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Vigilância em Saúde

Efeitos à Saúde Humana

Escrito por Alessandra Bernardes | Publicado: Sexta, 25 de Agosto de 2017, 15h19 | Última atualização em Segunda, 28 de Agosto de 2017, 10h07

A maioria da população está exposta a baixas concentrações de mercúrio presentes naturalmente no meio ambiente. No entanto, com o aumento das emissões de mercúrio decorrentes das atividades humanas, os indivíduos poderão apresentar sinais e sintomas decorrentes da exposição a essa substância, cuja gravidade dependerá dos seguintes fatores:

  • Forma química do mercúrio (orgânico, metálico ou inorgânico);
  • Dose de mercúrio absorvida e duração da exposição;
  • Características individuais, como sexo, idade, condições gerais de saúde e variações genéticas;
  • Via de exposição (inalação, ingestão ou contato dérmico).

Metilmercúrio

Normalmente, a exposição humana ao metilmercúrio é alimentar e se dá através da ingestão de pescados contaminados. Esse composto é absorvido pelo trato gastrointestinal e é rapidamente distribuído aos órgãos pela corrente sanguínea. Essa substância é capaz de ultrapassar as barreiras hematoencefálica e placentária.

Assim, o metilmercúrio produz efeitos deletérios nos rins, no fígado e no sistema nervoso central. Seus sinais e sintomas mais comuns são a redução da visão periférica, a perda de coordenação motora, as dificuldades na fala e audição, as perturbações sensoriais; e a fraqueza muscular. Em casos mais graves, pode provocar sequelas irreversíveis e morte.

Quando ultrapassa a barreira placentária pode gerar malformações fetais e doenças congênitas. Não raro os fetos e crianças expostas a grandes quantidades de metilmercúrio apresentam comprometimento em seu desenvolvimento neurológico, com problemas na cognição, atenção, memória, visão espacial e coordenação motora.

Em determinadas situações, os pacientes podem desenvolver a Doença de Minamata, uma síndrome neurológica caracterizada pela dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte.
A eliminação do metilmercúrio do organismo é lenta, durando vários meses, e ocorre principalmente através das fezes.

Mercúrio Metálico e Inorgânico

Normalmente, a exposição ao mercúrio metálico e inorgânico ocorre de forma ocupacional.  A exposição crônica e sucessiva dos trabalhadores ao mercúrio pode levar ao quadro de Mercurialismo, marcado por diversas manifestações neuropsiquiátricas como psicose, alucinações, tendências suicidas e alterações cognitivas.

A principal via de exposição ao mercúrio metálico se dá pela inalação de seus vapores. Após ser absorvida pelos pulmões, essa substância é distribuída para o sistema nervoso central e para os rins. O mercúrio metálico pode permanecer no organismo por várias semanas e sua eliminação se dá através da urina, das fezes e, em menor proporção, pela expiração. Ressalta-se que essa forma de mercúrio não é absorvida significativamente pelo trato gastrointestinal de indivíduos sadios.

Os efeitos tóxicos agudos decorrentes da inalação de vapores de mercúrio metálico compreendem aumento da frequência respiratória, fadiga, garganta dolorida, sabor metálico na boca, tosse, tremores, dores de cabeça e alterações comportamentais. Nas exposições mais severas pode ocorrer falência renal, falência respiratória e morte. Observaram-se, ainda, reações alérgicas e exantemas após o contato do mercúrio metálico com a pele de indivíduos com hipersensibilidade.

Ao contrário do mercúrio metálico, a principal forma de exposição aos sais de mercúrio se dá pela ingestão. No entanto, somente uma fração do mercúrio inorgânico ingerido será absorvida pelo trato gastrointestinal. Após penetrar o organismo, os sais de mercúrio são distribuídos pela corrente sanguínea a diversos órgãos, acumulando-se, sobretudo, nos rins. Os sais de mercúrio não atravessam facilmente as barreiras hematoencefálica ou placentária e são eliminados pelas fezes e urina.

A ingestão desses sais pode provocar úlceras gastrointestinais e necrose tubular renal aguda. Entre os sinais e sintomas mais comuns estão náuseas, diarreias, e úlceras, além de efeitos cardíacos e hipertensão arterial em crianças.

Monitoramento da Exposição Humana ao Mercúrio

Os níveis de exposição ao mercúrio podem ser monitorados na urina, no sangue, nos cabelos:

  • Urina: a aferição do mercúrio urinário é utilizada para avaliar a exposição ao mercúrio metálico e inorgânico.
  • Cabelos: essa matriz é utilizada frequentemente para a aferição de metilmercúrio, revelando, inclusive, exposições de longo prazo e a contribuição da dieta alimentar.
  • Sangue: pode ser utilizado para o monitoramento de várias formas de mercúrio. No entanto, para as formas metálica e inorgânica, recomenda-se a coleta o mais rápido possível, visto que sua concentração circulante cai à metade a cada três dias após o fim da exposição.
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