de Intoxicações Exógenas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme a Portaria GM/MS nº 1.271, de 06 de junho de 2014. Não é necessário esperar a confirmação da intoxicação, recomendando-se a notificação inclusive dos casos suspeitos.

Quem pode notificar casos de intoxicação por agrotóxicos?
As notificações devem ser feitas pelos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, odontólogos, médicos veterinários, biólogos, biomédicos, farmacêuticos e outros no exercício da profissão), bem como os responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e de ensino. Qualquer cidadão também pode notificar, voluntariamente, através do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) de seu estado.

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