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Vigilância em Saúde

Dados Epidemiológicos

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Sexta, 25 de Agosto de 2017, 15h35 | Última atualização em Segunda, 28 de Agosto de 2017, 18h39

No Brasil, as informações sobre as doenças e os agravos provocados pela exposição ao amianto ainda não foram completamente qualificadas.  Entre os fatores que contribuem para o conhecimento institucional fragmentado sobre as doenças provocadas pelo amianto, destacam-se os seguintes:

  • Dificuldade no reconhecimento do nexo-causal entre a exposição ao amianto e o desenvolvimento de determinadas doenças, visto que elas se manifestam muitos anos após a exposição e em local distante da fonte contaminadora;
  • Subnotificação nos sistemas de informação;
  • Existência de poucos trabalhos epidemiológicos de busca ativa de casos;
  • Escassez de serviços especializados para classificar alguns tipos de neoplasias, como os mesoteliomas.

Segundo o boletim epidemiológico Morbimortalidade de Agravos à Saúde Relacionados ao Amianto no Brasil, 2000 a 2011, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em cooperação com o Ministério da Saúde, foram registrados cerca de 2.400 óbitos possivelmente relacionados ao amianto em pessoas com 20 anos de idade ou mais entre 2000 e 2010. Dentre esses, as neoplasias de pleura correspondiam a mais da metade; os mesoteliomas a mais de um terço; e as asbestoses e as placas pleurais a pouco mais de dez por cento (Figura 1). 

Ressalta-se que as estimativas de mortalidade para o mesotelioma ainda são baixas se comparadas às de outros países da América Latina, o que evidencia problemas no reconhecimento de casos dessa doença, bem como seu registro no SIM.

Já no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), foram registrados 162 casos de asbestose entre 2007 e 2011. Dentre os registros que possuíam informações sobre a ocupação, 41,0% eram empregados ativos, enquanto os demais eram aposentados (50,0%) ou desempregados (9,0%). Entre os trabalhadores elegíveis, apenas 8,3% conseguiram emissão de Cadastramento de Acidente de Trabalho (CAT), o que evidencia a falta de visibilidade dessas enfermidades junto à Previdência Social.

Em relação às placas pleurais, foram verificados 893 registros entre 2007 e 2011. Observa-se que as notificações em 2008 e 2011 representam mais de 90% do total de casos do período. Isso se deve ao cumprimento de Termos de Ajuste de Conduta, TAC, decorrentes de ações do Ministério Público do Trabalho, o que evidencia, mais uma vez, a flagrante subnotificação de casos no SINAN. Dentre os registros que possuíam informações sobre a ocupação, 81,7% já eram aposentados e 94% relataram a emissão de CAT.

Figura 1 – Notificação de casos de placas pleurais, Brasil – 2007 a 2011. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Além disso, as análises da UFBA indicam que há tendência de aumento do número de mortes por mesotelioma e neoplasias de pleura no Brasil, sobretudo em homens, nos próximos anos.

 

Perfil epidemiológico - Análises dos dados dos Sistemas de Informação do Ministério da Saúde

CÂNCER – Doenças relacionadas ao trabalho

No período de 2006 a 2014 (dados atualizados em 05/11/2014) foram notificados no Sinan, 41 casos de câncer relacionados ao trabalho com exposição ao amianto/asbesto. Segundo a tabela 1, 76% (31) foram notificados pelo estado de São Paulo, sendo 65% (20) no município de Campinas.
  
Tabela 1. Distribuição dos casos de câncer relacionados ao trabalho com exposição ao amianto/asbesto, segundo Unidade Federada, no período de 2006 a 2014*, notificados no SINAN

UF Notificação

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Total

Ignorado/Em Branco

0

0

0

0

0

0

0

0

Rondônia

0

0

0

0

0

0

0

0

Acre

0

0

0

0

0

0

0

0

Amazonas

0

0

0

0

0

0

0

0

Roraima

0

0

0

0

0

0

0

0

Para

0

0

0

0

0

0

0

0

Amapá

0

0

0

0

0

0

0

0

Tocantins

0

0

0

0

0

0

0

0

Maranhão

0

0

0

0

0

0

0

0

Piauí

0

0

0

0

0

0

0

0

Ceara

0

0

1

0

0

0

0

1

Rio Grande do Norte

0

0

0

0

0

0

0

0

Paraíba

0

0

0

0

0

0

0

0

Pernambuco

0

0

0

0

1

0

1

2

Alagoas

0

0

0

0

0

0

0

0

Sergipe

0

0

0

0

0

0

0

0

Bahia

0

0

0

1

0

0

0

1

Minas Gerais

0

0

0

0

0

4

0

4

Espírito Santo

0

0

0

0

0

0

0

0

Rio de Janeiro

0

0

0

0

0

0

0

0

São Paulo

2

3

9

11

1

5

0

31

Paraná

0

0

0

0

1

0

0

1

Santa Catarina

0

0

0

0

0

0

0

0

Rio Grande do Sul

0

0

0

0

0

0

0

0

Mato Grosso do Sul

0

0

0

0

0

0

0

0

Mato Grosso

0

0

0

0

0

0

0

0

Goiás

1

0

0

0

0

0

0

1

Distrito Federal

0

0

0

0

0

0

0

0

Total

3

3

10

12

3

9

1

41

Fonte: Sinan (atualização 05/11/2014)

 

Conforme a tabela 2, todos os casos são do sexo masculino, 88% (36) com idade acima de 50 anos, cujas ocupações principais foram trabalhador da elaboração de pré-fabricados (cimento amianto); servente de obras; e, mecânico de manutenção de maquinas, em geral. Para 29% (12) a raça/cor declarada foi branca e em 76% (31) a escolaridade é ignorada.

Quanto ao tempo de exposição ao agente de risco, 56% (23) estavam expostos há 1 ano ou mais (variando de 1 a 38 anos), sendo que 78% (32) alegaram haver ou ter havido outros casos de trabalhadores com a mesma doença no local de trabalho.

Quanto ao hábito de fumar, 17% (7) ou fumavam ou eram ex-fumantes. Quanto a evolução, 27% (11) estavam com a doença em progressão e 37% (15) foram a óbito por câncer relacionado ao trabalho.

Tabela 2. Características dos casos de câncer relacionados ao trabalho com exposição ao amianto/asbesto, no período de 2006 a 2014, notificados no SINAN.

Característica

Nº de Indivíduos

Sexo

Masculino

%

 

41

100,00

Faixa Etária (anos)

 

 

30 a 39

1

0,96

40 a 49

3

2,88

50 a 59

9

8,65

60 a 69

14

13,46

70 a 79

13

12,50

80 e+

1

0,96

Raça/Cor

 

 

Branca

12

29,27

Preta

3

7,32

Amarela

0

0,00

Parda

4

9,76

Indígena

1

2,44

IGN*

21

51,22

Escolaridade

 

 

Analfabeto

1

2,44

1ª a 4ª série incompleta do EF

1

2,44

4ª série completa do EF

2

4,88

5ª a 8ª série incompleta do EF

2

4,88

Ensino fundamental completo

0

0,00

Ensino médio incompleto

1

2,44

Ensino médio completo

2

4,88

Educação superior incompleta

0

0,00

Educação superior completa

1

2,44

Não se aplica

0

0,00

IGN*

31

75,61

Regime de tratamento

 

 

Hospitalar

12

29,27

Ambulatorial

22

53,66

IGN*

7

17,07

Tempo de exposição

 

 

Hora

0

0,00

Dias

0

0,00

Mês

1

2,44

Ano

23

56,10

IGN*

17

41,46

Hábito de fumar

 

 

Sim

7

17,07

Não

8

19,51

Ex-fumante

7

17,07

IGN*

19

46,34

Há ou houve outros trabalhadores

 

 

Sim

32

78,05

Não

0

0,00

IGN*

9

21,95

Evolução

 

 

Sem evidência da doença (remissão completa)

0

0,00

Remissão parcial

2

4,88

Doença estável

2

4,88

Doença em progressão

11

26,83

Fora de possibilidade terapêutica

0

0,00

Óbito por câncer relacionado ao trabalho

15

36,59

Óbito por outras causas

0

0,00

Não se aplica

2

4,88

IGN*

9

21,95

Fonte: Sinan (BCO Nov2014) * IGN – Ignorado/Em branco

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