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Vigilância de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

Fatores de Risco

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Quinta, 27 de Março de 2014, 15h23 | Última atualização em Segunda, 23 de Abril de 2018, 10h13

Tabagismo

O tabagismo é um importante fator de risco para o desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como câncer, doenças pulmonares e doenças cardiovasculares. Desse modo, o hábito de fumar permanece como líder global entre as causas de mortes evitáveis ¹. Outros estudos associam, também, o fumo passivo a esse mesmo grupo de doenças ².

O Brasil tem-se destacado como o país que vem reduzindo progressivamente a prevalência de tabagismo nas Américas e no mundo. Em 1989, a prevalência de fumantes era de 34,8% ³; em 2003, foi de 22,4% 4; e, em 2008, reduziu para 17,2% na população de 15 anos ou mais (21,6% em homens e 13,1% em mulheres) 5. Os dados mais recentes, levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2013, mostram que a prevalência de usuários atuais de produtos derivados do tabaco, na população de 18 anos ou mais, foi de 15% no país, sendo maior na área rural (17,4%) quando comparado com a área urbana (14,6%). Observando-se por sexo, a prevalência foi maior entre os homens (19,2%); por região, o maior valor foi encontrado na região Sul (16,1%); e por UF a maior prevalência f.oi no estado do Acre com 19,3% 6.

A PNS trouxe outras informações importantes sobre o tabagismo: 14,5% dos adultos do país referiram ser fumantes atuais de cigarro e 17,5% referiram ser ex-fumantes de tabaco. Dentre os fumantes, 51,1% declararam ter tentado parar de fumar nos 12 meses anteriores à entrevista, e 8,8% referiram ter procurado tratamento com profissional de saúde para parar de fumar nesse mesmo período. Quanto à exposição à mídia, 28,7% dos adultos informaram que foram expostos à mídia pró-tabaco e 52,1% à mídia antitabaco. Dos adultos fumantes, 86,2% referiram estar expostos às advertências dos maços de cigarro, sendo que 52,3% pensaram em parar de fumar devido a essas advertências 6.

Outro inquérito importante para o acompanhamento da tendência e variação temporal dos indicadores de tabagismo é o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado anualmente, desde 2006, no conjunto das 26 capitais e do Distrito Federal. A última edição, de 2016, apresentou uma série histórica da prevalência de fumantes, indicando redução estatisticamente significativa, de 15,7% em 2006 para 10,2% em 2016 7. Entre 2006 e 2016, observando por sexo, a frequência diminuiu mais entre os homens, com redução média de 0,76 ponto percentual (pp) ao ano. No mesmo período, o consumo de 20 cigarros por dia entre homens reduziu, em média, 0,25 pp ao ano. Em 2016, a frequência de fumantes passivos no domicílio foi semelhante entre homens e mulheres, com 7,3% em ambos. Mas por outro lado, no ambiente de trabalho, a prevalência de fumantes passivos foi maior entre os homens (10,8%), em comparação com as mulheres (3,9%).

Entre os adolescentes, os dados da última edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE e MS, em 2015, mostraram que 5,6% dos estudantes do 9º ano relataram ter fumado cigarro nos 30 dias anteriores à entrevista. O percentual foi menor na região Nordeste (4,0%), e similar nas demais regiões, variando de 6,0% no Sudeste a 7,0% no Sul. Quanto à experimentação de cigarro, 18,4% dos adolescentes referiram já ter fumado alguma vez na vida. Essa prevalência foi maior na Região Sul (24,9%) e menor na região Nordeste (14,2%) 8.

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde. Report on the global tobacco epidemic. Geneva: WHO, 2011.
  2. Mello PRB, Pinto GR, Botelho C. Influência do tabagismo na fertilidade, gestação e lactação. J. Pediatr. (Rio J.). 2001, vol.77, n.4, pp. 257-264.
  3. INAN (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição), 1990. Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição — PNSN-1989. 
  4. Szwarcwald CL et al. Pesquisa mundial de saúde 2003: o Brasil em números. RADIS, Rio de Janeiro, n.23, p. 14-33, 2004.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Organização Pan-americana da Saúde. Pesquisa Especial de Tabagismo – PETab 2008. Rio de Janeiro: MS; 2011.
  6. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Brasil). Pesquisa Nacional de Saúde. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas: 2013. Rio de Janeiro: IBGE; 2014.
  7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2016: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
  8. 8.  Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2016.

Consumo Nocivo de álcool

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o consumo nocivo do álcool foi responsável por 3,3 milhões de mortes em 2012, ou seja, 5,9% do total de óbitos no mundo. Além de relacionado à mortalidade, o consumo de bebidas alcoólicas também é classificado entre os cinco principais fatores de risco para incapacidades, principalmente entre jovens, e está relacionado como fator causal de mais de 200 doenças e lesões como cirrose hepática, câncer, distúrbios neurológicos e maior exposição a acidentes e violências 1,2.

No mundo, a mortalidade ajustada por idade causada por transtornos mentais e comportamentais por consumo de álcool (Classificação Internacional de Doenças 10ª revisão, código F10) subiu 21% em onze anos, passando de 4,26 por 100 mil pessoas em 1996 para 5,17 por 100 mil pessoas em 2007 3. No Brasil, o percentual de óbitos com causa básica plenamente atribuível ao álcool (CID 10, códigos: E24.4; F10.0-F10.9; G31.2; G62.1; G72.1; I42.6; K29.2; K70.0-K70.4; K70.9; K85.2; K86.0; O35.4; P04.3; Q86.0; R78.0; X45.0-X45.9; X65.0-X65.9; Y15.0-Y15.9; Y90.0-Y90.0; Y91.0-Y91.9) passou de 1,2% no ano 2000, para 1,6% de todos os óbitos captados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) em 2013. Esse aumento foi ainda maior quando considerado não somente o percentual de óbitos com causa básica plenamente atribuível ao álcool, mas também as causas associadas, que subiu de 1,9% do total no ano 2000 para 2,8% em 2013 4.

Considerando a magnitude deste problema, o monitoramento do consumo de álcool se faz importante desde a adolescência. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)4 de 2015, 55,5% dos estudantes de 9º ano brasileiros, da rede pública e privada, relataram que já haviam experimentado álcool. Considerando os últimos 30 dias anteriores à realização da entrevista, 23,8% dos estudantes relataram consumir pelo menos um copo ou uma dose de bebida alcoólica, sendo este consumo superior em meninas (25,1%), em relação aos meninos (22,5%). Cerca de 21,4% dos alunos investigados na PeNSE 2015 disseram que haviam se embriagado pelo menos uma vez na vida.

Entre adultos, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas é um indicador que considera a quantidade consumida de bebida alcoólica - quatro ou mais doses, quando mulheres e cinco ou mais doses para homens - em uma única ocasião. Segundo o inquérito Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico conjunto das 26 capitais e Distrito Federal)5, em 2016, 19,1%, dos adultos residentes nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal relataram consumo abusivo de bebida alcóolica, sendo esta frequência maior em homens (27,3%) do que em mulheres (12,1%). Ainda segundo esta pesquisa, a prevalência do consumo abusivo de bebida alcoólica tendeu a diminuir após os 35 anos de idade, e a aumentar com o incremento da escolaridade.

Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), a prevalência de consumo abusivo de álcool foi de 13,7% para Brasil, sendo maior na área urbana (14,2%) quando comparado à área rural (10,3%). A Região Centro-Oeste apresentou a maior prevalência (16,2%) e a Região Sul a menor (11,1%). Segundo a PNS, a média de idade de iniciação do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil foi de 18,7 anos, com valores semelhantes para área urbana (18,8 anos) e rural (18,4 anos) 6.

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde. Global status report on alcohol and health 2014. Geneva: WHO, 2014.
  2. Rehm, J, et al. The relation between different dimensions of alcohol consumption and burden of disease: as overview. Addiction, [S.l.], v.105, n.5, p. 817-843, May 2010.
  3. Schmidt MI, Duncan BB, E Silva GA, Menezes AM, Monteiro CA, Barreto SM, Chor D, Menezes PR. Chronic non-communicable diseases in Brazil: Burden and current challenges. The Lancet, 2011,  377  (9781) , pp. 1949-1961.
  4. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2016.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Saúde Brasil 2016: uma análise da situação de saúde e das causas externas. Brasília: Ministério da Saúde; 2017. p.102-105.
  6. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Brasil). Pesquisa Nacional de Saúde. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas: 2013. Rio de Janeiro: IBGE; 2014.

Inatividade física

A prática de atividade física de forma regular é considerada um fator de proteção à saúde das pessoas, enquanto que o sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortalidade global. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3,2 milhões de mortes por ano em todo o mundo são atribuídas à atividade física insuficiente 1. A OMS recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos de atividade física semanal de intensidade leve a moderada ou 75 minutos de atividade de intensidade vigorosa, entre adultos 1. No caso de adolescentes o tempo recomendado sobe para 300 minutos de atividade de intensidade leve a moderada por semana, ou 150 minutos de atividade de intensidade vigorosa 2.

O inquérito telefônico Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) avalia a atividade física em quatro domínios: no tempo livre ou atividades de lazer, no deslocamento para o trabalho ou para a escola, nas atividades de trabalho, e nas atividades domésticas, sendo o primeiro mais passível de intervenção. Conforme dados do Vigitel, a prática do nível recomendado de atividade física no tempo livre referida por adultos residentes nas capitais do Brasil passou de 30,3% em 2009 para 37,6 em 2016. A maior prevalência foi observada no sexo masculino (46,6%), na faixa etária de 18 a 24 anos (52,2%) e na população com maior escolaridade (47,9%). A localidade com maior prevalência de adultos ativos, em 2016, foi o Distrito Federal, com 46,2% 3.

Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, a prevalência de adultos que referiram praticar o nível recomendado de atividade física no lazer foi de 22,5% incluindo a área urbana (23,8%) e rural (13,8%) do país. O maior valor foi observado entre os homens (27,1%), em comparação às mulheres (18,4%); e entre as Unidades da Federação o destaque também ficou para o Distrito Federal com 35,1%. Além da atividade física no lazer, observou-se também que 14% dos adultos referiram prática de 150 minutos de atividade física semanal no trabalho e 12,1% na realização de atividades domésticas. O percentual de adultos insuficientemente ativos foi de 46,0%, e 28,9% referiram assistir televisão por 3 horas ou mais por dia 4.

Entre os adolescentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015, 34,4% dos alunos do nono ano avaliados foram considerados suficientemente ativos (pelo menos 300 minutos de atividade física acumulada nos últimos sete dias), com maior prevalência entre os meninos (43,9%) que entre as meninas (25,4%). Observando o número de aulas de educação física que os adolescentes frequentaram na escola na semana anterior à entrevista, houve uma queda no percentual de escolares que não tiveram aulas de educação física. Em 2012, 18,3% dos escolares informavam não terem tido aulas de educação física nos últimos sete dias anteriores à pesquisa. Em 2015, esse percentual passou a ser de 14,0%. Quanto ao hábito de assistir televisão, 59,8% dos adolescentes referem gastar mais de duas horas por dia em frente à TV e 56,1% costumam realizar atividades sentados(as), por mais de três horas 2.

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde. Global Status Report on noncommunicable diseases 2014. Geneva: WHO, 2014. 
  2. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2016.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2016: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
  4. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Brasil). Pesquisa Nacional de Saúde. Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas: 2013. Rio de Janeiro: IBGE; 2014.

Alimentação não saudável

No Brasil, houve uma redução na compra de alimentos tradicionais básicos, como arroz, feijão e hortaliças, e aumentos notáveis na compra de alimentos processados, entre meados da década de 1970 e meados da década de 2000, acarretando aumento no consumo de gorduras saturadas, sódio e açúcares livres1. No outro lado, dentre os marcadores de padrão alimentar saudável, está o consumo de frutas e hortaliças. A Organização Mundial de Saúde recomenda a ingestão diária de pelo menos 400 gramas de frutas e hortaliças 2, o que equivale, aproximadamente, ao consumo diário de cinco porções desses alimentos. Segundo dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico conjunto das 26 capitais e Distrito Federal) 2016, 75,6% da população com 18 anos não atingiram o consumo recomendado de frutas e hortaliças (cinco ou mais porções diárias de frutas e hortaliças em cinco ou mais dias da semana)3.

Outro importante marcador de alimentação não saudável monitorado é o consumo regular de refrigerantes, caracterizado pelo consumo destas bebidas em cinco ou mais dias da semana. Entre adultos, segundo o Vigitel 2016, a frequência de consumo regular de refrigerantes foi de 16,5%, sendo mais alta entre homens (19,9%) do que entre mulheres (13,9%). Ressalta-se que a prevalência deste indicador vem reduzindo, passando de 30,9% em 2007 para os atuais 16,5%.

O monitoramento destes indicadores se faz importante também na população adolescente, considerando ser esta uma fase importante para formação e manutenção de hábitos alimentares. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)4 de 2015, a prevalência de marcadores de alimentação não saudável entre estudantes do 9º ano do ensino fundamental foi de 41,6% para guloseimas (como doces, balas, chocolates, chicletes, bombons ou pirulitos), 26,7% para refrigerantes e 31,3% para alimentos ultraprocessados salgados (como hambúrguer, presunto, mortadela, salame, macarrão instantâneo e salgadinho de pacote).

Para a população infantil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013 trouxe alguns resultados sobre alimentação entre crianças menores de 2 anos, apontando que os hábitos alimentares não saudáveis estão presentes desde cedo entre os brasileiros. A prevalência de crianças que comeram biscoitos ou bolachas ou bolos desde o dia anterior à entrevista foi de 60,8% no Brasil. Em relação a refrigerante ou suco artificial, a prevalência de crianças que consumiram essas bebidas desde o dia anterior à entrevista foi de 32,3% no país5

Referências:

  1. Levy et al, 2009. In: Schmidt MI, Duncan BB, E Silva GA, Menezes AM, Monteiro C.A., Barreto S.M., Chor D., Menezes P.R. Chronic non-communicable diseases in Brazil: Burden and current challenges. The Lancet, 2011, 377  (9781) , pp. 1949-1961.
  2. Organização Mundial de Saúde. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Report of the joint WHO/FAO expert consultation WHO Technical Report Series, No. 916. 2003.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2016: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
  4. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2016.
  5. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Brasil). Pesquisa Nacional de Saúde. Ciclos de vida: 2013. Rio de Janeiro: IBGE; 2015.
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